Artigos com ‘Livros lidos’

22
mai

Livro – Bilhões e bilhões

   Postado por Carlos Goettenauer  em Literatura, Livros de 2010

 

2396967[1]O gerente de Milliway, o restaurante no fim da galáxia, do livro de Douglas Adams, costuma anunciar aos seus clientes:

“— É maravilhoso — continuou — ver todos vocês aqui esta noite, não é mesmo? Sim, absolutamente maravilhoso. Porque sei que tantos de vocês vêm aqui várias e várias vezes, o que eu acho realmente maravilhoso, vir aqui e assistir à finalização de tudo, e então retornar para casa, para suas próprias eras… e construir famílias, lutar por sociedades novas e melhores, combater em guerras terríveis por aquilo que sabem que é o certo… isso realmente dá esperança no futuro de toda espécie viva. A não ser, é claro — apontou para o redemoinho relampejante acima e ao redor deles — pelo fato de sabermos que isso não existe…”

É curioso que o espírito do texto acima esteja presente também na obra de Carl Sagan. A grande diferença entre os dois textos é a atitude de Sagan. O cientistas jamais deixou de lutar por “sociedades novas e melhores”. O não deixa de ser irônico que Bilhões e bilhões tenha sido escrito tão próximo ao fim da vida do autor. O livro transpassa vários temas científicos para demonstrar, ao fim, a pequenez das atividades humanas diante da grandeza dos fenômenos naturais, tanto neste planeta azul, como fora dele, na incomensurável universo que nos cerca.

Valendo-se sempre de experiências cotidianas, o autor nos leva a conclusões científicas nos mais variados campos. Incrível, por exemplo, o texto em que Sagan utiliza o aquário de camarões, que ganhou quando criança, para falar sobre o equilíbrio ecológico do planeta Terra. Suas idéias nos mostram o privilégio que é nossa vida no planeta. Temas como a cosmogonia se misturam com o aquecimento global, de maneira perfeitamente harmônica. Aliás, a qualidade do texto revela que Carl Sagan não era apenas um grande cientista, mas um ótimo escritor.

Leve, sem deixar de ser informativo, Bilhões e bilhões é um daqueles livros para quem ainda não parou de se maravilhar cada vez que contempla o céu e a imensidão do universo ou a Terra e o delicado equilíbrio da natureza. Talvez, Carl Sagan tenha escrito o verdadeiro guia do mochileiro das Galáxias.

Cinco estrelas em cinco!

(Fim da leitura em 19/05/2010)

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24
abr

Livro: A linguagem cinematográfica

   Postado por Carlos Goettenauer  em Literatura, Livros de 2010

Há algum tempo procuro um livro sobre linguagem cinematográfica que seja acessível e, ao mesmo tempo, interessante para os leigos no assunto, como eu. O livro de Marcel Martin me ganhou logo na introdução, quando afirma ser um livro dirigido para profissionais e amadores do cinema. Amadores com sentido de amantes. Ainda assim, posso afirmar que, apesar de ser o melhor livro que li sobre o assunto, ainda não é exatamente o que procuro.

Justiça seja feita, trata-se de um bom livro introdução ao estudo do tema. O autor esclarece os níveis da inguagem (representação, estético e ideológico). Destaca, ainda, de maneira sistemática, cada um dos elementos que compõe uma narrativa cinematográfica, explicando o que são planos, seqüências e cenas. Analisa as espécies de enquadramento, citando o plongée o contra-plongée. Melhor, faz tudo isto sempre levando em conta que qualquer técnica cinematográfica só será válida se possuir relevância psicológica.

Por outro lado, o esforço de sistematização do livro, preocupado em analisar cada uma das possibilidades de aplicação de todas as técnicas cinematográficas, acaba tornando a leitura da obra muito cansativa. A ponto do autor incluir, ao fim, um índice para recapitular os temas.

Outro problema, que não é culpa do autor, são os filmes citados como exemplo, todos muito antigos para quem, como eu, tem um referencial cinematográfico pós anos 60.

Por fim, considerando que a primeira edição do livro é de 1955, pareceu-me um pouco pretensiosa a afirmação do autor de que tudo que havia para ser inventado na linguagem cinematográfica já havia sido criado até os anos 40. Só de brincadeira, vale lembrar que o trecho sobre profundidade de campo tornou-se obsoleto com o lançamento de “Avatar”. Ainda assim, é um ótimo livro para se iniciar no estudo da linguagem cinematográfica. Especialmente enquanto Pablo Villaça não escreve o dele.

(A Linguagem Cinematográfica de Martin Marcel. Fim da leitura em 30/03/2010)

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6
fev

Livros lidos em 2010

   Postado por Carlos Goettenauer  em Literatura, Livros de 2010

Darkly Dreaming Dexter de Jeff Lindsay. Fim da leitura em 29/01/2010.

Já que vamos catalogar os filmes lidos, nada mais certo que fazer o mesmo com os livros. Mas, se o ano cinematográfico começou bem, conforme o post anterior, o mesmo não se pode dizer da literatura.

Resolvi ler Darkly Dreaming Dexter seduzido pelo seriado. Para quem não conhece, Dexter é um seriado sobre um serial killer “do bem”, que persegue e mata outros assassinos. Aqui no Brasil passou na FX até a segunda temporada e já está disponível em DVDs a venda. Disputa, para mim, o título de melhor seriado, concorrendo em pé de igualdade com Lost.

O livro, apesar de emprestar argumento ao programa, é, no máximo, regular. Mesmo possuindo personagens interessantes (como, o próprio Dexter), a trama até começa bem, mas se perde pelo meio e termina de maneira absolutamente frustrante. Para piorar, há a inclusão de certos “fenômenos” sobrenaturais que negam, de plano, a natureza realista de um romance policial.

