Artigos com ‘Filmes’

6
jul

Filme: Toy-Story 3

   Postado por Carlos Goettenauer  em Cinema, Crônicas, Filmes de 2010

poster_toystory3 Atualmente há um filme em cartaz que lida com a dificuldade de algumas criaturas, fadadas a permanecerem eternamente preservadas em uma forma imutável, lidarem com o crescimento e mudança daqueles a quem amam e servem. Não fosse a imagem ao lado (e o título, claro), os leitores imaginários teriam pensando na saga Crepúsculo. Mas claro, refiro-me a Toy Story 3.

Não vou falar sobre o primor técnico do filme. O melhor crítico brasileiro de cinema já fez isso com muita competência e o pessoal do Rapaduracast nos deu de presente um maravilho episódio, que conta com a presença de Guilherme Briggs, dublador de Buzz Lightear. No entanto, tive a sorte de assistir os três filmes da série da Pixar este ano e sou tentado a concordar com quem diz ser essa a melhor trilogia do cinema. Sem dúvida, unidos, os três filmes formam uma corrente sem elos fracos.

Portanto, não posso deixar o filme passar sem registrar minhas impressões. Certa vez, escutei que uma obra clássica permite vários níveis de leitura. Toy Story 3 é, assim, um clássico imediato. Para os pequenos, o filme trás a fábula de brinquedos que tomam vida e aprontam aventuras secretas. Já a primeira seqüência do filme mostra, com acerto, a visão de uma brincadeira pelos vibrantes olhos infantis. Logo em seguida, somos lançados à melancolia, quando percebemos que aquele menino cresceu e os brinquedos, antes protagonistas de um universo particular maravilhoso, agora repousam em uma caixa e estão diante de uma iminente escolha, que os encaminhará ao esquecimento em um sótão empoeirado, à doação ou, pior dos fins, ao lixo.

Assim, para o público mais “idoso”, a fábula dos brinquedos sai de cena para a entrada de uma reflexão sobre o crescimento e envelhecimento, não apenas nosso, mas também de todos que queremos bem. Mas, ao longo da projeção, a alegoria se expande e notamos que Toy Story trata também sobre quais as relações que podemos e devemos conservar na vida e, especialmente, sobre alguns nós que, por ética ou sabedoria, devemos desatar para permitir o ressurgimento da felicidade, se não nossa, alheia.

Crescer não é simples e Toy Story retira dessa dificuldade a matéria prima para uma obra que, apesar de emocionar o patrulheiro estelar mais durão, não se rende ao sentimentalismo barato. Aliás, a película é capaz de fazer graça sobre vários ritos de passagem para a vida adulta. É divertido, por exemplo, como os brinquedos sequestram o celular Andy, como único recurso para atrair sua decrescente atenção ao velho baú onde repousam.

Mas Toy Story 3 não é grande apenas pela sua metáfora. Ganha mais relevo pelo período em que foi lançado.  Em uma época quando o drama quadrado de um amor eternamente impossível ecoa tanto na sociedade, a fábula infantil dos brinquedos dá uma lição  proustiana aos adolescentes e adultos mal-crescidos. Às vezes é necessário deixar partir aquilo que mais amamos. Nosso passado não repousa bem esquecido em um sótão. Viverá muito mais tranqüilo e feliz em nossa memória.

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7
jun

5 personagens de masculinidade duvidosa

   Postado por Carlos Goettenauer  em Crônicas, Listas infames, Nerd

Depois de colecionar os 5 fatos bizarros do universo Disney, o Estado Crônico colocou-se na gloriosa e purpurinada tarefa de escolher os personagens mais esquisitões que circulam pelos desenhos animados, quadrinhos e filmes. Eis uma bela homenagem à Parada do Orgulho Gay que aconteceu ontem em São Paulo.

São 5 caras pelos quais nós não colocamos a mão no fogo.

1. Batman, o Cavaleiro das Trevas

Batman mostrando para Robin com é que se pega em um cabo!

