Arquivo de ‘Literatura’ Category

27
mai

Diga-me o que tens na estante

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 27 de maio de 2011, Tags: , , , , ,

Começou com o jornal britânico, The Guardian, que publicou foto das estantes de livros de seus leitores. Na verdade, tenho uma suspeita que eles roubaram a ideia de um bate papo meu com o @entretantos. Inspirado pelo jornal, o Zeca Camargo lançou a mesma proposta em seu blog pessoal. E eu, que há muito, gostaria de ter ilustrado a ode aos livros que ainda não li com a foto de minha estante, resolvi embarcar.

Minha estante de livros (Clique para ver maior)

Por aqui em casa os livros tem o mau hábito de se espalharem por todos os cantos disponíveis. Escorrem para gavetas, cantos de armário e prateleiras suspensas, altamente perigosas para gatos travessos.

Mas há, sim, uma grande estante, altar de adoração de muitos itens especiais. Incrível como ao ver os livros repousados lá, percebo o quanto minha biografia e minha bibliografia vivem em simbiose.

Minha estante conta segredos estranhos. Houve um tempo em que acreditei em coisas que hoje me soam como piada. Gostei de romances policiais, gênero hoje quase ignorado por mim. Enfim, não foi sempre que busquei encontrar o sentido da vida nas páginas de algum livro.

Todavia, como alguém que tem péssimo hábito de comprar mais livros que é capaz de ler, o mais estranho é ver a estante como um projeto de minha vida ainda a ser concretizado. Como se tudo que eu fosse viver, aprender, experimentar e conhecer já estivesse previsto ali, já comprado, nas prateleiras da estantes. Entretanto, uma vez que o espaço para livros na casa é tão limitado como a vida, tento encaixar novas paixões entre um volume e outro.

Pois, perceber a dificuldade crescente de encontrar frestas para livros inéditos, na falta de expressão mais visceral, me apavora.

11
fev

Ler para quê?

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 11 de fevereiro de 2011, Tags: , , , ,

lendoHá um preconceito velado que anda por aí, disfarçado de boa vontade intelectual. É a discriminação que sofre quem não gosta de ler. A pessoa afirma, que, abre aspas, não gosta de ler, fecha aspas e, imediatamente, surge na cabeça de todos a imagem de uma mente árida, cujo vazio faria inveja a qualquer tomada de um western de John Ford. Como se fosse o sujeito portador de alguma deficiência congênita que o tornasse um pouco cego, um pouco surdo, um pouco obtuso, tudo ao mesmo tempo. Mas, antes que se diga sobre o meu apoio a tal preconceito, farei um anúncio que talvez ofenda os mais pudicos intelectuais de plantão. Ler livros e mergulhar na literatura, ao contrário do que eu gostaria, não serve para rigorosamente nada.

Basta uma breve análise ao seu redor que minha constatação será ratificada. Seja qual for a medida do ser humano, ela não melhora com a leitura. Pense, por exemplo, na pessoa mais “bem sucedida” que você conhece, com toda a amplitude que o termo pode dar. Certamente, não se trata de algum intelectual. Leitura não dá dinheiro, não trás bons empregos ou promoções no trabalho, não elege candidatos à presidência da república ou a síndico do condomínio. Enfim, ler não trás nenhuma vantagem na conhecida corrida dos ratos.

Talvez então, a leitura possa trazer felicidade. Mais uma vez, refaça o exercício, e pense na pessoa mais feliz que você conhece. Ela, por acaso, está enfrascada em leituras? Certamente não. Muito antes ao contrário, a leitura em excesso derrete os miolos e faz a pessoa perder o juízo, nosso querido Quixote que o diga. Não é raro o relato de intelectuais que colocaram fim na vida motivados por alguma leitura equivocada. Com melhor sorte, o leitor habitual só se torna um sujeito mais chato, crítico, enfadonho, enfim, um xarope. Não sei e a felicidade mora na ignorância, como no interessante Como me tornei estúpido, mas certamente, são vizinhas.

