Artigos com ‘Crônicas para divertir’

25
fev

Puxadinho

   Postado por Carlos Goettenauer  em Crônicas

Puxadinho típico.Como tudo por aqui, a arquitetura brasileira não é fácil de ser apreendida. Um sobrevôo pelo Google Earth revela as modernas curvas da deslocada Brasília, influência quase hegemônica em cada monumento público do país. Mas, com todo respeito ao centenário Oscar, não são suas belas obras a melhor representação da nossa arquitetura. Aqui de baixo, quem anda nestas nossas ruas enxerga que o puxadinho é o expoente máximo das obras brasileiro.

O leitor mais burguês, ultrajado, vai afirmar, provavelmente em expressão cheia de eufemismos, que isso é coisa de pobre. Mas basta lembrar que o puxadinho foi chancelado governo com a criação do “anexo” do Palácio do Planalto. Assim, um passeio pelas cidades revela que as maravilhas da cultura do puxadinho atingem não só a periferia como os condomínios de luxo beira-mar. Taj Mahal, Notre-Dame, Empire State, tudo vira fixinha perto de algumas construções, que desafiam as leis, não só de ordem pública, como a da gravidade. Esta última, aliás, com tristes conseqüências na época de chuvas.

Fruto da incapacidade brasileira de realizar qualquer planejamento superior a trinta minutos, o puxadinho aparece da urgente necessidade surgida com algum acontecimento que, se não podia ser evitado, ao menos poderia ser previsto. Da gravidez da filha adolescente à expansão do trânsito de São Paulo, que criou o inédito puxadinho viário cujo sugestivo nome é Minhocão, tudo é desculpa chamar a turma do mutirão e bater uma laje no domingo. Aliás, só mesmo com essa habilidade gregária alguém consegue conviver em um puxadinho e sua exótica arquitetura, como suíte da filha com vista panorâmica do sofá da sala da casa dos pais (que flagra!) e banheiro com janela para a cozinha e duas portas.Nem o Palácio do Planalto escapou imune à onda dos puxadinhos.

Por outro lado, o puxadinho deixa claro como o brasileiro é capaz de improvisar com criatividade. Tenho um tio cuja casa sofreu tantas mutações ao longo dos anos que o visitante mais desatento poderia entrar no banheiro e se ver na varanda. Uma cozinha deu lugar a um quarto e, com algumas mudanças cujos registros perdi, terminou como uma sala. Até hoje é possível observar uma improvável torneira no meio da estante da TV.

A alma de um povo, seja lá o que isso signifique, está expressa em suas escolhas arquitetônicas. Afinal, moramos, trabalhamos e, enfim, vivemos em construções. Enquanto os arranha-céus de Nova Iorque, com suas paradoxais curvas quadradas, refletem a arrogância conservadora americana envernizada em luxuosa ousadia, a explosão de luzes multicoloridas de Tóquio nos levam a enxergar o povo japonês diferente da imagem tradicional do oriental discreto. Já o jeitinho brasileiro arquitetônico está conceituado no puxadinho e sua alegre desrespeito pelas normas. Com a Copa do Mundo de 2014 à frente, tenho certeza que vamos testemunhar várias façanhas da construção civil nos próximos anos. É só esperar.

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14
jan

Sonhar não custa nada(?)

   Postado por Carlos Goettenauer  em Crônicas

lotteryNão há melhor lugar para sonhar acordado do que uma agência lotérica. Na fila, você consegue enxergar os balões de desenho animado vagando sobre a cabeça de cada um dos apostadores. Casas de praia, uma viagem ao redor do mundo, uma fazenda e a vida desregrada que todo mundo pediu a Deus. Há claro, os mais conservadores, que calculam quanto dinheiro o prêmio renderia por mês, protegido na poupança. Gente que economiza até na hora de delirar.

Os mais empreendedores, todavia, acreditam ser possível vencer a distância improvável entre o sonho e sua realização por meio de uma escolha correta de números. Eis aí o surgimento de muita angústia desnecessária. Busca-se descobrir a combinação vencedora, por um processo adivinhatório que combina intuição, datas de nascimento dos filhos e um ramo gravemente menosprezado da ciência humana, a estatística de botequim.

