Não é de hoje que o Estado Crônico goza do status de blog mais desconhecido da Internet pátria. Obviamente, nestes tempos de hiper popularidade, o anonimato não agrada ninguém, de maneira que sempre me coloquei às voltas com idéias para divulgar este site. Todavia, certamente fui amaldiçoado por torcer a favor do Coiote durante toda minha vida. Assim, até aqui todos meus planos falharam e permaneço cronista que escreve a leitores imaginários. Há alguns dias, no entanto, fui atingido por uma idéia de simplicidade tão cristalina que, imediatamente, coloquei-me a duvidar de minha inteligência por não ter pensado em algo tão bom antes. Pois bem, iniciarei uma corrente por e-mail para divulgar o blog.
Para tal intento, antes de tudo, é necessário adotar um pseudônimo. Mas não um destes nomes adotados por escritores que pretendem permanecer desconhecidos da massa. Ao contrário! O objetivo é tornar-se cada dia mais famoso. Assim, deve-se utilizar, preliminarmente, o nome de um autor já consagrado. Preferencialmente, alguém que já goza de credibilidade na Internet. No caso em questão, escolhi Luis Fernando Veríssimo, vítima predileta do plágio às avessas. Como cresci lendo suas crônicas diárias no jornal “O Globo” e outros tantos livros com coletâneas de textos, não me seria difícil emular seu estilo e passar-me pelo escritor gaúcho.
A partir de então, basta escolher o tema da minha corrente. Há aí dois grandes gêneros, que podem ser divididos em subgêneros. A um lado temos as mensagens edificantes. Contar como é bom você acordar feliz pela manhã com o barulho da chuva, o cheiro da relva e a passarinhada cantando. Ou recitar que é importante lembrar se das pessoas que amamos e estão ao nosso lado, ou longe, ou no meio termo. Tanto faz. Alguma coisa que narre visitas de anjos e a importância da fé também é válida, mas entrar demais no campo da religião pode diminuir o público e a eficácia da corrente.
Outro grande gênero é o correio de protesto, do qual sou grande admirador. Entra-se no campo da reclamação perpétua. Vale ser contra o governo e os políticos ladrões, contra a programação da tevê brasileira, contra a falta de respeito no trânsito ou de educação das pessoas que não deixam velhinhos usarem os assentos preferenciais. Neste caso, deve-se ter especial atenção para a atualidade do tema. Circula, atualmente, um texto atribuído (adivinhem) ao Luiz Fernando Veríssimo, que fala mal do Big Brother Brasil 2 4 5 7 9 10 11(?!). Quanto sincronismo e percepção desse autor anônimo.
Outra característica do texto-corrente de sucesso é a certeza de opinião. Nada de entrelinhas que possam enfraquecer seu posicionamento. Deve ser adotado um texto reto, preto no branco, sem essas bobagens barrocas que tanto abundam nos livros. Quem quer mudar a vida das pessoas deve ter convicção. As sutilezas literárias são para os autores fracos e leitores incompetentes. Mas, claro, tanta certeza não pode vir acompanhada de veracidade. Assim, qualquer informaçao que sustente a argumentação presente na mensagem deve ser inverídica. Preferencialmente, usa-se histórias críveis e interessantes, sobre crianças que teriam morrido depois de beber Coca-cola na lata suja ou estilistas que não querem suas roupas usadas por latinos.
Por fim, há as maldições a quem não repassa o texto adiante. Sem dúvida, trata-se da melhor parte da corrente. O leitor deve se sentir realmente compelido a apertar o botão de “Repassar a todos”, sob pena de perder a pessoa amada, ter todo o dinheiro confiscado por um plano econômico lançado exclusivamente para lhe sacanear a vida e, ao fim, trocar de sexo acidentalmente, vítima de uma distração no preenchimento de um formulário de plano de saúde. Mortes estúpidas também são válidas e podem ser utilizadas como meio de coerção. É uma espécie de maldição compensação literária. Depois de ter iluminado tanto seu dia, tudo que o texto pede é continuar circulando por aí. Tenho a impressão, inclusive, que o Estado Crônico é tão desconhecido porque esqueci de passar a diante uma corrente em 1997.
Sucesso é mesmo algo curioso. Talvez a maior façanha de um escritor imaginário, como eu, seja conseguir a popularidade de um texto, ainda que este não leve seu nome. Ainda assim, vale lembrar que você leitor deve passar este texto para o maior número de pessoas possível. Em 1943, uma mulher, no estado do Recife, não passou esta corrente adiante e morreu engasgada com uma sombrinha enquanto fazia um complexo movimento do Frevo. Já em 2009, um paulista leu este texto no trabalho e não remeteu a seus contatos. Quando ia para casa, ficou detido em um engarrafamento na Marginal que durou 3 dias. Prestes a sucumbir de desnutrição, já quase sem forças, lembrou-se do texto e utilizou seu celular 3G para repassar a mensagem para toda sua agenda. Tão logo a operação foi concluída, o caminhão tombado foi retirado da pista e o congestionamento se desfez.
Assim, colabore você também para o sucesso do Estado Crônico e utilize os botões abaixo para divulgar este post. Senão…
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