Dito isso, sei que a leitura transforma o ser humano. Só não é para a melhor. Para facilitar vou deixar em branco o fato de ler não tornar o sujeito mais atrativo fisicamente, não prolongar a vida, nem a capacidade respiratória. Enfim, um hábito desagradável, que só faz consumir tempo, dinheiro, produtividade e deixa a pessoa meio aérea.

Sei que minhas afirmações devem deixar confuso o leitor imaginário, que me vê sempre a caminhar com um livro cobrindo o rosto, hábito este que ainda poderá custa-me uma queda nos trilhos do metrô com nefastas conseqüências. Já deve se indagar, revoltado, “por que diabos então você gosta de ler?”.

Ora, quem disse que eu gosto? Na verdade, não gosto nem um tantinho assim de ler. Simplesmente leio porque não consigo não ler, um estado que para mim seria tão atípico como não pensar bobagem (sim, eu escrevo penso muita bobagem). Não é uma questão de gosto ou deleite. Trata-se de alguma obsessão patológica, que começou na infância, com revistinhas em quadrinhos. Com o tempo se desenvolveu, em livros cada dia maiores e mais herméticos e hoje é isto aqui que tu tens. Caminho em direção à uma livraria porque o impulso é maior naquela direção. Para tantas outras pessoas, sem qualquer juízo de valor, por favor, o impulso é na direção da loja de roupas ou do restaurante. Fosse proibida a literatura e eu seria um dos primeiros traficantes. “Já viu esse Saramago aqui? Dizem que não tem um ponto final sequer. Literatura de primeira. Um leitura e você já fica doidão.” Nisso trocaria com outro viciado, escamoteado por um pesado sobretudo, um Levantado do Chão por Guerra e Paz. Tenho a nítida sensação que, se por algum malfadado insucesso do destino for cortada meu suprimento de literatura, entrarei em síndrome de abstinência. Escreverei nas paredes do meu cativeiro para poder ler depois o texto. Será baixa literatura, mas é melhor do que nada.

Então, antes de qualquer discriminação contra aqueles que não têm o hábito da leitura, talvez seja melhor repensar nossa atitude diante do nossas obsessões. Digo nosso por presumir o vício do leitor, que carrega em si também hábito colonizador de pregar a literatura como a melhor das invenções humanas, depois da aspirina. Deixemos os demais livres desse vício terrível da leitura. Com toda a parafernalha midiática que existe por aí, acredito que eles estejam bem sem se incomodar com a última tradução de Tolstói. Pelo menos, é o que penso quando vejo tantas caras felizes na televisão.

 

Este post/crônica foi escrito para participar da idéia da blogagem coletiva com o tema “Por que você gosta de ler”, do blog Livros e afins. Eis a justificativa para voltar ao tema do último post em tão pouco tempo.

4
fev

Aos leitores reais

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 4 de fevereiro de 2011, Tags: , ,

Xerazade e sua lábiaComo se sabe, há milhares de anos, Xerazade, para se manter viva, era obrigada a contar suas cativantes histórias ao Califa. Ela, mais do que ninguém, demonstra o significado da escrita para quem é escritor e é, portanto, a representação ideal do autor. Todavia, enquanto Xerazade é coberta de glórias na literatura, seu ouvinte, o malvado Califa, é classificado como tirano cornudo, da categoria déspota-sangue-nos-olhos, cujo único interesse é pegar virgens para em seguida matá-las. A antiga história árabe nos revela bastante sobre o binômio fundamental da literatura, o escritor-leitor.

O primeiro tem como motivação a própria sobrevivência, em alguns casos no sentido literal, em outros, na sensação de que, caso não escreva, vai acabar louco com tantas idéias na cabeça. Quem dos leitores imaginários escreve de maneira rotineira, poderá dizer que há no ato um sentido de necessidade inescapável. Mesmo aquele que escreve a lista de compras, busca solidificar ali a idéia que voa distraída na cabeça.

