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	<title>Estado Crônico</title>
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		<title>Misticismo consumista</title>
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		<pubDate>Fri, 18 May 2012 03:06:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O mundo é mesmo um lugar meio incoerente. Ventos de responsabilidade, cumulada com consciência ecológica e culpa católica, transformaram a palavra consumismo em xingamento, a ser atribuído aos mais fúteis representantes da espécie humana. Estranhamente, os mesmos dedos em riste são os que retiram notas de carteiras recheadas na hora de gastar com algum outro [...]

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<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop --><p align="justify"><a href="http://www.estadocronico.com.br/wp-content/uploads/2012/05/cip_black-friday-tips.png"><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 10px 0px 5px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="cip_black-friday-tips" border="0" alt="cip_black-friday-tips" align="left" src="http://www.estadocronico.com.br/wp-content/uploads/2012/05/cip_black-friday-tips_thumb.png" width="235" height="244" /></a>O mundo é mesmo um lugar meio incoerente. Ventos de responsabilidade, cumulada com consciência ecológica e culpa católica, transformaram a palavra consumismo em xingamento, a ser atribuído aos mais fúteis representantes da espécie humana. Estranhamente, os mesmos dedos em riste são os que retiram notas de carteiras recheadas na hora de gastar com algum outro produto eleito no último momento como fundamental para sociedade e escrevem sobre a importância de criar uma sociedade desenvolvida, produtiva e descolada.</p>
<p align="justify">Na brincadeira de pode-não-pode, vai muito argumento e pose para diferenciar o que é consumo desenfreado e o que é <em>gadget</em> importante para manter seu espírito atualizado com a última tendência de design da <em>timeline</em>. Mas, palavrório à parte, noves-fora-zero, sobra muito pouco de necessidade nas prateleiras das lojas. Quase tudo que colocamos para dentro da vida e para fora da carteira é coisa de urgência inventada. Ainda que sejam sólidas as camadas de ilusão sobre a importância de manter-se informado, culto, esperto, conectado, saudável, experiente e experimentado, no fundo, um pouco de sabão sobre a maquiagem comprada na <em>Sephora</em>, bem na <em>Times Square</em>, mostra a quase nenhuma vital necessidade do consumo.</p>
<p align="justify">Mas não escolho palavras em vão e se digo vital consumo, falo mesmo da mera sobrevivência. Pois, “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão balé”. E, para citar Titãs duas vezes no mesmo parágrafo (feito até hoje não alcançado por nenhum cronista), “riquezas são diferenças, miséria é miséria em qualquer canto”. Nos diferenciamos e nos unimos, em estranho processo de individualização coletiva, pelo que produzimos, fabricamos, escutamos, lemos, escrevemos e sonhamos nas paredes das cavernas. Nos enriquecemos consumindo.</p>
<p align="justify">Depois de ser mero gasto de verdinhas na carteira, consumo é absorção de mundo. Pelos olhos, ouvidos, boca, mãos e nariz. E o moço de camiseta velha do Mário e all-star preto esfarrapado é tão consumista quanto a dondoca de bolsa Prada. Talvez mais pobre e com um senso estético diferente. Mas não menos cheio ou vazio. Pessoas planas são planas e ponto. Consumo, com a devida dosagem que não leve a ruína financeira ou a ostentação antiética, só faz bem.</p>
<p align="justify">
<p align="justify">P.S.: Em que pese as observações acima, não vele destruir o planeta inteiro no processo de nos tornamos melhores. Isso é feio. E como todo mundo sabe, para feiúra não tem jeito. Nem na <em>Sephora</em>&#8230;</p><div class="shr-publisher-918"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2012%2F05%2Fmisticismo-consumista.html' data-shr_title='Misticismo+consumista'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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		<title>Elogio ao otimismo</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Apr 2012 18:48:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em uma olhada nos debate dos filósofos de botequim, conclui-se que falta um bom advogado ao otimismo. Pois, enquanto o pessimismo flana nas cabeças mais esclarecidas como um porto seguro, o otimismo raramente goza de boa defesa. Nas poucas vezes que alguém se aventura a falar sobre as vantagens de colocar um olhar mais cheio [...]

