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	<title>Estado Crônico &#187; Textos de reflexão</title>
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		<title>Lente Macro</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 20:01:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
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<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop --><p align="justify">O corpo foi encontrado poucos minutos passados da meia noite. Uma barata, não identificada, em meio ao gramado da quadra. A primeira formiga que por ali chegou não soube apurar a <em>causa mortis</em>, mesmo após verificar em detalhes o corpo e observar a existência de um ferimento corto-contuso no ventre da vítima.</p>
<p align="justify">Apesar da prudência e dos cuidados investigativos naturalmente exigidos pela gravidade do caso, a formiga não se interessou por aguardar a polícia técnica e, com vistas a evitar o formigueiro concorrente, chamou suas amigas para iniciarem juntas o trabalho de remoção.
</p>
<p align="justify">Em minutos, um silencioso cortejo fúnebre cruzava o gramado. Equilibrado no alto de cuidadosas operárias, o corpo era levado ao sepulcro final na entrada do formigueiro. Mas, anunciada com breves gotas, uma chuva torrencial lavou o caminho longo e tortuoso da coveiras do jardim. E onde antes era apenas grama, surgiram rios caudalosos e fendas abismais. O complexo trabalho de engenharia necessário para vencer os obstáculos passou a ser observado ao longe por um interessado roedor, cuja gula só foi afastada em virtude do gato errante, morador perene da região e chefe da quadra.</p>
<p align="justify">No entanto, o primeiro raio de sol despertou um bem-te-vi de seu recluso galho no primeiro andar da mangueira. Os olhos treinados avistaram a trilha de formigas carpideiras. E, antes que elas chegassem à proteção de seus escuros túneis, com uma revoada, dois passinhos e uma bicada, o corpo-troféu, voou carregado pelos ares, esvaziando todo os esforço da madrugada empenhado pelo forte corpo operário do formigueiro.
</p>
<p align="justify">Durante o dia, as empregas, as estudantes uniformizadas, as estudantes não uniformizadas, os engravatados das autarquias, o zelador, os maconheiros vespertinos, a equipe de cortadores de grama, o pessoal da capoeira, o entregador de móveis atrasados, ninguém percebeu o movimento insignificante do gramado, todos afogados em seus pensamentos de grandeza, muito maiores que o universo inteiro.</p><div class="shr-publisher-873"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2012%2F01%2Flente-macro.html' data-shr_title='Lente+Macro'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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		<title>You know my name, look up my number</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 18:21:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
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<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop --><p align="justify">Houve uma época que este escriba passava longas tardes macias entre masmorras e dragões, brincando no que o mundo se acostumou a chamar de Role Playing Game. Mais do que a aventura vivida no universo imaginado do jogo, fascinava-me a criação dos personagens de tal forma que a coisa toda para mim tornou-se um grande catálogo telefônico, cheio de nomes e números, mas com muito pouca história.</p>
<p align="justify">À <a title="leitora imaginária" href="http://www.estadocronico.com.br/2009/07/leitores-imaginarios.html">leitora imaginária</a> não-nerd, explico como era feito o processo de divinamente gerar um personagem a partir do barro de idéias. Primeiro, era dado ao jogador um certo número de pontos, a serem distribuídos em atributos básicos. Força, destreza, inteligência e carisma, por exemplo. A idéia principal era esboçar alguma personalidade nestas características, evitando um psdbista equilíbrio de pontos. Você queria se transformar em um grande gênio? Gastasse lá uns bons pontos em inteligência. Ou a vontade era de um personagem com mais lábia que o Silvio Santos? Invista no carisma e vá convencer leão à dieta vegan. </p>
<p align="justify">Mas a coisa não termina aí, pois ainda falta o tempero. Com os pontinhos restantes, o personagem ganha algumas qualidades especiais. Facilidade para aprender idiomas, por exemplo, custa uns pontos, mas transforma o sujeito em um poliglota natural. Todavia, como o cobertor é curto, você deve querer acrescentar alguns defeitos à pessoa imaginada. Assim, coloca-lhe uns desvio de caráter que lhe dão um saldo de pontos, a serem usados em mais vantagens. Eu, por exemplo, adoro a teimosia de meus personagens, hábeis em encasquetar com uma mania até o fim da aventura. Mesmo problema, aliás, que lhes obrigava a tentar convencer todos sobre suas opiniões.</p>