Já o leitor é motivado por razões mil. Talvez um exercício de puro escapismo, seja da fila entediada em um ponto de ônibus, seja da vida modorrenta que nos arrasta para o lugar comum das frases publicitárias. Afinal, os romances e a literatura servem também para isso. Que mal há? Vagar por aí em mundos imaginários, habitados por vampiros ou narradores além túmulo pode, e deve, no mínimo, ser divertido.

Há também, quem leia porque não consegue enxergar com seus olhos mortais o mundo que se descortina diante de si todo dia. É necessário um filtro que lhe faça entender a realidade. Uma tradução dos fatos em linguagem compreensível. Não que o mundo faça muito sentido se escrito. É que, sem legendas, ele não faz sentido algum, como um filme estrangeiro exibido por um projetista lisérgico. Não se trata de alívio escapista da realidade. Na verdade, é a busca, na ficção, da concretude que não a realidade não trás.

Entretanto, existe algo que iguala todos leitores ao déspota das Mil e uma noites. Como o Califa de Xerazade, há o poder de, a qualquer momento, fechar o livro, a crônica e o blog e matar aquele universo inteiro de personagens e idéias que só existem no papel e na cabeça de quem as lê. Passa-se o fio da espada no pescoço de Xerazade e não existe mais historinha para ficar apreensivo, encher de medo ou dar risada inútil. Assim, mesmo que o leitor não saiba por que lê, o escritor tem a obrigação de, ao menos, manter o sujeito acordado. Por isso escrever é tão perigoso.

Epílogo (ou final alternativo para a edição de luxo do Estado Crônico, com capa dura e título dourado em baixo relevo)

Mas, há também quem tenha pela leitura a mesma urgência dos escritores pela escrita. Mesmo quem entende a total inutilidade do ato da leitura (e não me venham com o sermão sobre a importância de uma formação cultural sólida), mantém viva a ânsia de abrir o próximo livro e embarcar em outro mundo, mesmo que vá voltar de lá ainda mais fraco e apático com a realidade. Pode ser só curiosidade ou vontade de enfiar o mundo inteiro na cabeça. Mas, creio que seja um pouco mais. Medo de ser, na verdade, um personagem que, quando o livro for fechado, deixará de existir.

16
nov

Cheiro de papel podre

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 16 de novembro de 2010, Tags: , ,

digestivo logoEncaro a literatura, e com ela os livros, quase como uma religião. Portanto, enxergo em um livro um poder realmente sobrenatural. Mas, recentemente, acabei cedendo à tentação do coisa-ruim e cometi um pecado que, em outros tempos, garantir-me-ia o comparecimento ao incêndio de uma fogueira portentosa, com direito de visão pelo lado de dentro. Decidi comprar um leitor eletrônico.

 

Prezados leitores imaginário, faço um convite diferente. Um dos maiores sites culturais brasileiros, o Digestivo Cultural, publicou hoje um texto deste humilde escriba, do qual extraí o trecho acima.

É uma grande felicidade chegar em endereço com a visibilidade do Digestivo. Assim, espero que você possam me prestigiar em outras terras e escrever seus sempre elogiosos comentários por lá!

22
mai

Livro – Bilhões e bilhões

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 22 de maio de 2010, Tags: , , ,

 

2396967[1]O gerente de Milliway, o restaurante no fim da galáxia, do livro de Douglas Adams, costuma anunciar aos seus clientes:

“— É maravilhoso — continuou — ver todos vocês aqui esta noite, não é mesmo? Sim, absolutamente maravilhoso. Porque sei que tantos de vocês vêm aqui várias e várias vezes, o que eu acho realmente maravilhoso, vir aqui e assistir à finalização de tudo, e então retornar para casa, para suas próprias eras… e construir famílias, lutar por sociedades novas e melhores, combater em guerras terríveis por aquilo que sabem que é o certo… isso realmente dá esperança no futuro de toda espécie viva. A não ser, é claro — apontou para o redemoinho relampejante acima e ao redor deles — pelo fato de sabermos que isso não existe…”