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<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop --><p align="justify">Em uma olhada nos debate dos filósofos de botequim, conclui-se que falta um bom advogado ao otimismo.</p>
<p align="justify">Pois, enquanto o pessimismo flana nas cabeças mais esclarecidas como um porto seguro, o otimismo raramente goza de boa defesa. Nas poucas vezes que alguém se aventura a falar sobre as vantagens de colocar um olhar mais cheio de boa vontade para a vida, vem logo com um papo metafísico complicado e, no fim, a proposta de cobrar dez por cento dos seus eventuais ganhos. </p>
<p align="justify">Comigo não era diferente. Mas, então, deparei-me com dois livros, sobre assuntos distintos, mas com a mesma anedota. Tanto o Andar do Bêbado, quanto You are not so smart, contam sobre uma experiência a que foram submetidos os enólogos mais sabidões dos botecos finos. Todos eles deveriam que se manifestar sobre dois vinhos, um reconhecidamente bom, outro reconhecidamente ruim. O leitor já imagina a cena. Vários narizes enfiados em copos, descrevendo o quando amadeirado é o tanino da cachaça de uva. O que os sujeitos não sabiam é que os rótulos estavam trocados. Assim, o vinho ruim vinha em garrafa boa e o bom em garrafa ruim, tal como se vê por aí, a torto e a direito, entre os seres humanos. </p>
<p align="justify">E, não será nenhuma surpresa quando eu contar que todos os enólogos erraram seus pareceres. Mas não se trata de mera bravata. Mais tarde comprovou-se que os elogios ao melhor vinho eram sinceros. Os experts não foram conscientemente enganados pelo rótulos. Eles efetivamente sentiram mais prazer ao tomar um vinho, exclusivamente porque o sua etiqueta era de uma boa safra. </p>
<p align="justify">Então, estava eu em um jardim de Rosmarinus officinalis, quando refleti sobre a alegoria acima. Não seria o otimismo ou pessimismo meros rótulos colocamos em uma garrafa ainda a ser bebida? Assim, ao esperar que aquela viagem para New York será fantástica, o turista prega tão forte uma etiqueta na situação que as mais adversas situações não seriam suficientes para tirar o sorriso de encantamento ao vislumbrar a Manhattan Skyline.</p>
<p align="justify">Portanto, deixemos um pouco a conveniente casmurrice de lado e vamos lá fora dá uma olhada no tempo, que deve melhorar.</p><div class="shr-publisher-914"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2012%2F04%2Felogioaootimismo.html' data-shr_title='Elogio+ao+otimismo%0D%0A'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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		<title>Elogio ao pessimismo</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Apr 2012 16:24:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há muito se vê por aí aquela historinha do copo com água pela metade, com dois bobos muito pretensiosos ao lado, dizendo se ele está meio cheio ou meio vazio, conforme as perspectivas otimistas ou pessimistas de cada um. História a qual nunca dei muito crédito, uma vez que, seja lá como for a idéia [...]