Há também que jogue os mesmos números por anos a fio, sob a esperança, sustentada pelo matemático Oswald de Souza, que um dia a combinação mágica acaba sorteada, nem se seja por insistência dos astros. Eu sofro deste mal. Com freqüência me flagro conferido os números de algum sorteio no qual não participei. Tenho um medo terrível de, diante de minha inércia, os deuses da aleatoriedade, inspirados por Murphy, lancem meus números exatamente no momento em que não tenha feito a fezinha. Eu não deixaria de ganhar, como acontece sempre, mas perderia.

Certamente quem disse que sonhar não custa nada nunca freqüentou uma agência lotérica. O preço para tantos sonhos? Uma pechincha. Dois reais capazes de fabricar palácios dourados a partir de seis números e a promessa falaciosa de enriquecimento instantâneo. Por alguns momentos, é possível sair desse mundinho chato e sem graça para viver em uma realidade imaginada. Infelizmente, o destino, capcioso, costuma transformar todo esse sonho em um bilhete amassado na lixeira mais próxima.

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24
dez

A arte de presentear

   Postado por Carlos Goettenauer  em Crônicas

PresenteCertamente, minha próxima revelação será um grande choque para os leitores imaginários de espírito mais inocente. Talvez os mais puros jamais venham a se recuperar do trauma que se seguirá. Mas, é dever do Estado Crônico informar a todos sobre nossa mais recente descoberta. Papai Noel não existe.

Ao contrário do que nos conta o senso comum, todos os presente entregues no final do ano são comprados por pessoas que, pelo menos em tese, gostam de nós e dedicam uma parte de seu dinheiro e, especialmente, de seu tempo, a uma das tarefas mais difíceis. As compras de Natal.

Mas, apesar dos shoppings abarrotados ou das ruas constantemente encharcadas no mês de dezembro, não é o ato de sair de casa e enfrentar a multidão que torna qualquer compra de Natal um genuíno ato de doação. O verdadeiro desafio se encontra em escolher o presente. Vive-se, em verdade, um paradoxo quase insolúvel. O presente deve agradar ao presenteado, sob pena de tornar-se algum daqueles objetos inúteis que habitam o alto do guarda-roupa. Ao mesmo tempo, tem de guardar alguma relação com o presenteante, levar um pouco de sua personalidade, como uma mensagem ao destinatário. Isso tudo, ainda deve casar com o tamanho do bolso, a disponibilidade de peças tamanho 42 e a capacidade olfativa do comprador.

Assim, a verdade é mais surreal do que o mito de um velhinho maluco e desprendido, capaz de entregar presentes no planeta inteiro em apenas uma noite. São mesmo os humanos que, no Natal, entregam-se à tarefa quase impossível de agradar o próximo e doar-se a alguém. Ainda que apenas uma vez no ano, ainda que só com uma lembrancinha.

Aliás, espantoso mesmo é que não ocorram mais trocas no dia útil seguinte ao Natal.

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24
nov

Papo-Furado II

   Postado por Carlos Goettenauer  em Crônicas

papo furadoAlém da entediada fila de repartição pública, há outra hipótese sobre o surgimento da comunicação humana. Após um longo dia de caçada inútil, o homem retornava à caverna chamada lar. Esfalfado, roupas rasgadas e escoriações por todo o corpo, esperava um pouco de conforto da mulher das cavernas.

Ela, no entanto, também não teve o melhor dos dias. Estripou, despelou e assou a caça do dia anterior, que, obviamente, ficou dura e queimada. Além disso, o menino das cavernas passou o dia a rabiscar nas paredes desenhos de seu pai caçando animais, coisa que obrigou sua mãe a esfregar a rocha com a bucha de limpeza.

Tão logo venceu o arco da caverna, os olhares do homem e da mulher se cruzaram, ainda mudos. Mas, quando o menino das cavernas dormiu, e o casal foi para seu leito de pele de tigre-dente-de-sabre. Ela sentou-se e disparou as primeiras palavras ditas pela humanidade:

“Precisamos discutir a relação”

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12
nov

Papo Furado

   Postado por Carlos Goettenauer  em Crônicas

papo furadoConceituados estudos antropológicos certamente apontam que a comunicação humana surgiu de alguma necessidade evolucionária vital. Algo como, por exemplo, contar para o resto da galera onde estava aquele mamute distraído e montar uma caçada bacana.