É curioso que o espírito do texto acima esteja presente também na obra de Carl Sagan. A grande diferença entre os dois textos é a atitude de Sagan. O cientistas jamais deixou de lutar por “sociedades novas e melhores”. O não deixa de ser irônico que Bilhões e bilhões tenha sido escrito tão próximo ao fim da vida do autor. O livro transpassa vários temas científicos para demonstrar, ao fim, a pequenez das atividades humanas diante da grandeza dos fenômenos naturais, tanto neste planeta azul, como fora dele, na incomensurável universo que nos cerca.

Valendo-se sempre de experiências cotidianas, o autor nos leva a conclusões científicas nos mais variados campos. Incrível, por exemplo, o texto em que Sagan utiliza o aquário de camarões, que ganhou quando criança, para falar sobre o equilíbrio ecológico do planeta Terra. Suas idéias nos mostram o privilégio que é nossa vida no planeta. Temas como a cosmogonia se misturam com o aquecimento global, de maneira perfeitamente harmônica. Aliás, a qualidade do texto revela que Carl Sagan não era apenas um grande cientista, mas um ótimo escritor.

Leve, sem deixar de ser informativo, Bilhões e bilhões é um daqueles livros para quem ainda não parou de se maravilhar cada vez que contempla o céu e a imensidão do universo ou a Terra e o delicado equilíbrio da natureza. Talvez, Carl Sagan tenha escrito o verdadeiro guia do mochileiro das Galáxias.

Cinco estrelas em cinco!

(Fim da leitura em 19/05/2010)

24
abr

Livro: A linguagem cinematográfica

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 24 de abril de 2010, Tags: , ,

Há algum tempo procuro um livro sobre linguagem cinematográfica que seja acessível e, ao mesmo tempo, interessante para os leigos no assunto, como eu. O livro de Marcel Martin me ganhou logo na introdução, quando afirma ser um livro dirigido para profissionais e amadores do cinema. Amadores com sentido de amantes. Ainda assim, posso afirmar que, apesar de ser o melhor livro que li sobre o assunto, ainda não é exatamente o que procuro.

Justiça seja feita, trata-se de um bom livro introdução ao estudo do tema. O autor esclarece os níveis da inguagem (representação, estético e ideológico). Destaca, ainda, de maneira sistemática, cada um dos elementos que compõe uma narrativa cinematográfica, explicando o que são planos, seqüências e cenas. Analisa as espécies de enquadramento, citando o plongée o contra-plongée. Melhor, faz tudo isto sempre levando em conta que qualquer técnica cinematográfica só será válida se possuir relevância psicológica.

Por outro lado, o esforço de sistematização do livro, preocupado em analisar cada uma das possibilidades de aplicação de todas as técnicas cinematográficas, acaba tornando a leitura da obra muito cansativa. A ponto do autor incluir, ao fim, um índice para recapitular os temas.

Outro problema, que não é culpa do autor, são os filmes citados como exemplo, todos muito antigos para quem, como eu, tem um referencial cinematográfico pós anos 60.

Por fim, considerando que a primeira edição do livro é de 1955, pareceu-me um pouco pretensiosa a afirmação do autor de que tudo que havia para ser inventado na linguagem cinematográfica já havia sido criado até os anos 40. Só de brincadeira, vale lembrar que o trecho sobre profundidade de campo tornou-se obsoleto com o lançamento de “Avatar”. Ainda assim, é um ótimo livro para se iniciar no estudo da linguagem cinematográfica. Especialmente enquanto Pablo Villaça não escreve o dele.

(A Linguagem Cinematográfica de Martin Marcel. Fim da leitura em 30/03/2010)

6
fev

Livros lidos em 2010

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 6 de fevereiro de 2010, Tags: ,

Darkly Dreaming Dexter de Jeff Lindsay. Fim da leitura em 29/01/2010.