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<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop --><p align="justify"><img style="background-image: none; margin: 0px 10px 5px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; padding-top: 0px; border-width: 0px;" title="Urubulino, o mestre do pessimismo." src="http://www.estadocronico.com.br/wp-content/uploads/2012/04/urubulino.jpg" alt="Urubulino, o mestre do pessimismo." width="244" height="155" align="left" border="0" />Há muito se vê por aí aquela historinha do copo com água pela metade, com dois bobos muito pretensiosos ao lado, dizendo se ele está meio cheio ou meio vazio, conforme as perspectivas otimistas ou pessimistas de cada um. História a qual nunca dei muito crédito, uma vez que, seja lá como for a idéia de cada um, um copo com água é para ser bebido, não para ponderações filosóficas.</p>
<p align="justify">No entanto, sempre me considerei um pessimista. E, mais ainda, considero o pessimismo de possuidor de uma lógica muito tentadora. Ora, ter por inevitáveis futuras pequenas grandes catástrofes é uma forma de fazer um seguro emocional contra a frustração. Portanto, muito sábio mesmo ser um pessimista e só ter boas surpresas na vida. Tudo de ruim torna-se um mero “eu já sabia”.</p>
<p align="justify">Mas, por rigor acadêmico, deve-se diferenciar o pessimista do prevenido.</p>
<p align="justify">O indivíduo se prepara para viajar e coloca quatro estepes no porta-malas, como precaução de enfrentamento com crateras lunares asfálticas. Eis o prevenido.</p>
<p align="justify">O pessimista é pessoa muito mais sábia. Ele nem viaja porque já espera, além do pneu furado, a quebra na barra de suspensão. E o engarrafamento. E a chuva na praia. E trinta e cinco multas por excesso de velocidade, mesmo no engarrafamento. E, esperando na volta, a casa arrombada, quase vazia (as multas aguardam no chão da sala).</p>
<p align="justify">No entanto, antes de passar o <a title="leitor imaginário" href="http://www.estadocronico.com.br/2009/07/leitores-imaginarios.html">leitor imaginário</a> a iniciar um manifesto otimista, parênteses devem ser abertos para destacar que as pessoas cheias de cristais energéticos, ervas de bom olhado e amuletos de pelos de lhama, quando falam sobre a força do “pensamento positivo” tornam ainda mais convidativa a vontade de ser um pessimista rabugento.</p>
<p align="justify">Então, não se diga que pessimismo ou otimismo são apenas a formas de olhar um copo d’água. Pessimismo é o patuá de quem não acredita em amuletos. No fim, a expectativa é a mãe de toda decepção. Mas, nada impede que, se por completo acaso os bons ventos soprem, o pessimista se coloca de orelhas em pé de tanta alegria e abraça a vida como nenhum entediado otimista faria.</p><div class="shr-publisher-909"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2012%2F04%2Felogio-ao-pessimismo.html' data-shr_title='Elogio+ao+pessimismo'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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		<title>Eu sou burro</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Apr 2012 23:42:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[
<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop --><p align="justify"><img style="background-image: none; margin: 0px 10px 5px 5px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; padding-top: 0px; border: 0px;" title="" src="http://www.estadocronico.com.br/wp-content/uploads/2012/04/burro-shrek1.jpg" alt="Burro" width="151" height="244" align="left" border="0" />Não que o <a title="leitor imaginário" href="http://www.estadocronico.com.br/2009/07/leitores-imaginarios.html">leitor imaginário</a>, conhecedor dos textos deste escriba, espere algo lá muito diferente disso. Mas a verdade é que eu sou burro. Mais do que isso. Sou uma besta calçada na mais lustrosa ignorância. Ao menos, é assim que deveria me sentir à cada uma dessas interações sociais as quais estamos sujeitos pelas simples necessidades associadas à existência.<br />