<p align="justify">Fato é que sempre achei os personagens de RPG parecidos com os humanos. Vejo por aí que somos meio assim, cada um com um acréscimo de características, qualidades e defeitos, que ao fim, resultam em um somatório de pontos. Mas, se no RPG, todos possuíam um mesmo saldo formidável para gastar na distribuição, os humanos possuem cada uma quantidade reduzida de pontos. Assim, para múltiplas qualidades, surgem defeitos aqui e acolá. Claro, há quem seja capaz de apreciar Bergman e escalar o Everest, imparidade apaixonante de características, que merece ser logo registrada.</p>
<p align="justify">E, como o Estado Crônico é nada e um pouco de tudo ao mesmo tempo, arrisco-me a deixar aos doutos leitores um conselho daqueles de livro best-seller, para quem busca de realização pessoal, profissional, social, emocional e dinheiral. Descubra seu número. Os defeitos parecem menos pesados quando surgem como custo de outras habilidades. E, se no caminho prateleira de auto-ajuda, você tropeçar com uma pessoa que tenha exatamente seu número, não saia mais do lado dela. Mas não se esqueça de correr na ficha do personagem e acrescentar como bônus o item “sorte” a sua lista qualidades.</p><div class="shr-publisher-871"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2012%2F01%2Fyou-know-my-name-look-up-my-number.html' data-shr_title='You+know+my+name%2C+look+up+my+number'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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		<title>2012 descendo a ladeira</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 19:04:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
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<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop --><p align="justify">Então está aí o <a title="leitor imaginário" href="http://www.estadocronico.com.br/2009/07/leitores-imaginarios.html">leitor imaginário</a>, já no fim da primeira-semana-do-ano, portador orgulhoso de sua lista de planos para 2012, cheia de clichês, mas feita no capricho. Lá estão, com quadradinhos na frente para serem ticados conforme a tarefa for cumprida, os mais aspirados desejos do ano. Pagar a academia para não malhar, malhar a academia para não pagar, não pagar a academia para não malhar e, sendo esta a última hipótese, no insucesso das demais, pagar a academia para malhar. Ah! Mas, corpo são, mente sã. Assim, assoma-se às atividades físicas o plano de engrandecer-se intelectualmente. Planeja o leitor adicionar a seu já vasto cabedal literário uma série de leituras, todas aptas a iluminar o caminho da sabedoria.</p>
<p align="justify">Sorte de meu leitor imaginário, com seus planos prontos. Pois o escriba, assoberbado nessa coisa toda de viver, comer, trabalhar e ir ao zoológico no domingo dar pipoca aos macacos (não pode, mas eu o faço por respeito às referências musicais), ainda não teve uma mísera réstia de tempo para reduzir a termo todo os planos para o ano seguinte.</p>
<p align="justify">E assim vai que o ano, começado meio desplanejado, em neologismo impróprio, grifado de vermelho pelo editor de textos, seguirá em ritmo acelerado e, antes que se possa afirmar, com habitual tradição, que o ano-está-passando-rápido-demais, eu ficarei encalacrado entre os afazeres, sem poder determinar, com aquele sábio distanciamento temporal preventivo, quais serão minhas próximas atitudes.</p>
<p align="justify">Assim, as coisas mais simples e modorrentas se misturarão com as mais complicadas e maneirosas. Colocarei nos planos viajar para o Nepal, mas não sem antes consertar a torneira do banheiro, cujo gotejar sem fim me faz engolir um nó de culpa todas as vezes que alguém alarma o fim dos mananciais de água doce no mundo. Tentarei salvar a Mata Atlântica, mas antes preciso lembrar de responder todos as mensagens dos leitores do Estado Crônico (infelizmente poucos, razão pela qual a tarefa não deveria ser absorvida pela falta de tempo).</p>
<p align="justify">E no campo literário a bagunça se fará melhor e maior. Grande Sertão Veredas aguardará sua vez de leitura. Todo satisfeito, abrirá seus bracinhos de papel em pedido de colo num sofá confortável, na tarde preguiçosa de um sábado que não existe. Nonada. Casa Grande &amp; Senzala finalmente desempacará da fila ou persistirá em sua situação de melhor livro ainda não lido? E, finalmente, os, até agora 5, tijolos de Crônicas de Fogo e Gelo ainda pretendem ter uma chance, mais pelo burburinho do que pela vontade do cronista.</p>