Em que pese o conhecimento dos renomados cientistas, eu, que nasci há dez mil anos atrás, posso informar aos leitores imaginários que a conversa surgiu da necessidade de acabar com o tédio na fila pré-histórica de uma repartição pública. Um homem das cavernas, enquanto aguardava para retirar sua licença de caça, olhou para o outro e começou o papo.

Todavia, delimitar qual o primeiro assunto tratado na conversa que inaugurou a comunicação oral é tarefa muito mais árdua, especialmente porque eu não estava escutando na hora. Se os interlocutores possuíam filhos, certamente a conversa foi sobre crianças, assunto onipresente nas rodinhas de papo de papais e mamães. Do contrário, o assunto foi os gatos de domésticos. Durante a pré-história, os humanos acreditavam serem os gatos animais domesticáveis, crença que só foi desfeita recentemente, quando ficou provado que são os gatos que possuem os humanos como escravos de estimação.

Excluídas as duas hipóteses acima, começam a rarear as possibilidades. O cinema e a televisão ainda não existiam, o que torna qualquer papo sobre capítulo de ontem da novela ou sobre os filmes em cartaz absolutamente improvável. A música, por outro lado, já era uma constante na sociedade, mas como as canções não eram nominadas, um papo sobre os últimos hits era bem pouco interessante.

Portanto, não sobraram muitas opções de assunto para os homens das cavernas. Com sua senha de pedra lascada não mão, sem celular 3G ou mesmo jogo da cobrinha, o elo perdido da comunicação humana olhou para o lado e disparou:

“O tempo ta estranho… Será que vai chover?”

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8
nov

#MIPI – Movimento Internet Para Internautas

   Postado por Carlos Goettenauer  em Crônicas, Listas infames

Típico usuário atual da INTERNET Para quem é mais jovem pode até parecer ficção, mas houve um tempo em que a Internet era um espaço virtual agradável, propício à troca de informações úteis e ao desenvolvimento intelectual da humanidade. Pode-se dizer que foi a Era de Ouro da redemundialdecomputadores, como era conhecida pela mídia, época em que o mundo cibernético era habitado apenas por um sem número de nerds grandes mentes, denominados Internautas, capazes de domar todas as dificuldades que envolviam transferir arquivos, visitar websites e papear no mIRC, tudo em uma conexão que não superava os 2 kb/s.

Mas o tempo passo, a banda larga chegou e com ela vários usuários incultos invadiram a Internet e destruíram tudo que havia de bom no mundinho virtual. Tornaram as redes sociais inabitáveis, entupiram nossas caixas de e-mails com spam e, com seu sotaque detestável, criaram um idioma novo.

Assim, chegou a hora da reação. O Estado Crônico inicia hoje o Movimento Internet para Internautas (#MIPI), cujo objetivo é extirpar a Internet dos invasores que dominaram o espaço virtual, sem respeito aos bons costumes e hábitos dos que aqui já estavam. Uma migração predatória e perniciosa.

Nossos propostas iniciais são poucas, mas já devem ser o suficiente para melhorar em muito a convivência na Internet e mandar os invasores para o mundo real, de onde nunca deveriam ter saído.

1) Acabar com as fazendas virtuais e outros jogos afins

Miguxo te mandou uma vaca louca de presente na "Colheita Maldita"

Os joguinhos das redes sociais são uma praga que deve ser eliminada o mais rápido possível. Pesquisas demonstram que nenhum Internauta sério considera seriamente a possibilidade de cultivar um pomar no Facebook ou um curral no Orkut. Aliás, o que leva alguém a acreditar que um porco virtual pode ser considerado um presente?

Sem os joguinhos virtuais, boa parte dos usuários invasores vai perder o interesse em ligar o computador para acessar as redes virtuais, livrando-nos de seu desagradável presença.

 

2) Bloquear qualquer e-mail com arquivo de PowerPoint

Não há nada mais desagradável do que abrir seu e-mail e encontrar cinqüenta mensagens edificantes, em arquivo .ppt, demonstrando como devemos respeitar os mais velhos, valorizar as pequenas coisas da vida, ver o mundo com os olhos de criança, mergulhar na inocência dos animais, viver motivados para o dia de amanhã e mais qualquer clichê, sempre com um imagens piegas, ampliadas até os pixels estourarem, e uma musica da Enya no fundo.