O único elemento que ainda pode ser considerado um pouco interessante é a narrativa em primeira pessoa do protagonista, que, apesar de algumas ironias bobas, confirma o potencial do personagem. Impassível, Dexter se enrola sempre que se vê em uma situação emocional minimamente complexa. Certamente, foi aí que começou o interesse em fazer uma série baseada no livro.

Por ser raso e previsível, Darkly Dreaming Dexter é um livro dispensável, cuja leitura eu não recomendaria, nem para os fãs do seriado. Minha nota? Duas estrelinha em cinco.

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4
nov

Juliet Naked, o novo de Nick Hornby

   Postado por Carlos Goettenauer  em Literatura

Nick Hornby virou, para mim, um autor do estilo “satisfação garantida ou seu dinheiro de volta”. Li quatro livros do sujeito e gostei, muito, de todos. O melhor, “Long Way Down”. O pior, “How to Be Good”. E o pior ainda é melhor que a maioria.

Comecei ontem a leitura do novo livro de Nick Hornby, “Juliet, Naked”. Trata, até o momento, sobre um fã, desses de carteirinha (como eu pelos Beatles). Nas 40 páginas que li, já deu para ver que vem coisa boa por aí.

Por enquanto, em minhas anotações inciais, destaco a diferenciação entre o fã de longa data, especialista no assunto, que conhece tudo, tem tudo e já escutou tudo, e o fã adolescente, com fervor juvenil. Aliás, se eu falei diferença, talvez Hornby queira colocar semelhança. Vide a passagem na frente da casas de Juliet em que as duas gerações de fãs se encontram, para fazer a mesma bobagem.

Outra coisa interessante resume-se a um parágrafo. Trata-se da nova relação do ouvinte com a música. Na verdade, segundo o protagonista, ouvir música, na era digital, se tornou um ato de maior romance, porque a música, em si, não está contida em nada físico. É mais misteriosa.

As idéias, claro, são preliminares. Quando evoluir na leitura, faço mais anotações.

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22
out

“No Ar Rarefeito”

   Postado por Carlos Goettenauer  em Literatura

 
Meu irmão costuma dizer que, ao ler o relato da tempestade enfrentada por Gilliatt em Os Trabalhadores do Mar, podia sentir suas próprias roupas encharcadas pela água da chuva e do mar.
 
Uma sensação parecida ocorreu enquanto eu lia No ar rarefeito, de Jon Krakauer. O livro relatada a trágica expedição do jornalista, também autor de Na Natureza Selvagem, ao Everest. Enquanto Krakauer escalava as cristas geladas, eu conseguia sentir o vento gelado que percorre a montanha e congela, em minutos, qualquer parte do corpo não coberta.
 
Estranho é observar que, muito embora o livro relate uma série de tragédias ocorridas no Everest, o relato só vez aumentar minha vontade de visitar a montanha. Esta contradição é um dos motes do livro. O que leva pessoas a passarem o sem número de privações e riscos que envolve uma escalada em alta montanha, como a altamente debilitante falta de oxigênio? Uma pergunta cuja resposta está muito além da minha compreensão e envolve prescrutar profundos abismos da psique humana. Melhor deixar a tradicional resposta de Mallory, quanto perguntado porque queria escalar o Everest.
 
"Porque está lá."
 
P.S.: A edição que li é de bolso. Mais barata, mas, por outro lado, sem as fantásticas fotos da edição mais cara, que está esgotada.

Abracos,

Carlos E. Goetteanuer

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29
ago

Robson Crusoe

   Postado por Carlos Goettenauer  em Literatura

Robson Crusoe é um livro que há muito tempo eu namorava. Possuo uma certa atração pelo imagem da ilha, figura relevante nas manifestações culturais. Da “Utopia” de Thomas More ao seriado “Lost”, a a ilha possui inúmeros significados, associados sempre ao isolamento.

Foi com esse convite que me aventurei na leitura de Robson Crusoe. Mais dois motivos me motivaram. O primeiro, a edição primorosa do livro, da Colectors Library. Capa dura, bordas douradas, em uma edição de bolso caprichada. Outro motivo foi a simplicidade do texto original, em inglês. Surpreendente a facilidade da leitura, especialmente se considerarmos que a obra possui mais de dois séculos. Fica a dica para quem quer começar a se arriscar na leitura em inglês.

Logo ao início da leitura, você percebe que está diante de uma obra clássica. As primeiras páginas descrevem as lições morais ignoradas, passadas pelo pai de Robson Crusoe ao jovem filho, que teimava em se aventurar pelo mundo. A grandiosidade dos dilemas morais que estão no discurso do pai de Robson vão permear toda a obra. Aliás, pretendo escrever mais tarde sobre o assunto.

Não foram poucas as surpresas que acompanharam a leitura. Ao contrário dos conceitos pré estabelecidos sobre o livro, a história de Robson Crusoe não se limita a um naufrágio e o isolamento em uma ilha. Ao contrário, antes de naufragar em sua ilha, Robson se aventura em vários continentes e, até mesmo, estabelece um engenho de açúcar no Brasil!

Ao fim, conclui-se que Robson Crusoe é um livro como não se escreve mais. As mais de trezentas páginas (na minha edição), fosse hoje, seriam reduzidas por qualquer editor a umas duzentas. A falta de divisão em capítulos também estranha num primeiro momento, mas não chega a incomodar. Ainda assim, o livro é uma das obras clássicas cuja leitura mais apreciei até hoje. Recomendo.

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