Insensível ao toque
” i cannot think for myself,
i need to fit on the shelf
and pretend to be one more gadget
something expensive but disposable”
Então, morreu Steve Jobs, com direito a cobertura especial nos canais de notícia a cabo, memes, primeiro lugar nos Trend Topics do Twitter. #morreujobs, todos chora. O modo de hipérbole, ligado na regulagem máxima, tão habitual nos falecimentos de celebridades, atinge o ápice extremo e transforma o ex-CEO da Apple no “messias dos novos tempos” (e uso aspas sem precisar citar a fonte, tamanha a enxurrada de exageros). Mas, meus queridos leitores, sempre tão atentos ao mundo das sutilezas, já devem ter notado que, por baixo de toda badalação, there’s one more thing.
Claro, seria demasiada pretensão deste humilde escriba pretender reduzir Steve Jobs a uma função de mero passante do Século XX. Ele pensou produtos inéditos, fez multidões abrirem suas carteiras para comprar modelos mais novos de gadgets, arrebanhou consumidores como ovelhas às iStores, tornou a tecnologia acessível até para sua avó e provavelmente mais uma porção de coisas que eu desconheço. Soube, claro, cobrar mais por tudo isso. Ademais, idealizou a uma das empresas mais lucrativas do mundo.
Daí a dizer que Jobs levou uma revolução ao mundo com sua passagem pelo planeta, meus caros, dá-se um enorme abismo.
Pois, eis que, em sua maior glória, mora a maior limitação de Steve Jobs. Em um mundo fora do campo de distorção criado pelo discurso hagiológico de seus seguidores, a Apple é apenas uma empresa, talvez com método e procedimentos diferente das demais, mas, em essência, rigorosamente igual a qualquer outro negócio. Criam-se e vendem-se produtos, alguns ganham, outros perdem e a vida segue, com menos ou mais dinheiro no bolso e algum celular novo nas mãos.
Entretanto, nem todos os iPhones do mundo tocando juntos poderiam fazer uma revolução. Revoluções são feitas de quebras de estruturas sociais, reagrupamento de classes, destruição e reconstrução nas formas de circulação de renda, cristalização de novos ideais e outras tantas coisas que não cabem nas telas do maior dos iPads. Tivesse Jobs libertado escravos chineses e morrido pobre,sem cabeça, em uma guilhotina, aí então seria merecedor do título de revolucionário.
Longe dos títulos de revolucionário e visionário, Jobs alimentou mais do mesmo, ainda que com admirável habilidade. À espera do novo lançamento de um celular, seguimos vítima de das mesmas mazelas, insensíveis aos múltiplos toques nas telas (in)sensíveis. O mundo que enxerga uma revolução em Steve Jobs é um mundo cego, que caminha triste para consumir a si mesmo na fabricação de mais uma maçã metálica.
Tags: Crônicas curtas, Crônicas da Internet, Crônicas para refletir, Textos de reflexão, Textos pequenos
Segundo descobri recentemente, os esquimós têm doze mais de quarenta palavras para conceituar a neve. Pudera, eles têm bastante neve para trabalhar. Neve no chão, neve de fazer casa, neve de derreter e beber, neve de brincar e neve de fazer boneco de neve. Assim, pode parecer estranho o fato de ser o português a única língua que possui uma palavra para definir, com precisão, a saudade.
O
Não importa o quanto os sábios sociólogos, economistas, biólogos e estatísticos consigam dividir, subdividir, categorizar e classificar os humanos, eu, imbuído de profundos estudos em antropologia de revista em quadrinhos, afirmo que só há dois tipos de pessoas. Os Pato Donalds e os Gastãos. E antes que o leitor imaginário mais reprovador balance a cabeça em desacordo, indignado com mais uma de minhas idéias estapafúrdias, aviso logo que no último parágrafo, me desdirei, sem, contudo, me contradizer.
Segundo reza a lenda, eternizada no filme, o fabricante do Titanic, orgulhoso do poder de sua criatura, teria afirmado que nem Deus poderia afundar aquele navio. Com toda certeza, meus bem informados
E eu, que não perco a capacidade de me surpreender e mudar minhas idéias, diante de qualquer coisinha do cotidiano?
“Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
"What’s in a name? That which we call a rose 