A solução é encaminhar uma proposta a todos os servidores de e-mail, requerendo que, para o bem e felicidade geral, sejam criados filtros que impeçam o envio de arquivos de PowerPoint por e-mail.

Imagem típica do Power Point edificante

 

3) Tornar crime a utilização do miguxês

A Hello Kitty do mau vai mattar o miguxo.

Eu confesso que, há milhares de anos, quando o mIRC existia, os usuários abreviavam alguns termos. Mas era uma coisa polida e educada. O “você” virava “vc” e, no máximo, o “porque” passava a “pq”. O tempo passou, veio o ICQ e depois a praga do MSN e, em seguida, a invasão dos imigrantes bárbaros, que trouxeram para o mundo virtual uma maneira absurda de falar e escrever. Trata-se do miguxês.

a unica solussaum eh proibi u idioma…puninu seus usuarius kom penas gravis…komu a leitura obrigatoria d "os lusiadas"…… assim…serah impossiveu a komunicassaum dus miguxus ke…a parti d entaum…naum + utilizaram a redi virtuau komu ambienti d vida……

 

4) Desabilitar o CAPS-LOCK de todos os teclados

Afinal, para que serve o Caps-Lock? Se você quer escrever uma letra maiúscula, aperta shift e o assunto fica resolvido. No mais, só serve para você esquecer ligado e errar a senha milhares de vezes. Então, a única explicação para a manutenção do Caps-Lock nos teclados modernos é permitir a utilização pela massa iletrada e arrogante, que mantém o hábito de escrever o texto inteiro em maiúsculas, irritando todos os Internautas com seus cyber gritos. Há, ainda, a utilização do Caps-Lock pelos também irritantes usuários do neo-miguxês, um dialeto insuportável do idioma miguxês, caracterizado pela utilização alternada de MAiuscULaxXx I MiNuScuLaxXx na mesma palavra.

A única solução é, portanto, entrar em contato com todos os fabricantes de teclado e extirpar o Caps-Lock do computador. Ou, em versão mais radical, instalar um dispositivo que exploda o computador caso a tecla permaneça ativa por mais de 10 segundos

 Caps Lock é como gritar em silêncio

 

5) Fim do ORKUT

Orkut

É duro admitir isso, mas eu já fui um usuário do ORKUT, dos mais entusiastas, antes da invasão dos miguxos. Infelizmente, depois de alguns anos o ORKUT, que no início era promissor, passou a ser um território inimigo, habito pelo o populacho da Internet, com as fotos do “morzão e eu na Praia Grande”, scraps com músicas irritantes (as mesmas do PowerPoint supra citado) e os famigerados joguinhos de vacas virtuais.

Diante da grande contaminação do ORKUT, não resta solução senão sua extinção definitiva, proibindo todos os seus usuários, não apenas de freqüentar qualquer rede social, mas como também toda a Internet.

 

Estas são minhas propostas iniciais para o Movimento Internet Para Internautas. Por certo, não são as únicas. Portanto, façam suas contribuições e endossem as idéias nos comentários.

Mais do que isso, twittem o presente post para levar a hashtag #MIPI para os trending topics e ampliar a adesão ao movimento que libertará nosso espaço dos invasores.

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14
set

No elevador

   Postado por Carlos Goettenauer  em Crônicas

Elevador vazio, um bom espaço para pensar na vida. SOBE!

O elevador chegou há bastante tempo, mas, com a discrição de quem vive eternamente nas entranhas dos edifícios, mudou a paisagem de nossas cidades. Tenho um amigo que afirma ser a aspirina a melhor invenção da humanidade. Talvez, mas foi o elevador a criação que mais influenciou a sociedade moderna. Sem ele não teríamos o prazer de residir em condomínios apinhados de pessoas, oportunidade única de conviver em sociedade. Tampouco estaríamos submetidos à constante alegria de trabalhar em enormes espigões, lacrados em nossos escritórios gigantes, sem perceber a passagem do tempo fora das janelas.