Pois, leio o que há aí para ler e, na medida do possível, busco um ou outro texto mais abalizado sobre qualquer assunto cuja importância apareça aos meus olhos. Da mesma maneira, embora não julgue questão das mais importantes, assisto vez o outra o noticiário para me fingir de informado sobre os assuntos da atualidade. E ainda assim, com todos esses meus esforços para não me figurar no o azedo <em>crème de la crème</em> da ignorância, basta uns dois dedos de prosa com qualquer passante eletrônico para perceber quão desmedida é minha ignorância. Vou lá travar um breve debate de idéias sobre seja qual for o assunto e meu interlocutor, modernérrimo, daqueles que acompanha qualquer atualização de status do Facebook e twitada dos famosos logo se assoberba de razão, baseado nas mais profundas pesquisas feitas na <em>timeline</em>.<br />
Nem se diga que é conflito de gerações, visto que o escriba, temporariamente, se filia às mais modernas neste ramo. Coisa nova mesmo, 2.0 com atualização e tudo o mais. Mas deve ser alguma mania mineira de só confiar quando tem certeza. Erro meu, evidentemente, pois, se alguém é capaz de fazer uma imagem com uns bons escritos da Clarice Linspector (sic) e colocar no seu mural do <em>Facebook</em>, trata-se claro de sujeito culto, apto a falar com propriedade sobre os mais diversos assuntos, desde construção de usina hidroelétrica no Xingu, à situação política da Síria, passando, claro, sobre a final do BBB. Já eu, com o hábito de querer esmiuçar tudo, não chego nunca ao parecer definitivo sobre o tema e sou superado pela ultima atualização do Twitter.<br />
Enfim, burrice crônica (com trocadilho, por gentileza do leitor). Mania egocêntrica de querer ter opinião formada, matutada e regurgitada nas dobrinhas de minha própria massa cinzenta. Muito melhor terceirizar logo esse negócio de pensar para alguma rede social e já receber as idéias todas prontinhas, sem essa aporrinhação de precisar justificar tudo que afirma.</p><div class="shr-publisher-898"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2012%2F04%2Feu-sou-burro.html' data-shr_title='Eu+sou+burro'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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		<title>Sobre (ter) oito patas</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Mar 2012 03:00:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quem passa pela teia de Natália enxerga um universo perigoso. Apoiada rígida sob suas oito pernas, a traiçoeira predadora acompanha, imóvel, as quatro imagens de cada uma das potencias vítimas que se aproximam de seu covil. Quase invisível, o insidioso trançado de fios aguarda o passante descuidado, para lhe envolver em mortal tricô. Assustadas, mulheres [...]

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<p align="justify">Apoiada rígida sob suas oito pernas, a traiçoeira predadora acompanha, imóvel, as quatro imagens de cada uma das potencias vítimas que se aproximam de seu covil. Quase invisível, o insidioso trançado de fios aguarda o passante descuidado, para lhe envolver em mortal tricô.</p>
<p align="justify">Assustadas, mulheres viram o rosto ao primeiro vislumbre da teia, para evitar a imagem do monstro odioso que lá habita. Crianças, curiosas, mantém a distância segura de três passos e apreciam fascinadas as cores do ventre aracnídeo. As mais corajosas reúnem forças para catar uma folhinha no chão e lançá-la contra a simétrica rede, pelo prazer pueril de testar sua rigidez.</p>
<p align="justify">Quem olha Natália em sua teia enxerga uma vida que não existe, completa de artimanhas perigosas, traições e dissimulações. Uma criatura ardilosa e sinistra.</p>
<p align="justify">Natália não enxerga nada disso.</p>
<p align="justify">Acorda cedo a pobre aranha. Acompanha preocupada o ritmo dos que vão e vem ao redor de sua teia, constantemente preocupada com a possibilidade de alguém lhe desfazer o trançado, cuja confecção tanto custou. Encolhe-se a cada aproximação das sempre perigosas criaturas humanas. Ao fim do dia, entediada, retira as folhas inúteis jogadas na teia pelas crianças corajosas. Faminta, recolhe os poucos bichinhos de sua rede. Pescadora de mosquitos, alimenta-se daqueles poucos não assassinados pelo perfume purificador dos inseticidas.</p><div class="shr-publisher-893"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2012%2F03%2Fsobre-ter-oito-patas.html' data-shr_title='Sobre+%28ter%29+oito+patas'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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		<title>[Monte Roraima] Parte-II O Caminho</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Mar 2012 17:33:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Monte Roraima]]></category>