<p align="justify">E com tudo, last but not least, para não deixar o leitor apreensivo e irritado com o anglicanismo bobinho, há sempre o plano de manter o Estado Crônico atualizado como um periódico eletrônico de fofoca de celebridades, com mais posts do que lista de discussão sobre política e um estoque de crônicas que faria de Nelson Rodrigues um invejoso escrivinhador. É bastante coisa. Tudo bem bagunçado e sem prioridades. Na mistura, viram os planos e metas meros pactos de diretrizes, repletos de contradições. E se o leitor goza da felicidade de uma listinha de fim de ano, o cronista prosseguirá no dia a dia, a vida de improviso, com quem atravessa a rua fora da faixa para pegar o ônibus de portas quase fechando.</p><div class="shr-publisher-864"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2012%2F01%2F2012-descendo-a-ladeira.html' data-shr_title='2012+descendo+a+ladeira'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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		<title>Pergunta indiscreta</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Dec 2011 16:37:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
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<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop --><p align="justify">Não tenho bem certeza sobre quem percebeu o grau de periculosidade da curiosidade felina, capaz de eliminar suas sete vidas em uma única tacada, e cunhou o adágio. Fato é que, se a curiosidade felina é fatal, perde em muito para a humana, pelo menos no grau de indiscrição.</p>
<p align="justify">Antes que o <a title="leitor imaginário" href="http://www.estadocronico.com.br/2009/07/leitores-imaginarios.html">leitor imaginário</a> se confunda, digo logo que não trato aqui daquela curiosidade tão válida para o desenvolvimento humano. A mesma responsável por ter colocado o homem na Lua só para buscar umas pedrinhas ou por ter impulsionado as velas de Colombo até os costados de uma suposta Índia. Falo de uma curiosidade que se transmuta em um misto de intimidade e mesquinharia, sem a mínima razão aparente.</p>
<p align="justify">Estranhamente, as perguntas inexplicáveis crescem em número nestas épocas de festividades. Você viu o sujeito duas vezes na vida. Uma de relance no elevador, outra com breve aceno na garagem. Fosse em qualquer época do ano mais modorrenta, o terceiro encontro seria apenas um cumprimento de cabeças, Pois, nesta época a conversa logo se inicia com um “E aí, onde vai passar o Reveillon?”. E parasse aí, tudo estaria bem. Mas o papo, como qualquer outro, pode evoluir sempre para ponderações mais íntimas a cada frase. No fim, após explicar porque a sogra também vai, junto com a prima distante de Leopoldina, duas pessoas cujo ódio recíproco é cultivado há anos, você ainda terá que justificar a absurda escolha de uma pousada em Caraguatatuba, a 17 quilômetros da praia, com 22 lances de escada até o quarto. </p>
<p align="justify">Como o cronista é sujeito de boa vontade, põe fé que a alteração no comportamento seja algum fruto dos ventos de otimismo que sopram nesta época e inspiram a comunidade a viver em alguma espécie de fraternidade forçada.  Assim, a pergunta, que outrora seria pura intromissão na vida alheia, é vista como óleo para azeitar a máquina do convívio humano e tornar a coisa toda mais colorida.</p>
<p align="justify">Todavia, por mais que cheio de boas inspirações o cronista seja, não há como negar que, muitas vezes, a curiosidade ultrapassa, muitas vezes, o bom senso humano. Ao fim, só me resta, na minha cabeça prática, questionar para quê fazer uma pergunta se não há interesse na resposta. Assim, deixo a curiosidade para os gatos, que se enfiam o focinho onde não são chamados, ao menos têm narizes vermelhos e bonitinhos.</p>
<p align="justify"><em>P.S.: Peço desculpas pela falta de periodicidade dos últimos textos. Mas a redação do Estado Crônico mudou de sede e ainda estou a arrumar papéis e rascunhos. Até ano que vem!</em></p><div class="shr-publisher-859"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2011%2F12%2Fpergunta-indiscreta.html' data-shr_title='Pergunta+indiscreta'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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		<title>A Belo Monte da TV</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 01:03:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