De todos os personagens que habitam nosso imaginário, Batman seja o que mais sofra com os boatos sobre seus hábitos íntimos. Mas, o Cavaleiros das trevas nos dá motivos.

Primeiro, Bruce Wayne é órfão de pai e mãe e foi criado pela vó por um mordomo inglês. Depois, na primeira oportunidade que teve, o herói pegou adotou um menino trapezista e vestiu-lhe um uniforme supercolorido.

Com um histórico desses, não havia como calar as más línguas.

2. He-man, o Príncipe de Etérnia

Já falamos do He-man aqui e os leitores mais antigos devem saber que eu não confio no guardião de Etérnia. Mas, sua fama também passa longe de ser boa.

He-man veste uma sunga de pelúcia, cultiva um bronzeado de causar inveja e um corte chanel impecável. Só isso já serviria para acabar com a dignidade de qualquer macho que se preze. Ah! Mas ele não se conformou e escolheu um tigre covarde como animal de estimação.

He-man exibindo seu corpinho sarado e sua sunga de pelúcia!

3. Vaidoso, o Smurf

Smurf Vaidoso, perfumando sua florzinha!

Há quem suspeite de todos os smurfs. Afinal, aquela comunidade é realmente estranha. Só tem homens e a única mulher permanece absolutamente esquecida por todos.

Mas, se for para escolher apenas um, o smurf Vaidoso é o mais suspeito. Sempre carregando uma flor na cabeça e passando perfume, ele não engana ninguém!

4. Lion, o líder dos Thundercats

Tal como os smurfs, há quem diga que todos os Thundercats são suspeitos. Eu não vou tão longe. Mas para mim não há a menor possibilidade de Lion ser um macho típico da espécie felina.

Primeiro, a roupa. Alguém me responda para que serve aquele buraco inexplicável no abdômen? Só pode ser para impressionar os colegas de academia.  E a cabeleireira ruiva fa-bu-lo-sa?

Depois, esse hábito de andar por aí com uma espada que cresce e encolhe não depõe nada a favor.

Lion, mostrando toda a masculinidade felina!

5. Edward Cullen, o vampiro purpurina da saga Crepúsculo

Edward, tomando, pegando uma cor e brilhando à luz do sol matinal.

Ok, vou ser cruxificado por boa parte de minhas leitoras imaginárias. Mas, vamos encarar, o vampiro Edward Cullen não engana ninguém.

Brilhar no sol, como purpurina é suficiente para acabar com a fama de qualquer cristão vampiro. Entretanto, Edward vai mais além e tem náuseas só de sentir o cheiro de Bella.

Não bastasse, cem anos de castidade também é um pouco dificil de engolir, não?

Vale lembrar que o Estado Crônico não tem nada contra os personagens aqui listados. Aliás, eu acho que eles deveriam todos assumir logo de uma vez a opção colorida. O importante é ser feliz!

Mas se você tem alguma informação que tire qualquer um deles dessa enrascada (ou ponha mais lenha na fogueira), sua opinião será bem vinda nos comentários.

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14
mai

Filmes: “Guerra ao terror” e “Lua nova”

   Postado por Carlos Goettenauer  em Cinema, Filmes de 2010

Guerra ao terror (EUA, 2009)

Há inúmeras maneiras de abordar uma guerra no cinema. Guerra ao terror opta por uma abordagem quase contraditória, embora não inédita. Ao mesmo tempo que tenta expor o absurdo da guerra, o filme coloca os “soldados” como heróis vitimizados. Algo que O resgate do soldado Ryan já havia feito, com mais sucesso. Os combatentes são o foco da película, que aborda exclusivamente a perspectiva americana da guerra. Aliás, um dos pontos de tensão do filme é a constante suspeita dos americanos com relação a toda população iraquiana, retratada genericamnete como potenciais terroristas.

Embora seja um filme bem executado, com algumas cenas realmente interessantes, não consigo considerar seu Oscar como um prêmio merecido. Três estrelas em cinco e sei que nado contra a corrente. Aliás, nadar contra corrente é um dos objetivos deste blog.