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<p align="justify">Há quem diga que o caminho para o Monte Roraima começa em uma escala atrasada em Manaus. Nesse momento você pode conhecer outros expedicionários, angustiados pela possibilidade real de perder o início da expedição.</p>
<p align="justify">Mais provável, todavia, é considerar o início do caminho uma sala de reuniões em um hotel de Boa Vista. Lá um sujeito explica que já foi ao Monte Roraima setenta-e-tantas vezes e ainda não acabou de ir. Até hoje move-se em direção à Montanha na tentativa de encerrar a visita. Até então, você não se preocupava sobre o caminho. Mas lhe contam uma história sobre um sujeito de 150 quilos que, apesar do peso e do sedentarismo, atingiu o topo do Monte com louros e sem lesões fatais no joelho. A lenda motivacional tem efeito inverso e, a partir de então, você passa a questionar sua própria capacidade de alcançar o objetivo da expedição.</p>
<p align="justify">Também é possível que o caminho para o Monte Roraima comece no 100, um ponto perdido na rodovia entre o Brasil e a Venezuela, quando um sol vermelho acorda seu dia ao sabor inigualável de duas fatias de bolo de beira de estrada.</p>
<p align="justify">Há, por fim, os mais ortodoxos, que dizem começar o caminho para o Monte Roraima no primeiro passo dado na trilha que leva de Paratepuy ao Rio Ték, quando os advogados, químicos, jornalistas, analistas de sistema, tornam-se todos apenas caminhantes.</p>
<p align="justify">Em verdade, o caminho comece talvez bem antes, em uma matéria de revista de bordo, um programa da TV ou, de maneira enviesada, ao assistir <a rel="nofollow" target="_blank" href="http://www.imdb.com/title/tt1049413/" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.imdb.com/title/tt1049413/?referer=');">ao filme sobre um adorável velho maluco, que pendura sua casa em balões</a>.</p>
<p align="justify">Independente de tudo isso, você terá certeza de que está no caminho quando olhar ao seu redor e só enxergar ineditismo. A cada planta, anfíbio, queda d’água, flor, pássaro, folha, musgo, turista, pernilongo, índio, pedra, raio de sol, rio de banho, uma sensação de estréia. E apesar da novidade integral que lhe vem, você estará no caminho para o Monte Roraima quando, mesmo diante de tanto estranhamento, tudo parecer incrivelmente familiar. Como se você só estivesse esperando o momento emergir.</p><div class="shr-publisher-887"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2012%2F03%2Fmonte-roraima-parte-ii-o-caminho.html' data-shr_title='%5BMonte+Roraima%5D+Parte-II+O+Caminho'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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		<title>Dividir para entender</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Mar 2012 10:57:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
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<p align="justify">Afirmo, por exemplo, que o mundo está dividido entre as pessoas que, quando trocam de roupa vestem a calça primeiro que a camisa e entre as pessoas que vestem a camisa primeiro que a calça.</p>
<p align="justify">Corte aparentemente absurdo e certamente aleatório. Mas no breve momento, quando o sujeito encontra-se desnudo e tem que optar pela peça prioritária do guarda-roupas, cabe toda uma construção de filosofias e advocacias de estilos de vida. De um lado, os <i>calceiros</i>, a turminha que prefere a calça à camisa. Defendem uma bandeira de normalidade, com um papo moralista sobre o efeito nefasto de andar por aí sem calças. Do outro, os camiseiros, advogando uma cultura de rebeldia. “Que calças que nada! O Rei está nu, eu também e vamos todos andar pelados por aí! Pelados não, de camisa, de preferência com estampas anárquicas.”</p>