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<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop --><p align="justify"><a href="http://www.estadocronico.com.br/wp-content/uploads/2011/12/belo-monte.jpg"><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 10px 5px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="belo-monte" border="0" alt="belo-monte" align="left" src="http://www.estadocronico.com.br/wp-content/uploads/2011/12/belo-monte_thumb.jpg" width="244" height="164" /></a>Eu sei que o vídeo é estrelado por atores lendo um <i>teleprompter</i>, cujo conhecimento de qualquer causa ambiental passa próximo ao meu domínio da teoria das super cordas. Sei que, por sua vez, a empregadora das estrelas em questão estende seus tentáculos por todos os canais midiáticos e, por mais de uma vez, tentou manipular a opinião pública para favorecer interesses particulares. E sei, sim, que talvez este seja mais um dos muitos casos. Aliás, sei até que a propaganda é uma cópia descarada, e assumida, de uma peça de marketing da campanha de Barack Obama. Vou tão longe a ponto de saber que alguns dos números apontados são um grande equívoco. </p>
<p align="justify">Eu sei disso tudo. Eu estudei.</p>
<p align="justify">E não dou a mínima.</p>
<p align="justify">Não me importo com nenhum dos argumentos acima e continuo compartilhando o vídeo em todas as <i>interredes</i> que encontrar por aí, mesmo sob o risco de virar um eco-chato. Por algumas razões bem simples. Primeiro, espanta que alguém se ofenda com a falta de “sinceridade” dos atores. Ora, até onde me consta, atores são remunerados para dizerem as maiores mentiras em nossa cara, de maneira tão bem dita que passamos a acreditar nisso. E se você se indignou com a hipotética falta de conhecimento de política enérgica da Maitê Proença, sinto muito, ponto para ela e falta de maturidade sua.</p>
<p align="justify">Mais, se a campanha é plágio de outra, americana, mais bonitinha e vitaminada, isso é problema exclusivo dos criadores da original. Você estudou se eles autorizaram ou chegaram a se incomodar com a cópia? Propaganda não é obra de arte carregada de relevos e significados. É pura técnica de convencimento. Mecanismo para que você consuma uma margarina ou uma idéia.</p>
<p align="justify">E então chega-se ao problema mais complicadinho para enfrentar. Realmente a empresa que, aparentemente, patrocina a campanha tem um histórico no mínimo preocupante de influências questionáveis na política brasileira. Todavia, transformar toda espécie de engajamento, seja contra ou a favor, a uma determinada causa em uma forma de manifestação política de apoio a este ou aquele partido é reduzir o discurso a um preto e branco que, além de sem graça, é inútil, pois nem de longe reflete a realidade de nossa vivência.</p>
<p align="justify">Ao fim, devemos assumir com humildade uma questão. Não vamos entender todos os números. Nem que passássemos os próximos anos encerrados na tarefa de compreender os impactos tecnológicos e ambientais da construção da Usina Belo Monte.</p>
<p align="justify">Felizmente, para certas questões, a solução é mais simples do que parece. Trata-se de uma escolha de quais valores queremos proteger. Chegou-se em um momento quando se faz obrigatório decidir entre o meio ambiente e o avanço econômico sem freios. E nem todos os números vão me fazer mudar de ideia.</p>
<p align="justify"><em>P.S.: Após um breve hiato e do manifesto ambiental acima, voltaremos a programação normal.</em></p><div class="shr-publisher-858"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2011%2F12%2Fa-belo-monte-da-tv.html' data-shr_title='A+Belo+Monte+da+TV'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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		<title>Realidade imaginada</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Oct 2011 13:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
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<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop --><p align="right"><em><strong><a href="http://www.estadocronico.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Alice-caindo.jpg"><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 10px 6px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Alice caindo" border="0" alt="Alice caindo" align="left" src="http://www.estadocronico.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Alice-caindo_thumb.jpg" width="244" height="196" /></a>“Reality leaves a lot to the imagination.”</strong></em></p>
<p align="right"><em>John Lennon</em></p>