(Assistido em 14/03/2010)

 

Lua Nova (EUA, 2009)

Se Crepúsculo consegue ser memorável por ser um dos piores filmes que já vi, talvez Lua nova caia no esquecimento exatamente por ser mais morno. Sim, o filme é melhor que o anterior, sem conseguir, todavia, ser verdadeiramente bom. Há alguns bons momentos e, lá pelo meio da projeção, o espectador pode acreditar que o filme vai decolar. Mas tudo volta a afundar com o retorno do vampiro purpurinado à tela. Não li o livro, mas, nas telas, a história continua vazia e os personagens inexpressivos. Duas estrelinhas em cinco, porque estou legal hoje.

(Assistido em 20/03/2010)

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29
abr

Filme: Amor sem escalas

   Postado por Carlos Goettenauer  em Cinema, Filmes de 2010

“Quanto pesa sua vida? Imagine-se, por um segundo, carregando uma mochila. Eu quero que você coloque lá tudo que você tem em sua vida. Comece com as pequenas coisas. As estantes, as cômodas, as quinquilharias (…) Então, você adiciona as pessoas em quem você confia seus segredos mais íntimos. Seus irmãos e irmãos, seus filhos, seus pais e por fim seu marido, esposa, namorado ou namorada. Coloque-os na mochila, sinta o peso da mala. Não se engane, seus relacionamentos são os artigos mais pesados de sua vida.(…) Enquanto mais devagar nos movemos, mais rápidos rápido morremos.  Não se engane, viver é mover-se.”

As palavras acima não são minhas, infelizmente. Seu “autor” é o Ryan Bingham, o protagonista vivido por George Clooney em Amor sem escalas. O intrigante personagem é um executivo cuja profissão é demitir funcionários de empresas que passam por reestruturações, comuns nos últimos anos. Sua vida se resume a voar, de um canto a outro dos EUA, sem estabelecer relações pessoais. Tudo muda quando uma jovem funcionária cria um método de realizar o serviço sujo à distancia, demitindo os empregados por meio de vídeo conferência. A novidade é aceita com ressalvas pelo chefe de Ryan, que o obriga a viajar, a partir de então, com a jovem colega.

Apesar da obviedade aparente da situação acima descrita, o filme escapa da previsibilidade e desenvolve seu questionamento sobre o real valor das relações interpessoais. Todos os clichês sobre “relacionamento” estão no filme. A impessoalidade no trabalho, as relações familiares vazias, a importância (ou não) de estabelecer algum vínculo com que se ama ou, de maneira quase disfarçada, o valor da amizade. Mas os clichês não aparecem para serem revisitados. Ao contrário, surgem como clichês, descascados e esvaziados.

Não espere encontrar respostas em Amor sem escalas. O bom espectador vai sair da projeção com mais questionamentos e menos certezas. Especialmente por isso, o filme é excepcional. 5 estrelinhas em 5.

P.S.: O título em português do filme, Amor sem escalas, é quase um estelionato. Não se trata de uma comédia romântica, leve e facilmente digerível.

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24
abr

Livro: A linguagem cinematográfica

   Postado por Carlos Goettenauer  em Literatura, Livros de 2010

Há algum tempo procuro um livro sobre linguagem cinematográfica que seja acessível e, ao mesmo tempo, interessante para os leigos no assunto, como eu. O livro de Marcel Martin me ganhou logo na introdução, quando afirma ser um livro dirigido para profissionais e amadores do cinema. Amadores com sentido de amantes. Ainda assim, posso afirmar que, apesar de ser o melhor livro que li sobre o assunto, ainda não é exatamente o que procuro.

Justiça seja feita, trata-se de um bom livro introdução ao estudo do tema. O autor esclarece os níveis da inguagem (representação, estético e ideológico). Destaca, ainda, de maneira sistemática, cada um dos elementos que compõe uma narrativa cinematográfica, explicando o que são planos, seqüências e cenas. Analisa as espécies de enquadramento, citando o plongée o contra-plongée. Melhor, faz tudo isto sempre levando em conta que qualquer técnica cinematográfica só será válida se possuir relevância psicológica.