<p align="justify">Empolgado com a profundidade da análise psicológica do critério anterior, já consigo separar o mundo em outras duas categorias. Os motoristas que, no <i>shopping</i>, estacionam de ré e os motoristas que estacionam de frente. Os primeiros são pessoas hábeis e precavidas. Andam em veículos com <em>airbag</em>, guardam dinheiro para o futuro, não compram a prazo e ainda têm plano complementar de aposentadoria. Já os outros, creio que a maior parte da humanidade, deixam o trabalho mais árduo para depois e procrastinam todas as tarefas desagradáveis que a vida gentilmente nos oferece. Estudam na véspera, à espera de alguma tempestade capaz de defenestrar as provas pela janela do apartamento do professor. Aliás, são eles também que, na hora das refeições, comem logo as batatas fritas e passam o almoço encarando feio a pobre folha de alface e o tímido tomate.</p>
<p align="justify">E, já que tocamos no intricado assunto dos alimentos, há no ramo alguns grandes cortes cuja total amplitude de significados ainda não consigo absorver. Veja-se a divisão entre aqueles que comem mais arroz contra os que comem mais feijão. Seriam os primeiros adeptos de um sabor monótono, mas com inquestionável segurança digestiva, opositores das estripulias dos amantes do feijão, com sua saborosa riqueza e evidentes riscos ao equilíbrio intestinal? O <a title="leitor imaginário" href="http://www.estadocronico.com.br/2009/07/leitores-imaginarios.html">leitor imaginário</a> mais arguto poderá responder em suas cartinhas à redação.</p>
<p align="justify">Alguém&#160; pode-se opor contra minhas divisões e interpretações da humanidade. Pois eu lhes digo que são demasiado úteis. Atalhos, para facilitar a compreensão deste planeta tão grande e diverso. E, além do mais, não consigo ver como muito melhores os critérios de divisão do mundo que há por aí, firmados em cor, sexo, saldo bancário, circunferência abdominal, local de nascimento e a mesma história velha de sempre. </p><div class="shr-publisher-884"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2012%2F03%2Fdividir-para-entender.html' data-shr_title='Dividir+para+entender'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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		<link>http://www.estadocronico.com.br/2012/02/monte-roraima-parte-1os-motivos.html</link>
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		<pubDate>Wed, 29 Feb 2012 23:06:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Monte Roraima]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas de Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[Textos de Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; &#160; O leitor imaginário mais fanático já conhece o anteriormente citado Goerge Mallory. Pioneiro nas expedições ao Everest, o montanhista foi interrogado repetidamente sobre as razões que lhe motivavam a uma empreitada tão perigosa como escalar a maior montanha do mundo. Da simplicidade que só os lunáticos tem, ele respondeu: “Porque ele está lá” [...]

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<p align="justify"><a href="http://www.estadocronico.com.br/wp-content/uploads/2012/02/IMG_1229.jpg"><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px auto; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="Monte Roraima" border="0" alt="Monte Roraima" src="http://www.estadocronico.com.br/wp-content/uploads/2012/02/IMG_1229_thumb.jpg" width="516" height="194" /></a></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">O <a title="leitor imaginário" href="http://www.estadocronico.com.br/2009/07/leitores-imaginarios.html">leitor imaginário</a> mais fanático já conhece <a href="http://www.estadocronico.com.br/2009/10/no-ar-rarefeito.html">o anteriormente citado</a> Goerge Mallory. Pioneiro nas expedições ao Everest, o montanhista foi interrogado repetidamente sobre as razões que lhe motivavam a uma empreitada tão perigosa como escalar a maior montanha do mundo. Da simplicidade que só os lunáticos tem, ele respondeu:</p>
<p align="justify">“Porque ele está lá”</p>
<p align="justify">Com as devidas modificações, tendo em vista que este escriba não escalou o teto do mundo, mas limitou-se a um passeio ali no Monte Roraima, escutei pergunta semelhante. Por que se dispor a passar oito dias longe da civilização, caminhando por trilhas extenuantes, com uma mochila bem mais pesada que o desejado nas costas, sob chuva e sol e tendo, como oportunidade de descanso, uma noite de sono sobre o fino saco de dormir, inclinado no chão rochoso de uma caverna?</p>