Há, ainda, as maravilhas da convivência forçada dentro dos cubos metálicos. Os parcos metros quadrados de um elevador cheio guardam enorme densidade de constrangimento. Basta uma lotação para saber o fabricante e data de validade do perfume de seu vizinho do 502, com quem você não trocou mais do que três palavras, mas agora com quem agora você batalha por espaço. Talvez por isso as pessoas evitem tanto o contato visual no elevador. Mesmo quando não existe indicação de andares, os olhos escapam órfãos para os um painel imaginário e todos tentam, com o poder da mente, acelerar a viagem.

Dentro deste pequeno universo entre andares é possível, também, estabelecer um grande campo de investigação humana. Pode-se dizer muito sobre um indivíduo por meio da observação de seu comportamento no elevador. Há o sujeito prestativo, com síndrome de ascensorista, que trava a porta para os demais passageiros, aperta os números e canta os andares. Na outra ponta, existe o vaidoso egoísta, que já entra no elevador virado para o espelho e passa a viagem inteira a acertar os fios de cabelo mais rebeldes.

Por outro lado, se a intimidade compulsória é constrangedora, tem suas benesses. No elevador o morador interessado pode tomar conhecimento da vida de todas as pessoas do prédio, seja por fofoqueiras e falastrões ou pela a arguta observação dos pertences e vestuários dos demais passageiros. Se o cara do 807 trouxe flores para a esposa, indício claro de alguma desavença doméstica. Já a menina do 1301 entrou na faculdade e na fase comunista-disneilândia, com tantos livros novos e camisa do Chê.

Por fim, o elevador garante aquela troca bacana de assuntos máxima relevância, como o tempo, o último resultado do campeonato brasileiro e a pesquisa eleitoral mais recente. No entanto, nestas épocas de ânimos acirrados, a conversa pode se desenvolver para uma acalorada discussão entre Petistas e PSDBistas. Nesta hipótese, antes de ser obrigado a tomar qualquer partido, em sentido literal, aperte o próximo andar, desça e siga para as escadas, preferencialmente assoviando “Stairway to Heaven”.

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9
set

Sete de Setembro e o Bloco do Urutu

   Postado por Carlos Goettenauer  em Crônicas

urutu Contrariando a máxima que, de graça, até injeção na testa, a parada de Sete de Setembro há muito é um fracasso de público e crítica. Qualquer festa agropecuária do interior de Minas Gerais consegue um público maior que nosso momento pátrio máximo. Aliás, não é preciso muita comoção para rivalizar a audiência do desfile cívico que invade as avenidas brasileiras.

O número de pessoas que freqüenta a festa é tão pequeno que as “mais de trinta mil pessoas” em Brasília parecem uma multidão imensa comparada com a audiência do resto do Brasil. No Rio, dos seis milhões de habitantes, apenas 12 mil resolveram acompanhar o desfile in loco. É o equivalente ao um cantor anônimo, que fecha uma casa de show só para os familiares e amigos. Já na capital paulista, São Pedro, dando provas inequívocas de sua falta de patriotismo, depois de meses de secura agreste, resolveu lançar uma tempestade sob o comboio de Urutus e dispersou os poucos entusiastas.

Assim, parece evidente que já passou da hora de revigorar o Sete de Setembro e adotar uma proposta mais acessível. Para tanto, primeiro um pré-conceito precisa ser quebrado. A Independência do Brasil, e com ela o desfile, não é propriedade de nossas forças armadas. Aliás, elas nem existiam quando Dom Pedro I proclamou seu famoso grito. Portanto, deve-se devolver ao povo o direito de cuidar de suas comemorações. E, justiça seja feita, ninguém entende mais de fazer desfile que o brasileiro. Somos responsáveis para maior festa popular do mundo, com um carnaval sem comparativos em outras nações. E quem imagina que nosso sucesso se limita às alegrias carnavalescas, deve-se lembrar que também exportamos o Rock’n’Rio para vários outros países.

Portanto, para animar a festa, deve ser chamada a nata carnavalesca e sua habilidade burlesca. Mas, não pensem os leitores imaginários que minha proposta é alijar as forças armadas de seu tradicional desfile. Ao contrário, o objetivo é unificar e misturar tudo. Para começar, a famosa pirâmide humana da PE serviria de abre alas. Em seguida, os blindados seriam ornados com alegorias, projetadas por Joãozinho Trinta e Rosa Magalhães. Já os carros de combate receberiam caixas de som enormes e serviriam de palco para os melhores representantes da música popular, como Ivete, Asa, Chiclete e quem mais quiser chegar. Já o tradicional rasante de caças de combate lançaria confete e serpentina na multidão, a esse ponto já em completo êxtase.