<p align="justify">Segundo nos conta <i>Sir Arthur Conan Doyle</i>, <i>Sherlock Holmes</i> residia no número 221B, da <i>Baker Street</i>, localizada na elegante zona londrina do <i>West End</i>. O local tornou-se tão famoso que, quando, em 1930, a <em>Abbey Road Building Society</em> passou a ocupar o endereço, começou a receber inúmeras correspondência direcionadas ao detetive.</p>
<p align="justify">Todavia, dificilmente os remetentes receberam suas respostas, em razão de um pequeno problema. Como bem sabem os leitores, <i>Sherlock Holmes</i> jamais existiu, da mesma forma que o endereço só foi criado quando a <i>Baker Street </i>foi renumerada. Até então, a realidade inteira de <i>Sherlock </i>cabia dentro da cabeça de <i>Conan Doyle</i> e seus leitores.</p>
<p align="justify">E desafio a atirar a primeira pedra o leitor que nunca fez uma confusão como esta, colocando do lado de cá do espelho mundos imaginários. Acho, na verdade, cada dia mais difícil separar uma coisa de outra. Não consigo estabelecer, com certeza, se as políticas da Rainha Vermelha que mora no buraco do coelho são menos ou mais importantes do que os últimos acontecimentos de Brasília. Tenho por certa, no entanto, a minha incapacidade de influenciar em qualquer um dos dois.</p>
<p align="justify">Diferente não é quando olho para o passado. Vejo se misturarem as histórias de Ricardo Coração de Leão e Robin Hood, sem que eu possa diferenciar quando começa ou termina a lenda. Da mesma forma, o que separa a Escalibur da espada que degolou Ana Bolenha? </p>
<p align="justify">Mas há quem consiga perceber que existe a realidade e a ficção como coisas distintas. Confesso, todavia, que desconfio destes convictos São Tomés, que só enxergam o que seus olhos lhes mostram. Porque, entre um lado e outro existe um universo colorido, onde na não há diferença entre a pílula azul ou vermelha. Enfim, amo quem se enovela em suas próprias histórias e entende que, de real mesmo, o mundo só tem nossa imaginação.</p><div class="shr-publisher-840"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2011%2F10%2Frealidade-imaginada.html' data-shr_title='Realidade+imaginada'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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		<title>Chega de Saudade</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Oct 2011 13:00:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
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<p align="justify">Mas, se eu encontro o danado que inventou a palavra, pego ele! Porque o sujeito criou uma coisa sem a qual, até aquele momento, todos conseguiam viver. </p>
<p align="justify">Basta ver que os grandes cientistas, enluvados em jalecos brancos, afirma ser a saudade um sentimento muito difícil de ser encontrado na natureza em estado puro. Normalmente, vem acompanhada de uma série outras impurezas que a contaminam e tornam sua apreciação quase impossível.</p>
<p align="justify">Veja-se, por exemplo, a saudade de quem já partiu para sempre. Impossível ser um sentimento puro, pois está misturada com tristeza e dor. Tampouco a nostalgia pode ser colocada simples saudade, pois, como informa a etimologia, é oriunda da junção das palavras gregas <i>nostos</i> (regresso) e <i>algos</i> (dor). Portanto, é, no máximo, uma saudade projetada ao passado, temperada, talvez, com uma decepção com o presente.</p>
<p align="justify">Assim, segundo apurou o cronista, em entrevista com os mais doutos cientistas dos sentimentos, apenas os mais vigorosos emocionalmente estão realmente aptos a sentir saudade pura e simples. Saudade que surge não de solidão ou insegurança, mas de simples ausência, temporária ou não. Como uma comichão pelo futuro, com a qual você até se acostuma, mas nunca pára de coçar.</p>
<p align="justify">Sorte daquele que é capaz de sentir pura saudade. Azar daquele que a sente.</p><div class="shr-publisher-844"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2011%2F10%2Fchega-de-saudade.html' data-shr_title='Chega+de+Saudade'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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		<title>Insens&#237;vel ao toque</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 03:39:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
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		<description><![CDATA[” i cannot think for myself, i need to fit on the shelf and pretend to be one more gadget something expensive but disposable” Nanda Fogli &#160; Então, morreu Steve Jobs, com direito a cobertura especial nos canais de notícia a cabo, memes, primeiro lugar nos Trend Topics do Twitter. #morreujobs, todos chora. O modo [...]

