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Conforme relatei no último post, este blog está agora aberto à colaborações dos leitores. Assim, para estreiar a categoria das crônicas imaginárias, o leitor João Paulo encaminhou sua contribuição. |
Toda balada é a mesma coisa. É triste dizer isso; mas é a pura realidade. As pessoas tentam inventar moda, para quebrar a monotonia. Mudam o nome da festa. Fazem um tributo a “nãoseiquem”. Mudam as cores das paredes do estabelecimento e falam que houve uma “reforma”. Mudam as meninas do bar. Mudam o preço na bilheteria… Mas no fim da história, a “night” é um acontecimento praticamente uniforme. Nesse texto, vamos destacar como a noite, numa danceteria dessas Brasil afora, se reparte em “setores” bem definidos; setores estes que se estabelecem ora por características psicológicas das pessoas que os compõem; ora por traços estruturais do acontecimento que se desdobra noite adentro. São alguns deles:
1) A pista
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Lá está o coração da noite. Ele pulsa, sempre, e envia a seiva da vida noturna por todos os seus afluentes, as outras áreas da danceteria. A pista é uma referência pra quem está na noite. É lá que está o “ex-da-fulana olhando pra beltrana” ; e é lá que “aquela gatinha mexe no cabelo, mas eu não sei se ta dando mole”. É a pista a protagonista que justifica toda a burocracia e infraestrutura que se constrói em volta dela. Uma dessas instituições burocráticas, é o… |
2) O Bar
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Ali é que são “chanceladas” as viagens à pista. O bar funciona como uma repartição que carimba o passaporte de quem quer “passar as férias no Caribe” – nesse caso, “Caribe” é a pista. No bar, as pessoas vão se “aclimatando”, passando pela metamorfose de quem saiu de um mundo seguro (lá fora); e entra num mundo de velocidade diferente, a “balada” (ou a “night”, para os mais velhos). Uma cervejinha aqui, uma troca de olhares ali; e o cidadão vai se adaptando ao jogo da paquera. No bar, são toleradas conversas do mundo fora da boate, coisa que não acontece na pista. Por enquanto, quem está aqui, fica parado, se “aquecendo” para a apoteose, na pista. |
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3) O Playground
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No melhor dos sentidos, há quem vá para a noite sem saber muito por quê. Esses são os “bobalhões” (num bom sentido, o mesmo de “bobo alegre”). Esses caras vão para uma boate brincar, rir, pagar mico. Também é muito válido. Não é raro você ver gente falando Darth Vader, Super Mario Bros.; teorias da conspiração; etc., no meio da noite. Essas pessoas demarcam um território chamado “Playground” na balada. Trazem alegria pra noite e disseminam uma atmosfera pacífica por lá. São muito bem vindas, com certeza. Também estão no playground os casaizinhos, que estão na balada a passeio, visto que nenhum de seus membros está a procura de um outro alguém, ali, naquele momento. |
4) O banheiro
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Essa é uma localização catalisadora dos acontecimentos da noite. É lá que o cara que tomou um fora vai fazer a sua catarse. E também que a menina vai chorar, porque seu ex está com outra. Por ali, se modificam estratégias, são dados conselhos, tomadas decisões, etc. No banheiro nascem os “planos B” das pessoas. É lá, enfim, que se colocam os pingos nos “is”. Eu arriscaria dizer que se a pista é o coração; no banheiro é que está o cérebro da noite! (Nesse ponto, a noite e o camarão têm muito em comum…) |
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5) A fila para pagar
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Balada que se preze tem fila pra pagar, no final da noite. Na fila, todo mundo já está cansado. A carruagem já virou abóbora, nesse momento. As máscaras caíram e a maquiagem das meninas já borrou. As mais cara-de-pau já tiraram o sapato. Mas a fila comporta algo a mais do que os outros setores da noite: sinceridade. Dá sempre pra pedir um telefone. Afinal, a fila é a “ponte” entre a falsidade da noite e o mundo real, que está a um portão de distância. Depois que a conta é paga, o indivíduo se transporta para uma outra dimensão: a da vida real. E aí, só restam planos para o fim de semana seguinte. |
| João Paulo mantem o blog Disco voadores e calangoos. |
Como todo bom internauta, adoro




Quase todo brasileiro tem uma solução própria para solucionar a crise de representatividade que atinge nosso cenário político. Alguns pregam o radicalismo de uma revolução, seguida do extermínio cruel de todos os deputados e senadores. Quase Terror Jacobino, versão tupiniquim. No entanto, eu tenho uma proposta muito mais moderada e viável. Meu plano é obrigar todo ocupante de cargo público a se deslocar, exclusivamente, de ônibus urbano.

Tempos perigosos aqueles. Não possuíamos quem pensasse por nós e vivíamos indefesos, à mercê de inescrupulosos fabricantes de cigarrinhos de chocolate. Sem a patrulha politicamente correta, não sabíamos como consumir, xingar com educação ou ser preconceituoso com respeito. Recentemente vi que o jovem afro-descendente da embalagem perdeu o cigarro, usa uma roupinha mais classe-média e trás entediantes lápis de colorir. O novo sabor? Não faço a mais vaga idéia, pois não comprei. O barato mesmo era fingir que fumava chocolate, algo que certamente transformou minha geração em fumantes desbragados, que vivem tossindo seus pulmões pelos cantos.
Há não muito tempo, milionário era um sujeito riquíssimo, associado a montanhas incalculáveis de dinheiro, capazes de despertar a cobiça de Tio Patinhas. Então, a revolução digital chegou e nos apresentou aos bilionários, que perfuraram poços eletrônicos de riqueza e, com espinhas na cara, já ganhavam mais dinheiro que os paxás da velha indústria. No entanto, por mais que faltem números para contar a grandeza da riqueza dos magnatas, percebo que o populacho insiste em se abraçar em seu antigo status de milzonário.






