
O gerente de Milliway, o restaurante no fim da galáxia, do livro de Douglas Adams, costuma anunciar aos seus clientes:
“— É maravilhoso — continuou — ver todos vocês aqui esta noite, não é mesmo? Sim, absolutamente maravilhoso. Porque sei que tantos de vocês vêm aqui várias e várias vezes, o que eu acho realmente maravilhoso, vir aqui e assistir à finalização de tudo, e então retornar para casa, para suas próprias eras… e construir famílias, lutar por sociedades novas e melhores, combater em guerras terríveis por aquilo que sabem que é o certo… isso realmente dá esperança no futuro de toda espécie viva. A não ser, é claro — apontou para o redemoinho relampejante acima e ao redor deles — pelo fato de sabermos que isso não existe…”
É curioso que o espírito do texto acima esteja presente também na obra de Carl Sagan. A grande diferença entre os dois textos é a atitude de Sagan. O cientistas jamais deixou de lutar por “sociedades novas e melhores”. O não deixa de ser irônico que Bilhões e bilhões tenha sido escrito tão próximo ao fim da vida do autor. O livro transpassa vários temas científicos para demonstrar, ao fim, a pequenez das atividades humanas diante da grandeza dos fenômenos naturais, tanto neste planeta azul, como fora dele, na incomensurável universo que nos cerca.
Valendo-se sempre de experiências cotidianas, o autor nos leva a conclusões científicas nos mais variados campos. Incrível, por exemplo, o texto em que Sagan utiliza o aquário de camarões, que ganhou quando criança, para falar sobre o equilíbrio ecológico do planeta Terra. Suas idéias nos mostram o privilégio que é nossa vida no planeta. Temas como a cosmogonia se misturam com o aquecimento global, de maneira perfeitamente harmônica. Aliás, a qualidade do texto revela que Carl Sagan não era apenas um grande cientista, mas um ótimo escritor.
Leve, sem deixar de ser informativo, Bilhões e bilhões é um daqueles livros para quem ainda não parou de se maravilhar cada vez que contempla o céu e a imensidão do universo ou a Terra e o delicado equilíbrio da natureza. Talvez, Carl Sagan tenha escrito o verdadeiro guia do mochileiro das Galáxias.
Cinco estrelas em cinco!
(Fim da leitura em 19/05/2010)

Darkly Dreaming Dexter de Jeff Lindsay. Fim da leitura em 29/01/2010.
Já que vamos catalogar os filmes lidos, nada mais certo que fazer o mesmo com os livros. Mas, se o ano cinematográfico começou bem, conforme o post anterior, o mesmo não se pode dizer da literatura.
Resolvi ler Darkly Dreaming Dexter seduzido pelo seriado. Para quem não conhece, Dexter é um seriado sobre um serial killer “do bem”, que persegue e mata outros assassinos. Aqui no Brasil passou na FX até a segunda temporada e já está disponível em DVDs a venda. Disputa, para mim, o título de melhor seriado, concorrendo em pé de igualdade com Lost.
O livro, apesar de emprestar argumento ao programa, é, no máximo, regular. Mesmo possuindo personagens interessantes (como, o próprio Dexter), a trama até começa bem, mas se perde pelo meio e termina de maneira absolutamente frustrante. Para piorar, há a inclusão de certos “fenômenos” sobrenaturais que negam, de plano, a natureza realista de um romance policial.
O único elemento que ainda pode ser considerado um pouco interessante é a narrativa em primeira pessoa do protagonista, que, apesar de algumas ironias bobas, confirma o potencial do personagem. Impassível, Dexter se enrola sempre que se vê em uma situação emocional minimamente complexa. Certamente, foi aí que começou o interesse em fazer uma série baseada no livro.
Por ser raso e previsível, Darkly Dreaming Dexter é um livro dispensável, cuja leitura eu não recomendaria, nem para os fãs do seriado. Minha nota? Duas estrelinha em cinco.