Artigos com ‘Copa do mundo’

1
jul

Brasil x Holanda – Contém spoilers

   Postado por Carlos Goettenauer  em Crônicas, Crônicas da Copa

Em uma copa, há sempre para o Brasil aquele que é O jogo. Depois dele, tudo o que segue é mera burocracia, puro jogo de futebol. Por duas copas seguidas, o jogo foi Brasil e Holanda. Pelas características dos dois times e por se enfrentarem nas fases decisivas do conflito, as duas seleções fizeram a final antecipada do mundial.

Inesquecível o terceiro gol do Brasil em 1994. Maradona fez gol de mão? Pois bem, Romário fez um raríssimo gol de bunda. E melhor, sem encostar na bola, perfeitamente válido. Já, em 1998, Brasil e Holanda tinha tudo para virar um joguinho chato, mas graças a um empate, terminou em um disputa de pênaltis que levou muitos a perderem as unhas e mostrou ao Brasil a imagem de Zagallo gritando motivação a seus atletas.

O vídeo, aos 2m30s, mostra com clareza o raríssimo gol de bunda.

Amanhã podemos viver, novamente, uma grande partida. Mas, há um problema. O time de Dunga é a Seleção Vagalume, brilha para, logo em seguida, se apagar. Se estiver em seu dia ofuscado, o Brasil entra em campo apático e só será páreo para o adversário se também a Holanda estiver em um dia ruim.

Mas, vamos torcer para ver, amanhã, O jogo, com boas atuações dos dois lado e, claro, vitória do Brasil. Vencer a partida de amanhã, com brilho, será um divisor de águas para o time. Cumpriremos tabela para ganhar o mundial em um joguinho previsível com a Alemanha. Não vamos tomar conhecimento do Uruguai, como nem lembramos da Turquia na semifinal de 2002.

Perder? Essa hipótese não existe aqui na redação do Estado Crônico. Mas uma vitória morna apenas prolongará a agonia.

P.S.: O jogo de 2002 foi contra a Inglaterra. Em 2006, O jogo não aconteceu, porque o Brasil não disputou aquele mundial, mandando o Tabajara FC em seu lugar. Já em 1998, após de ter vencido a partida contra a Holanda, o Brasil perdeu a final por WO, em uma história até hoje não muito bem explicada. Fomos campeões morais (como se isso existisse).

P.P.S.: Alguém falou de Argentina na final? Como diria Padre Quevedo, isso no equiziste, é imaginação, delírio e coisa de cabeça psicótica.

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17
jun

Torcer. Mais que um direito, um dever!

   Postado por Carlos Goettenauer  em Crônicas, Crônicas da Copa

Bandeira do Brasil

Levadas pela empolgação da Copa, muita gente revela seu verdadeiro caráter nessa época. Aquele sujeito habitualmente sério e educado, durante as partidas do Brasil, pode se tornar um tocador de Vuvuzalas da melhor qualidade, capaz de gritar os piores impropérios a cada lance do time adversário. Mas nada me surpreende mais do que descobrir, em pele de cordeiro, um traidor brasileiro que torce contra nossa seleção.

Tanto pior quando o vivente torce para outro país. O mais trágico de tudo é ver que, por trás da falta de patriotismo, há sempre uma desculpa mal arrumada, do tamanho de guarda-chuvas pequeno em dia de tempestade.

Vez ou outra, escuto de algum traidor da pátria a alegação que essa seleção do fulano não é a minha seleção(preencha fulano com o técnico da vez). Divergências com escalação, com o esquema tático, com a postura do técnico dentro ou fora de campo, tudo serve de explicação para esquecer o escrete canarinho e optar pelo apoio à Espanha (favorita da atualidade), ao Uruguai ou, acreditem ou não, à Argentina (crime apenado com 2 a 3 anos de detenção, seguida de decapitação). Quase sempre as divergências ideológicas com o técnico escamoteiam, sob o manto de suposto conhecimento tecnico-futibolístico, a vergonha de exibir orgulho pela pelo Brasil, como se fosse mais digno torcer por um país diferente.

Há um caso mais grave. Surge como um complexo de inferioridade, polido com cera de arrogância. O sujeito abraça seu sobrenome, levanta as mãos para seus ancestrais e passa a torcer pelos seus antepassados. Itália, Espanha, Alemanha e qualquer outro país europeu vira o favorito de alguns torcedores brasileiros com nomes importados, que esquecem sua verdadeira nacionalidade. Muito estranho, porque não vejo ninguém arrotar ser decendente de escravo, pegar seu traje tradicional africano e encarar uma torcida a favor da Uganda.

