Impressionante como o mundo pós-moderno é descartável rápido. Há um mês, a exibição do último capítulo de Lost envolveu uma mobilização incrivel na Internet. Hoje, a maiorrevoluçãodatelevisão já foi engolfada pela Copa do Mundo. Mas o Estado Crônico trabalha contra o olvido do que é bom e relembra a data repetindo a reflexão feita à época.
O texto abaixo é o e-mail encaminhado por um grande amigo meu, João Alberto, e escrito, creio eu, ainda no calor da experiência que foi assistir o fim de Lost. Rebeci a mensagem, mas guardei na cápsula anti-spoilers até assistir o episódio. Assim, o texto foi a primeira coisa que li sobre o tão aguardado desfecho da série.
Eu gostei do final do Lost, adorei. Para falar a verdade, não esperava tanto.
Lost terminou da maneira que sempre foi, contando a história de pessoas, seus conflitos, suas escolhas, seus erros, seus acertos. Terminou sem resolver todos os mistérios. Ok, terminou mesmo. Mas tinha que resolvê-los todos? A vida não é assim mesmo? Dúvidas que por várias vezes ficam sem resposta? Conflitos não resolvidos? Até nisso o final foi fantástico. Ao negar a solução para tudo, acertou em cheio na necessidade humana de respostas e a frustração de não obtê-las sempre ou das mesmas são serem o esperado. “Cada resposta só levará a outra pergunta”. Não vejo sentido em explicar quem jogava comida na ilha ou o que aconteceu com Walt. As coisas acontecem na nossa vida, as pessoas passam por ela, existir é assim. Não era possível responder a tudo. E nem mesmo era desejável. A verdade é que as pessoas fizeram de Lost algo muito mais misterioso do que realmente era (não que não fosse muito), criando centenas de teorias em função de qualquer detalhe e depois exigindo respostas. Como disse Jacob para Kate no penúltimo epsódio, "(Kate) é só um nome riscado numa parede. O trabalho é seu se você quiser".
Não achei o final piegas, longe disso. O final do Lost foi Jack, após ver o avião da Ajira (não, não era o Oceanic 815 ou outro avião) partir, morrendo. E este final não foi feliz. Foi "felizes para sempre", por exemplo, Kate e James saírem da ilha, um sem a pessoa a quem tinha acabado de dizer que amava e o outro para um mundo em que não tinha qualquer propósito? Aonde está o final feliz dos candidatos? Se eles foram felizes, os que não morreram, o foram depois de terem deixado a ilha, mas isso fica para a imaginação de cada um.
Ao trazê-los à igreja (na acepção genérica do termo) da Dharma de novo (vista na 5 temporada), todos juntos, para que se lembrassem, perdoassem (como Locke perdoou Ben) e esquecessem (no sentido de irem adiante), não encontrei nenhuma referência à chegada ao Paraíso ou de que eles estivessem no Purgatório. Eles ainda estavam por descobrir para onde iriam, se é que iam para algum lugar depois daquele encontro e se é que iriam todos para o mesmo lugar. Se aquela “realidade paralela” (quem afinal de contas não era realidade – “você não tem um filho Jack”) fosse mesmo o purgatório, o que Hugo, o personagem mais inocente e mais doce de todos estava fazendo ali? O que ele tinha para purgar? Enfim, “ali” é só um lugar, sem nome, sem tempo (”não há agora aqui”), onde eles se encontraram porque suas vidas foram tão conectadas umas às outras que precisavam uns dos outros para irem em frente. O que é ir em frente também fica para a imaginação e, creio que talvez tenha sido o motivo do vitral de múltiplas referências religiosas, para o seu credo (se você tiver um).
Li muitas outras coisas depois, mas o resumo de minhas idéias está aí.
Passado um mês, a única coisa que me espanta é o número de pessoas insatisfeitas com o final do seriado. Diria até que a reação do público merece uma análise a parte.
Atualmente há um filme em cartaz que lida com a dificuldade de algumas criaturas, fadadas a permanecerem eternamente preservadas em uma forma imutável, lidarem com o crescimento e mudança daqueles a quem amam e servem. Não fosse a imagem ao lado (e o título, claro), os 