<p align="justify">Antecipadamente, posso negar várias respostas apressadas que muitos desavisados esperam ouvir. Não, não é pela aventura. Não gosto de me aventurar e, se gostasse, bastaria atravessar a Avenida Paulista de olhos fechados para viver altos índices de adrenalina. Enfiar-se em uma trilha não é uma aventura. É só uma viagem, sem os confortos de um micro-ônibus azul e amarelo. Em verdade, sem muitos outros confortos. Dormir em barracas, tomar banho gelado e vestir roupas molhadas no frio das quatro da manhã não é a parte divertida da viagem e não faz ninguém vibrar de alegria. Se bem que há gente amalucada que goste de banho gelado e propague seus benefícios aos sete ventos. Aliás, ventos fortíssimos, com neblina, chuvisco e uma toalha do tamanho de um babador infantil para se secar. Mas, mesmo estes, preferem uma cama quentinha e um lençol de um bilhão de fios no fim do dia.</p>
<p align="justify">Tampouco esperem que é para me encontrar comigo mesmo. Vivo comigo o tempo todo. Sou até bem íntimo de mim mesmo. Sei perfeitamente onde meu verdadeiro eu está e não é no alto do Monte Roraima, salvo hipótese de eu ter subido até lá, o que tornaria o esforço inútil. Na verdade, convivo tanto comigo que até embarcaria numa viagem para dar um tempo de mim. Afinal, sou chato pacas. Mas, como um motoqueiro irritado com o barulho do próprio veículo, para meu azar, sempre estou aonde vou.</p>
<p align="justify">Então, o leitor imaginário rabugentos já franziu as sobrancelhas, apontou o dedo na cara do cronista e disse: “Vai porque é maluco, quer aparecer, é bicho grilo e/ou não tem nada melhor para fazer.”</p>
<p align="justify">Pois então, também não é essa a resposta.</p>
<p align="justify">Vai-se ao Monte Roraima, ou a qualquer outra expedição, com dois objetivos. Celebrar e agradecer. Como uma religião, que pode ser dividida por ateus e crente, dedicada a apreciar a riqueza da experiência proporcionada pelo cosmos. Celebrar a imensidão de causas, conseqüências, atos, acasos, coincidências e destinos que levam a existência tão fabulosamente interessante, gigantesco e mínimo como o Monte Roraima. E agradecer o simples fato de estarmos aqui, nesse mesmo cantinho do universo e podermos caminhar até lá.</p>
<p align="justify">Enfim, subi o Monte Roraima, como diria Mallory*, “porque ele está lá”.</p>
<p align="justify">E eu aqui.</p>
<p>&#160;</p>
<p>&#160;</p>
<p align="justify"><em>*Por uma daquelas ironias do mundo, não é possível dizer de Mallory e seu companheiro de escalada, Andrew Irvine, foram os primeiros a chegar ao topo do Everest. Os dois foram vistos próximos ao cume e desapareceram. Indícios apontam para a conclusão positiva. Entre eles, o fato de, 75 anos depois, quando o corpo do alpinista foi encontrado, entre seus bem preservados pertences, não se encontrava a fotografia da esposa, que Mallory carregava com o objetivo de deixar no alto da montanha. </em><em>A fotografia, não a esposa, para que restem bem claras as boas intenções do alpinista&#8230;</em></p><div class="shr-publisher-882"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2012%2F02%2Fmonte-roraima-parte-1os-motivos.html' data-shr_title='%5BMonte+Roraima%5D+Parte+1%26ndash%3BOs+motivos'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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		<title>There and back again</title>
		<link>http://www.estadocronico.com.br/2012/02/there-and-back-again.html</link>
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		<pubDate>Fri, 24 Feb 2012 16:54:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog para ele mesmo]]></category>

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		<description><![CDATA[Não foi sem algum pesar que este escriba fechou a porta da redação do Estado Crônico, há quase um mês, com o conhecimento que, pela primeira vez desde a inauguração, deixaria o espaço sem texto por muito tempo. Vi, de relance, a cabecinha de múltiplos leitores imaginários, com enormes olhos de Gato-de-Botas, quase aos prantos [...]