Os vira-casacas, em alguns casos, costumam trazer em seu discurso argumentos que ultrapassam o futebol. Alega-se que o Brasil não é um país sério, está cheio de pilantragem e aquele papo de sempre. No fundo querem falar só “o Brasil é um país miserável e eu não torço pra pobre!”, no estilo imortalizado Justo Veríssimo. Eventualmente, há ainda os que criticam o fato do brasileiro se tornar tão patriota na Copa do Mundo, como se isso fosse grande falha de caráter. Ora, a falta de patriotismo alheio não justifica a própria.

Assim, para todos que tentam escapar de seu dever nacionalista de torcer pelo Brasil, segue um recado desagradável. Nacionalidade é como doença congênita ou cor da pele. Você pode fazer o que for e continuará sendo brasileiro, até o fim. Ainda que se esconda nas geleiras do norte, o verde amarelo continuará estampado em quem você é. Torcer pelo Brasil, portanto, não é questão de opção. É dever! Então, jovem, você que tem sangue nas veias, vista sua camisa canarinho e deixe de frescura no próximo jogo do Brasil!

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14
jun

Dunga, a esfinge

   Postado por Carlos Goettenauer  em Crônicas, Crônicas da Copa

Crônicas sobre a Copa do Mundo, no Estado Crônico!Dunga, no melhor estilo “decifra-me ou devoro-te”. 

 

Há quase três anos, tive a oportunidade de acompanhar, no Morumbi, o jogo entre Brasil e Uruguai pelas eliminatórias da Copa de 2010. Apesar da vitória e da campanha campeã na Copa América de 2007, o estádio, ao fim do segundo tempo, gritava “Fora Dunga” em uníssono. Desde então, tenho tentado desvendar porque o técnico com o histórico de conquistas tão sólido, jamais ganhou a simpatia do torcedor.

Como técnico, Dunga ainda amarga poucas derrotas (que assim permaneça). Mas como jogador, ele perdeu uma Copa, ganhou uma Copa e perdeu outra. E como todo mundo que perde, Dunga detesta ter que se explicar.

Sem uma voz legítima, Dunga passou a ser interpretado pelos grandes “especialistas” do futebol. Na ausência de discurso oficial, restou à imprensa traduzir o técnico à massa. Assim, Dunga passou a ser julgado pela versão da “mídia especializada”, notoriamente antipática ao técnico. O público, como sempre, apenas repetiu o que foi ensinado.

Mas, a que veio Dunga? Não sabemos ainda. Mas é certo que o grande projeto de Dunga entra em sua fase final em algumas horas. A partir de então vamos saber o que esconde essa que parece ser, até agora, a face mais séria da seleção brasileira.

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10
jun

Que venha a Copa do Mundo

   Postado por Carlos Goettenauer  em Crônicas, Crônicas da Copa

Epidemia. Eis a única palavra para explicar. Começa de maneira sutil, em meados de abril, com uma bandeirinha aqui e outro rótulo pintado de verde e amarelo acolá. Todavia, a mania de nacionalizar tudo se espalha de maneira viral. Meio de maio e parece que o Brasil inteiro se embrulhou em celofane verde-amarelo, ganhou cornetas e bandeiras. Passado quase um mês, há o ápice da expectativa. Correspondentes internacionais devidamente enviados e afiados, bolões a pleno vapor, vinhetas massacrantes na TV, vamos todos à Copa do Mundo.

Todavia, quem leu sobre meu desprezo pelo futebol, vai receber a seguinte notícia com alguma surpresa. Eu adoro Copa do Mundo. A contradição é mínima e apenas aparente.

Pode até parecer, mas Copa do Mundo não guarda quase nenhuma relação com futebol. Por mera coincidência, a Copa do Mundo é disputada com regras semelhantes ao futebol. Mas não se trata do mesmo fenômeno. Futebol é um esporte chato, limitado a uns poucos admiradores entendidos (talvez mais que uns poucos, mas não vou entrar no mérito), que sabem, por exemplo, qual foi o campeão brasileiro de 1981. Copa do Mundo, ao contrário é fenômeno de massa e não existe em nichos. Qualquer vivente sabe que o Brasil é pentacampeão. Oxalá Hexa em breve.