Mas, a festa da independência, agora revigorada, atingiria seu apogeu no momento em que a artilharia sincronizasse seus canhões com o batuque do Olodum. Tchaikovsky e sua Abertura 1812 seriam fichinha perto disso. Aliás, já sinto o compositor russo verde de inveja por não ter conseguido tamanha inventividade. A cada batida no surdo, um disparo coletivo, tudo com os jatos pintando o céu de verde e amarelo. Duvido qualquer outro país consiga igualar esse sentimento patriota.

Em algum momento da história brasileira, civismo e patriotismo, dois conceitos fundamentais para a identidade da nação, reforçaram-se no consciente coletivo como domínio exclusivo do mundo fardado. Não se diga que as forças armadas não sejam, na maior parte do tempo, um exemplo de patriotismo. Todavia, amor à pátria não pode ser monopólio de alguns poucos. Ou, tanto pior, não se pode esperar o povo se submeta a uma identidade pré-formatada, muito distante da sua, para apenas então considerá-lo patriota. Sete de setembro deve ser uma festa popular em sentido estrito, “do povo”. E, se somos uma nação festeira, que não cabe quadradinha em uma marcha com desfile de Rolls Royce, que mal há nisso? Chamem o Olodum!

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13
ago

Proposta para acabar com o azar

   Postado por Carlos Goettenauer  em Crônicas

Gato branco, tomando sorteve colorido, para ninguém ter azar. Sexta-feira treze, em agosto, e meus leitores imaginários de mais juízo devem ter ficado em casa, devidamente protegidos das intempéries do destino. Afinal, hoje os astros dizem que o dia é cosmicamente desfavorável às atividades que exponham o sujeito a riscos, como atravessar a rua ou acessar blogs de conteúdo duvidoso. Eu, como tenho o corpo fechado pelos personagens místicos das novelas da Globo, não preciso me preocupar com esse problema. Mesmo assim, em um ataque de solidariedade, passo algumas dicas para conseguir mais sorte nesta tenebrosa data.

Novos tempos exigem novos hábitos e, convenhamos, gato (de qualquer cor) só dá azar para sorvetes coloridos ratos, assim como não passar por baixo de escadas não é superstição. Trata-se, no máximo, de bom senso de quem não quer ser atingido por um uma lata de tinta na testa. Portanto, para ter melhor sorte, devem-se adotar novas mandingas.

A principal alteração na vida para quem não quer sucumbir às catástrofes aleatórias é livrar-se do objeto mais agourento do mundo. O dinheiro. Basta observar a vida dos ricos para perceber que dinheiro dá um azar tremendo. Todos sempre envolvidos com atos de violência, como seqüestros e arrastões em condomínios fechados, super chiques. E a vida amorosa? Quase impossível apontar um casamento duradouro entre ricos. Normalmente os matrimônios de alta renda se desfazem mais rápido que calotas polares. Quando o dinheiro se associa à fama, a dificuldade torna-se ainda maior e até os enlaces modelo acabam em divórcios exemplares.

Ademais, dinheiro é um talismã ao contrário. Enquanto um galhinho de arruda pode trazer boa sorte e bons fluídos, uma nota de cem dólares desperta nas outras pessoas a terrível inveja. Como se sabe, um sujeito invejoso projeta péssimas energias no ambiente, sempre muito nocivas aos endinheirados. A melhor maneira para acabar com o sentimento destrutivo é, portanto, livrar-se do dinheiro, fonte da inveja alheia.

Por outro lado, pobre não tem azar. Tudo de ruim que acontece com ele já está perfeitamente previsto dentro de seu roteiro de vida. Assalto no ônibus? Ora, é mais do que provável. Doença na família com falta de atendimento no SUS? Quem mandou não pagar plano de saúde.