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<p align="right"><em>” i cannot think for myself,      <br />i need to fit on the shelf       <br />and pretend to be one more gadget       <br />something expensive but disposable”</em></p>
<p align="right"><a rel="nofollow" target="_blank" href="http://cenicitas.wordpress.com/2011/10/06/gadgets/" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/cenicitas.wordpress.com/2011/10/06/gadgets/?referer=');"><strong>Nanda Fogli</strong></a></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">Então, morreu Steve Jobs, com direito a cobertura especial nos canais de notícia a cabo, <em>memes</em>, primeiro lugar nos <em>Trend Topics </em>do <em>Twitter</em>. #morreujobs, todos chora. O modo de hipérbole, ligado na regulagem máxima, tão habitual nos falecimentos de celebridades, atinge o ápice extremo e transforma o ex-CEO da Apple no “messias dos novos tempos” (e uso aspas sem precisar citar a fonte, tamanha a enxurrada de exageros). Mas, meus queridos leitores, sempre tão atentos ao mundo das sutilezas, já devem ter notado que, por baixo de toda badalação, <i>there’s one more thing</i>.</p>
<p align="justify">Claro, seria demasiada pretensão deste humilde escriba pretender reduzir Steve Jobs a uma função de mero passante do Século XX. Ele pensou produtos inéditos, fez multidões abrirem suas carteiras para comprar modelos mais novos de <i>gadgets</i>, arrebanhou consumidores como ovelhas às <i>iStores</i>, tornou a tecnologia acessível até para sua avó e provavelmente mais uma porção de coisas que eu desconheço. Soube, claro, cobrar mais por tudo isso. Ademais, idealizou a uma das empresas mais lucrativas do mundo.</p>
<p align="justify">Daí a dizer que Jobs levou uma revolução ao mundo com sua passagem pelo planeta, meus caros, dá-se um enorme abismo.</p>
<p align="justify">Pois, eis que, em sua maior glória, mora a maior limitação de Steve Jobs. Em um mundo fora do campo de distorção criado pelo discurso hagiológico de seus seguidores, a Apple é apenas uma empresa, talvez com método e procedimentos diferente das demais, mas, em essência, rigorosamente igual a qualquer outro negócio. Criam-se e vendem-se produtos, alguns ganham, outros perdem e a vida segue, com menos ou mais dinheiro no bolso e algum celular novo nas mãos.</p>
<p align="justify">Entretanto, nem todos os <i>iPhones</i> do mundo tocando juntos poderiam fazer uma revolução. Revoluções são feitas de quebras de estruturas sociais, reagrupamento de classes, destruição e reconstrução nas formas de circulação de renda, cristalização de novos ideais e outras tantas coisas que não cabem nas telas do maior dos <i>iPads.</i> Tivesse Jobs libertado escravos chineses e morrido pobre,sem cabeça, em uma guilhotina, aí então seria merecedor do título de revolucionário.</p>
<p align="justify">Longe dos títulos de revolucionário e visionário, Jobs alimentou mais do mesmo, ainda que com admirável habilidade. À espera do novo lançamento de um celular, seguimos vítima de das mesmas mazelas, insensíveis aos múltiplos toques nas telas (in)sensíveis. O mundo que enxerga uma revolução em Steve Jobs é um mundo cego, que caminha triste para consumir a si mesmo na fabricação de mais uma maçã metálica.</p><div class="shr-publisher-831"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2011%2F10%2Finsensvel-ao-toque.html' data-shr_title='Insens%26iacute%3Bvel+ao+toque'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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		<title>Avatar</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Sep 2011 12:26:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