Tanto assim, aliás, que alguns jogadores de futebol excepcionais não conseguem se destacar na Copa. Pois não são times de futebol que entram em campo na Copa do Mundo. Trata-se do último suspiro do nacionalismo arraigado. Fanatismo, ufanismo desmedido, tudo ganha alvará de soltura, de quatro em quatro anos, para uma catarse nos campos. Que se dane a política internacional, os blocos regionais, o MERCOSUL, a União Européia e o espírito global. “Somos guerreiros”, os jogadores afirmam em uma recente propaganda. Dentro das quatro linhas, a batalha visceral está liberada, desde que com fairplay.

Não é por acaso que o nacionalismo é visto com maus olhos atualmente. O ufanismo alimentou o fascismo e serviu de combustível para duas guerras mundiais no último século. Entretanto, o sentimento gerado pela Copa do Mundo é diferente. Por onde é exibido, o torneio provoca uma enorme festa. Carreatas nas ruas, festa sob o Arco do Triunfo (má lembrança) e coro absurdo de vuvuzelas de ex-cativos do apartheid. Vez ou outra aparece um chato para dizer que há violência aqui ou ali. Mas, sem dúvida, são casos isolados, muito diferentes, diga-se, da saída de um Palmeiras e Corintians.

Impossível, portanto, ser antipático a um movimento que mostra, ao fim, a grande capacidade da reunião popular. Especialmente para nós, brasileiros, que nem aprendemos a ser patriotas e já precisamos desaprender, para nos tornar globalizados. Afinal, quem consegue acordo no condomínio para decorar a fachada ou arrecadar dinheiro na vizinhança para pintar a rua pode, muito bem, entender dessa maneira, a importância de pensar e agir juntos.

Post-scriptum, com um convite:

Apesar de todo o dito acima, sei que é maçante o movimento midiático da Copa do Mundo. No entanto, é impossível ser imune.

Assim, conclamo meus prezados leitores, imaginários ou não, a opinar.

Alguém tem interesse na manutenção das crônicas da Copa ou o Estado Crônico deve se manter, doravante, silente sobre a questão? Apenas vocês podem decidir, aí nos comentários!

Agradeço previamente a participação.

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14
abr

Para quem não gosta de futebol

   Postado por Carlos Goettenauer  em Crônicas, Crônicas da Copa, Nerd

Como toda pessoa normal, eu não gosto de futebol. Sei que o esporte atrai a atenção de milhões de pessoas quase diariamente, mas atração só pode se explicar por alguma espécie de psicose coletiva. Algum complexo freudiano mal resolvido, que implica na paixão inexplicável por um time.

Aliás, meu principal problema com o futebol sempre foi escolher um time. O que faz de um sujeito palmeirense, são paulino, botafoguense ou flamenguista? Provavelmente a pergunta autoriza várias respostas. Todas que escutei, até hoje, foram explicações meramente personalíssimas, do estilo, porque meu pai torceu para esse time ou, o contrário absoluto, porque meu pai torceu para o outro time (olha o Freud aí!). Nada mais racional que, efetivamente, justificasse a atração por esta ou aquela equipe.

Ótimo, assim eu posso escolher o time que vou torcer de maneira quase aleatória, sem justificativas, certo? Não, porque uma vez que o sujeito é torcedor de uma equipe, veste um estereótipo, como se vestisse a camisa do clube. Não existe mais o Carlos, autor do Estado Crônico, mas o Carlos, cruzeirense. E o melhor é que a definição do que vem a ser “cruzeirense” escapa da sua alçada. É dada por uma massa disforme e anônima.

Em suma, cuidado ao se identificar com um time de futebol. Você será identificado por ser seu torcedor!

Entendo, claro, porque o futebol é tão popular. Trata-se de um processo dialógico, no qual o sujeito procura sua individualidade buscando, contraditoriamente, participar de um grupo. Por outro lado, não consigo entender como tantas pessoas caem nessa roubada e se empolgam por um mecanismo que, claramente, só faz explorar a paixão do torcedor. Afinal, para que tantos jogos e campeonatos se são sempre os mesmos times a disputá-los?

No fim, tudo vira óleo para azeitar as engrenagens do mercado. Mas, vamos esquecer deste assunto porque é ano de Copa do Mundo!

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