Portanto, antes que qualquer endinheirado se afogue em uma garrafinha de Dom Pérignon, sugiro que seja realizada uma transferência de todo seu patrimônio para alguém que tenha capacidade de lidar com este imã de azar. Só assim os ricos viverão uma existência longe de energias ruins. Deve-se, claro, ter o cuidado de escolher como destinatário das doações uma pessoa que conte com uma grande proteção espiritual e bons feitiços anti-urucubaca, exatamente como o cronista que vos escreve. Quaisquer dúvidas sobre número de conta
corrente ou demais entraves burocráticos podem ser esclarecidas no formulário de contatos ou com cartas para a redação. E boa sexta-feira treze para quem não tem grana suficiente para ter azar.

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3
ago

Os 5 personagens mais chapados do universo nerd

   Postado por Carlos Goettenauer  em Listas infames

Dando continuídade ao nosso programa de calúnias infundadas teorias conspiratórias, o Estado Crônico elaborou a lista dos personagens mais doidos, do cinema, TV e games.

Eles até tentam esconder, mas seu comportamento acaba entregando que, às escondidas, dão um tapa na pantera. Seja com uma erva ou um cogumelo, tudo termina em uma viagem bacana.

1. Gandalf, o cinzento

Gandalf, concentrado com seu cachimbo.

Muito antes de o mundo ser mundo, Gandalf já andava por aí, ostentando seu glorioso cachimbo e fazendo anéis de fumaça coloridos. A qualidade do fumo do magos de Senhor dos Anéis é tão boa que sua chegada era sempre celebrada no Condado. Juntos, mago e hobbits podiam passar horas à beira de uma fogueira, batendo aquele papo bacana, mandando um lance maneiro, sobre dragões, elfos e anões.

Aliás, Gandalf é tão chegado em uma viagem, que levou a turma em um trip louca pelas Terras Médias.

 

2. Mestre Yoda

Os fãs de Star Wars (entre eles eu) que me perdoem, mas só o uso excessivo de entorpecentes explica o comportamento de Yoda no Episódio V – O Império Contra-ataca.

Se antes da queda da República, o mestre Jidi era um referencial de ponderação, a ascensão do Império levou Yoda a uma mudança súbita de comportamento. Em seu exílio em Dagobah, Yoda aparece com outra personalidade, ligeiramente insano, normalmente envolvido em uma fumaça suspeitíssima e falando por frases ainda mais desconexas.

Sim, muito estranho o comportamento do mestre é.

Yoda, numa boa, mandando um lance com Luke.

 

3. Salsicha

Acho que alguém tá em uma bad trip

A maioria das pessoas se contenta em falar com animais. Mas só Salsicha fala  e escuta ele respondendo. Conversar com o cachorro é habilidade exclusiva de seu melhor amigo, não acompanhada nem mesmo resto da turma. Prova inconteste de que seus neurônios foram para as cucuias faz tempo. O estado alucinógenode Salsicha é tão grande, que suspeito até da veracidade dos fantasmas vistos pela dupla.

Para acrescentar, Salsicha vive com fome, em uma infindável larica e cultiva com carinho uma Kombi florida, representante típica da Era de Aquárius.

 

4. Gargamel

Imagine-se sentando em uma relva, cercado de cogumelos. De repente, ao fundo, você escuta Lucy In The Sky With Diamond uma musiquinha. “Lá, lá, lalá, lalá, lalalalá…”

Depois disso, duas dezenas de humanoides azuis, vestindo apenas um short e um capuz, aparecem surgidos do meio do mato.

Pois bem, os Smurfs não apenas são uma alucinação de Gargamel. Eles são o resultado de uma viagem forte de chá de cogumelo. Os mesmos cogumelos ondem moram, diga-se de passagem.

E o gato Cruel? Só catnip explica…

Explica para ele que os caras azuis são só nóia. 

 

5. Super Mário

Com esses olhos enormes...

Depois de Gargamel, a onda de alucinógenos invadiu os games. E Mario foi o primeiro a adotar.

O herói da Nintendo vive em um mundo onde tartarugas voam e flores cospem fogo. Claro, que todos esses elementos são afeitos do excesso de cogumelos ingeridos pelo encanador.

Aliás, esse ótimo quadrinho explica a verdadeira história de Mário.

Claro, a lista acima merece alguma inclusões. Snarf, por exemplo, era um ótimo canditato, mas acho que vou deixar os Thundercats em paz, por algum tempo.

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