Por outro lado, o esforço de sistematização do livro, preocupado em analisar cada uma das possibilidades de aplicação de todas as técnicas cinematográficas, acaba tornando a leitura da obra muito cansativa. A ponto do autor incluir, ao fim, um índice para recapitular os temas.

Outro problema, que não é culpa do autor, são os filmes citados como exemplo, todos muito antigos para quem, como eu, tem um referencial cinematográfico pós anos 60.

Por fim, considerando que a primeira edição do livro é de 1955, pareceu-me um pouco pretensiosa a afirmação do autor de que tudo que havia para ser inventado na linguagem cinematográfica já havia sido criado até os anos 40. Só de brincadeira, vale lembrar que o trecho sobre profundidade de campo tornou-se obsoleto com o lançamento de “Avatar”. Ainda assim, é um ótimo livro para se iniciar no estudo da linguagem cinematográfica. Especialmente enquanto Pablo Villaça não escreve o dele.

(A Linguagem Cinematográfica de Martin Marcel. Fim da leitura em 30/03/2010)

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7
mar

Star Trek e o Hospedeiro

   Postado por Carlos Goettenauer  em Cinema, Filmes de 2010

Mais uma vez, preciso anotar os filmes assistidos no ano de 2010. Apesar de ser um esforço um pouco cansativo, percebo que as pequenas notas sobre cada filme só fazem bem a minha percepção. Então, vou prosseguir, ainda que sob o risco de transformar o Estado Crônico em um blog de cinema.
Star Trek - Data 21/02/2010 – Blu-ray
Antes de assistir ao filme, escutei falar bastante dele e muito bem. Não me descepcionou. O ótimo roteiro, sustentado pelas interpretações satisfatórias, foi capaz de gerar um filme interessante até para quem (como eu) não conhece nada do universo do seriado. Ainda que com um ou outro clichê, é um bom filme. Destaque para a parcitipação de Zacary Sylar Quinto. 4/5

O Hospedeiro (Gwoemul) – Data 02/03/2010 – MKV 1080p
O livro “1001 filmes para se ver antes de morrer” me atraiu para esta película coreana. Confesso que não tenho a mínima intimidade com a cultura oriental, o que acaba dificultando um pouco a compreensão adequada do filme. Mesmo assim, é possível observar um ótimo exercício de linguagem cinematográfica. Da primeira cena, ainda no laboratório, até o fim, o filme conta sua história de maneira eficiente. Destaque deve ser dado, ainda, pela coragem de não cair na solução fácil, ao fim. 4/5
E hoje é noite de Oscar! Meu palpite? Avatar para melhor filme e Kathryn Bigelow para melhor diretora.

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20
fev

Filmes de 2010

   Postado por Carlos Goettenauer  em Cinema, Filmes de 2010

Seguindo o plano, vamos registrar as opiniões sobre os filmes assistidos em 2010.

Inglorious Basterds. Data: 31/01/2010 – MVK 2080p
Prosseguindo o plano de acompanhar o Oscar tendo assistido todos os principais indicados, resolvi antecipar o lançamento de Bastardos Inglorios em bluray! Ótimo filme. Sua força principal está nos dialogos, que, mesmo longos, são cheios de sutilezas e mantém a atenção do espectador. Destaque especial para uma das cenas finais, em que a imagem de uma mulher rindo é projetada na fumaça. 5/5

Transformers. 15/02/2010 – Bluray
Não é fácil achar uma coisa boa em um filme tão ruim. Quase tudo dá errado no filme. Michael Bay, que deveria ter sua lincença de diretor caçada, faz o possível para tornar o roteiro, que já é ruim, em um espetáculo idiota. Para salvar alguma coisa, o “visual” do filme é bom. Mas é só. Não me arrisco a assistir a continuação. 2/5.

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