Sonhar não custa nada(?)
Não há melhor lugar para sonhar acordado do que uma agência lotérica. Na fila, você consegue enxergar os balões de desenho animado vagando sobre a cabeça de cada um dos apostadores. Casas de praia, uma viagem ao redor do mundo, uma fazenda e a vida desregrada que todo mundo pediu a Deus. Há claro, os mais conservadores, que calculam quanto dinheiro o prêmio renderia por mês, protegido na poupança. Gente que economiza até na hora de delirar.
Os mais empreendedores, todavia, acreditam ser possível vencer a distância improvável entre o sonho e sua realização por meio de uma escolha correta de números. Eis aí o surgimento de muita angústia desnecessária. Busca-se descobrir a combinação vencedora, por um processo adivinhatório que combina intuição, datas de nascimento dos filhos e um ramo gravemente menosprezado da ciência humana, a estatística de botequim.
Há também que jogue os mesmos números por anos a fio, sob a esperança, sustentada pelo matemático Oswald de Souza, que um dia a combinação mágica acaba sorteada, nem se seja por insistência dos astros. Eu sofro deste mal. Com freqüência me flagro conferido os números de algum sorteio no qual não participei. Tenho um medo terrível de, diante de minha inércia, os deuses da aleatoriedade, inspirados por Murphy, lancem meus números exatamente no momento em que não tenha feito a fezinha. Eu não deixaria de ganhar, como acontece sempre, mas perderia.
Certamente quem disse que sonhar não custa nada nunca freqüentou uma agência lotérica. O preço para tantos sonhos? Uma pechincha. Dois reais capazes de fabricar palácios dourados a partir de seis números e a promessa falaciosa de enriquecimento instantâneo. Por alguns momentos, é possível sair desse mundinho chato e sem graça para viver em uma realidade imaginada. Infelizmente, o destino, capcioso, costuma transformar todo esse sonho em um bilhete amassado na lixeira mais próxima.
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Como tudo por aqui, a arquitetura brasileira não é fácil de ser apreendida. Um sobrevôo pelo Google Earth revela as modernas curvas da deslocada Brasília, influência quase hegemônica em cada monumento público do país. Mas, com todo respeito ao centenário Oscar, não são suas belas obras a melhor representação da nossa arquitetura. Aqui de baixo, quem anda nestas nossas ruas enxerga que o puxadinho é o expoente máximo das obras brasileiro.

SOBE!
Contrariando a máxima que, de graça, até injeção na testa, a parada de Sete de Setembro há muito é um fracasso de público 