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<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop --><p align="justify"><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 10px 2px 2px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="Walrus Goo Goo G&#39;Joob" border="0" alt="Walrus Goo Goo G&#39;Joob" align="left" src="http://www.estadocronico.com.br/wp-content/uploads/2011/09/walrus_747_600x450.jpg" width="244" height="172" />O <a title="leitor imaginário" href="http://www.estadocronico.com.br/2009/07/leitores-imaginarios.html">leitor imaginário</a>, internauta que é (e se não fosse, aqui não estaria), já deve, em algum momento de sua existência virtual, ter sido obrigado a criar por aí seu tal “perfil” em uma rede destas que andam na moda. E deve ainda saber, se não é dos mais novatos no assunto, que a coisa é antiga para quem anda, há mais tempo, tomando bronzeado de luz azul na frente do monitor. </p>
<p align="justify">Certo é que, antes de James Cameron inventar seus bichões azuis, esse esforço de criar um <i>avatar </i>em outra dimensão já era coisa recorrente para os internautas. Pois, mesmo com a mais avançada tecnologia astronáutica da rede, você só existirá no mundinho virtual se projetar sua personalidade para ele, preferencialmente de alguma maneira mais ou menos controlada. </p>
<p align="justify">Claro, poliram a brincadeira com o tempo. No período pré-cambriano da Internet, quando o IRC era a coisa mais moderna da galáxia, sua liberdade criativa para formar o avatar se limitava à escolha de um nome, o bom e velho <i>nickname</i>. Eu, como sou fã dos Beatles e meio maluco (olha a redundância!), auto proclamei-me <i>Walrus</i>, em referência direta à música (goo goo g’joob) e indireta à <i>Lewis Carol</i>. Bom, era só um nome. Todavia, com uma meia dúzia de linhas de bazófia, tinha-se um personagem, meio esquisito, mas pronto para usar, na chatesfera.</p>
<p align="justify">Hoje a coisa “evoluiu” bastante. Você preenche um breve cadastro na rede, que lhe pergunta apenas nome, sobrenome, estado civil, CIC, cor do olho direito, hobby, filmes preferidos, passagens prediletas do <i>Grande Sertão Veredas</i>, angulação do estrabismo ocular, circunferência do dedo anelar (direito e esquerdo, afinal o estado civil pode mudar), quantidade de tempo que equilibra um cabo de vassoura no indicador e comprimento do antebraço. Com estes pequenos questionamentos, acrescidos à possibilidade de colocar a foto do papagaio da vizinha, filme com o batizado do primo do cunhado e todas as delícias do compartilhamento digital, é de se esperar que seu lindo perfil do lado de cá corresponda mais com o que temos do lado de lá (estejam <i>cá</i> e <i>lá </i>onde você, leitor, preferir).</p>
<p align="justify">Mas isso não acontece.</p>
<p align="justify">Por mais estranho que seja, enquanto mais ricos de possibilidades, creio que nossos avatares cada dia se parecem menos conosco. Seja lá por qual mistério do misticismo eletrônico, mesmo com meu esforço em fazer um perfil do <i>Twitter </i>e do <i>Facebook, </i>honesto e sincero, que reflita minha cara, a coisa desanda. Quanto mais cera se passa, mais embaçado fica. Olho os demais perfis, comparo as pessoas conhecidas com sua personalidade eletrônica e, ao fim, concluo que não conheço mais ninguém.</p>
<p align="justify">Há duas possibilidades para o fenômeno. Em <i>Olhai os Lírios do Campo</i>, o protagonista afirmava gostar de dirigir à noite, pois, com a redução de informações, a estrada ficava mais nítida. Talvez seja isso. Só com nome e idéias em um monitor de fósforo verde, era mais fácil ser sincero. Por outro lado, creio que, hoje, universos virtuais e reais já se misturaram faz tempo. Não dá mais para separar a realidade do que há através do espelho. Assim, as pessoas na Internet são as mesmas fora dela. E eis o problema. A simulação é feita de carne e osso, bem aqui no mundo das saudações forçadas e beijinhos protocolares. Se a sinceridade é virtual, a falsidade é verdadeira.</p><div class="shr-publisher-828"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2011%2F09%2Favatar.html' data-shr_title='Avatar'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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		<title>Donald x Gast&#227;o</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Sep 2011 11:44:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