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<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop --><p align="justify">Não foi sem algum pesar que este escriba fechou a porta da redação do Estado Crônico, há quase um mês, com o conhecimento que, pela primeira vez desde a inauguração, deixaria o espaço sem texto por muito tempo. Vi, de relance, a cabecinha de múltiplos <a title="leitores imaginários" href="http://www.estadocronico.com.br/2009/07/leitores-imaginarios.html">leitores imaginários</a>, com enormes olhos de Gato-de-Botas, quase aos prantos pela orfandade temporária.</p>
<p align="justify">Mas, prezados, foi necessário.</p>
<p align="justify">Não parei de escrever no último mês como algum místico misterioso de programa vespertino com necessidade de “dar um tempo para mim”. Seria uma imensa bobagem, pois escrevo aqui, na maior parte do tempo, para vocês leitores. Todavia, escrevo o tempo todo para mim. Em última análise, sou eu meu primeiro e principal leitor. E, acreditem, o mais interessado de todos.</p>
<p align="justify">Poderia, claro, inventar uma série de motivos para a ausência. Viajei para algum lugar inóspito. Mudei de cidade. Luxei o dedo médio da mão esquerda em uma técnica de voo ainda a ser regulamentada pela ANAC. No entanto, aos poucos os leitores mais atentos às pequenas pistas das entrelinhas perceberão os verdadeiros motivos. Aos mais desatentos também haverá alguns sinais mais evidentes. Provavelmente errados.</p>
<p align="justify">Portanto, independentemente de qualquer explicação, retornei à redação do Estado Crônico. Ao chegar, temia que uma grande avalanche de cartinhas à redação, com queixas sobre a ausência do cronista, emperrasse a porta. Não foi assim. Mas sei que vocês estavam aí, do outro lado da tela, esperando algum texto. Ou talvez não.</p><div class="shr-publisher-876"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2012%2F02%2Fthere-and-back-again.html' data-shr_title='There+and+back+again'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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		<title>Lente Macro</title>
		<link>http://www.estadocronico.com.br/2012/01/lente-macro.html</link>
		<comments>http://www.estadocronico.com.br/2012/01/lente-macro.html#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 20:01:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Goettenauer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas curtas]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas divertidas]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas engraçadas]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas para divertir]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas pequenas]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas urbanas]]></category>
		<category><![CDATA[Textos de reflexão]]></category>
		<category><![CDATA[Textos pequenos]]></category>

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		<description><![CDATA[O corpo foi encontrado poucos minutos passados da meia noite. Uma barata, não identificada, em meio ao gramado da quadra. A primeira formiga que por ali chegou não soube apurar a causa mortis, mesmo após verificar em detalhes o corpo e observar a existência de um ferimento corto-contuso no ventre da vítima. Apesar da prudência [...]

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<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop --><p align="justify">O corpo foi encontrado poucos minutos passados da meia noite. Uma barata, não identificada, em meio ao gramado da quadra. A primeira formiga que por ali chegou não soube apurar a <em>causa mortis</em>, mesmo após verificar em detalhes o corpo e observar a existência de um ferimento corto-contuso no ventre da vítima.</p>
<p align="justify">Apesar da prudência e dos cuidados investigativos naturalmente exigidos pela gravidade do caso, a formiga não se interessou por aguardar a polícia técnica e, com vistas a evitar o formigueiro concorrente, chamou suas amigas para iniciarem juntas o trabalho de remoção.
</p>
<p align="justify">Em minutos, um silencioso cortejo fúnebre cruzava o gramado. Equilibrado no alto de cuidadosas operárias, o corpo era levado ao sepulcro final na entrada do formigueiro. Mas, anunciada com breves gotas, uma chuva torrencial lavou o caminho longo e tortuoso da coveiras do jardim. E onde antes era apenas grama, surgiram rios caudalosos e fendas abismais. O complexo trabalho de engenharia necessário para vencer os obstáculos passou a ser observado ao longe por um interessado roedor, cuja gula só foi afastada em virtude do gato errante, morador perene da região e chefe da quadra.</p>
<p align="justify">No entanto, o primeiro raio de sol despertou um bem-te-vi de seu recluso galho no primeiro andar da mangueira. Os olhos treinados avistaram a trilha de formigas carpideiras. E, antes que elas chegassem à proteção de seus escuros túneis, com uma revoada, dois passinhos e uma bicada, o corpo-troféu, voou carregado pelos ares, esvaziando todo os esforço da madrugada empenhado pelo forte corpo operário do formigueiro.
</p>
<p align="justify">Durante o dia, as empregas, as estudantes uniformizadas, as estudantes não uniformizadas, os engravatados das autarquias, o zelador, os maconheiros vespertinos, a equipe de cortadores de grama, o pessoal da capoeira, o entregador de móveis atrasados, ninguém percebeu o movimento insignificante do gramado, todos afogados em seus pensamentos de grandeza, muito maiores que o universo inteiro.</p><div class="shr-publisher-873"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='standard' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fwww.estadocronico.com.br%2F2012%2F01%2Flente-macro.html' data-shr_title='Lente+Macro'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom -->


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