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<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop --><p align="justify"><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 10px 5px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Donald x Gastão" border="0" alt="Donald x Gastão" align="left" src="http://www.estadocronico.com.br/wp-content/uploads/2011/09/images.jpg" width="172" height="244" />Não importa o quanto os sábios sociólogos, economistas, biólogos e estatísticos consigam dividir, subdividir, categorizar e classificar os humanos, eu, imbuído de profundos estudos em antropologia de revista em quadrinhos, afirmo que só há dois tipos de pessoas. Os Pato Donalds e os Gastãos. E antes que o leitor imaginário mais reprovador balance a cabeça em desacordo, indignado com mais uma de minhas idéias estapafúrdias, aviso logo que no último parágrafo, me desdirei, sem, contudo, me contradizer. </p>
<p align="justify">O Pato Donald é velho conhecido de infância e o mais famoso dos patos, dispensando apresentações adicionais. No entanto, sua fama do lado de cá das páginas não corresponde à sorte que tem de dentro da história. Donald é azarado como poucos. Cuida de três sobrinhos travessos e atentados, vive um namoro de eterno pegar na mão com a Margarida e, mesmo sendo parente próximo do pato mais rico do mundo, vive na chutando lata. Tanto pior, aliás, pois quando se coloca a trabalhar para o tio, acaba por ser explorado até a última força, como o mais espoliado dos proletários.</p>
<p align="justify">Gastão é o contraponto exato de Donald. Dono da maior sorte do mundo, não precisa fazer nada se manter, pois simplesmente tropeça no dinheiro. Consegue as melhores barbadas sem nenhum esforço. O tipo de cara que chega naquele restaurante com fila de espera de horas e consegue a melhor mesa, por estar na hora certa, no lugar certo. É, enfim, um abençoado pelo cosmos.</p>
<p align="justify">Os dois são parentes próximos, da mesma família e, provavelmente, com condições equivalentes de vida, não fosse o absurdo azar de um e a incrível do outro.</p>
<p align="justify">Há, portanto, apenas dois tipos de pessoas no mundo. Como Donald, o sujeito está na base da cadeia que alimenta os fluxos aleatórios de fortuna. Não digo que não chegará a lugar nenhum da vida, um eterno gauche drummoniano. Mas precisará do dobro de esforço para conseguir a metade dos lucros. Já os Gastões são os peixes grandes do mundo. Mas antes que se reduza o pensamento exclusivamente ao vil metal, esclarece-se que nas menores coisas também é possível notar a diferença. Na hora de parar o carro no <i>shopping</i>, conseguir a fila mais rápida do supermercado e ser sorteado no melhor brinde na festa de final de ano da empresa.</p>
<p align="justify">Mas há algo de especial em ser um Pato Donald. Talvez os <a title="leitores imaginários" href="http://www.estadocronico.com.br/2009/07/leitores-imaginarios.html">leitores imaginários</a> menos conhecedores do universo Disney não saibam, mas o pato mais famoso tem uma identidade secreta. Veste-se de Super Pato e, na calada da noite, torna-se o grande herói mascarado Patópolis. Uma glória clandestina, como bem cabe a nós, formiguinhas do mundo, com nossas conquistas insignificantes do cotidiano. Sem pódio ou beijo de namorada. Mas talvez com um conforto inexplicável. E injustificável.</p><div class="shr-publisher-826"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2011%2F09%2Fdonald-x-gasto.html' data-shr_title='Donald+x+Gast%26atilde%3Bo'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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