Já que vamos catalogar os filmes lidos, nada mais certo que fazer o mesmo com os livros. Mas, se o ano cinematográfico começou bem, conforme o post anterior, o mesmo não se pode dizer da literatura.

Resolvi ler Darkly Dreaming Dexter seduzido pelo seriado. Para quem não conhece, Dexter é um seriado sobre um serial killer “do bem”, que persegue e mata outros assassinos. Aqui no Brasil passou na FX até a segunda temporada e já está disponível em DVDs a venda. Disputa, para mim, o título de melhor seriado, concorrendo em pé de igualdade com Lost.

O livro, apesar de emprestar argumento ao programa, é, no máximo, regular. Mesmo possuindo personagens interessantes (como, o próprio Dexter), a trama até começa bem, mas se perde pelo meio e termina de maneira absolutamente frustrante. Para piorar, há a inclusão de certos “fenômenos” sobrenaturais que negam, de plano, a natureza realista de um romance policial.

O único elemento que ainda pode ser considerado um pouco interessante é a narrativa em primeira pessoa do protagonista, que, apesar de algumas ironias bobas, confirma o potencial do personagem. Impassível, Dexter se enrola sempre que se vê em uma situação emocional minimamente complexa. Certamente, foi aí que começou o interesse em fazer uma série baseada no livro.

Por ser raso e previsível, Darkly Dreaming Dexter é um livro dispensável, cuja leitura eu não recomendaria, nem para os fãs do seriado. Minha nota? Duas estrelinha em cinco.

8
dez

Na era do Crepúsculo…

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 8 de dezembro de 2009,

Com o sucesso de Crepúsculo, as capas pretas, com toque emo, viraram moda. Agora, as editoras lançam grandes clássicos com o novo formato. A nova edição de “O Morro dos Ventos Uivantes” chega a ser quase um plágio da saga vampiresca.

Não sei quem é a editora (i)responsável pela novidade. Mas, por outro lado, vai ser engraçado ver crepusculetes desabando no livro clássico, com mais um século de idade.

4
nov

Juliet Naked, o novo de Nick Hornby

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 4 de novembro de 2009, Tags: ,

Nick Hornby virou, para mim, um autor do estilo “satisfação garantida ou seu dinheiro de volta”. Li quatro livros do sujeito e gostei, muito, de todos. O melhor, “Long Way Down”. O pior, “How to Be Good”. E o pior ainda é melhor que a maioria.

Comecei ontem a leitura do novo livro de Nick Hornby, “Juliet, Naked”. Trata, até o momento, sobre um fã, desses de carteirinha (como eu pelos Beatles). Nas 40 páginas que li, já deu para ver que vem coisa boa por aí.

Por enquanto, em minhas anotações inciais, destaco a diferenciação entre o fã de longa data, especialista no assunto, que conhece tudo, tem tudo e já escutou tudo, e o fã adolescente, com fervor juvenil. Aliás, se eu falei diferença, talvez Hornby queira colocar semelhança. Vide a passagem na frente da casas de Juliet em que as duas gerações de fãs se encontram, para fazer a mesma bobagem.

Outra coisa interessante resume-se a um parágrafo. Trata-se da nova relação do ouvinte com a música. Na verdade, segundo o protagonista, ouvir música, na era digital, se tornou um ato de maior romance, porque a música, em si, não está contida em nada físico. É mais misteriosa.

As idéias, claro, são preliminares. Quando evoluir na leitura, faço mais anotações.

22
out

“No Ar Rarefeito”

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 22 de outubro de 2009, Tags: ,

 
Meu irmão costuma dizer que, ao ler o relato da tempestade enfrentada por Gilliatt em Os Trabalhadores do Mar, podia sentir suas próprias roupas encharcadas pela água da chuva e do mar.
 
Uma sensação parecida ocorreu enquanto eu lia No ar rarefeito, de Jon Krakauer. O livro relatada a trágica expedição do jornalista, também autor de Na Natureza Selvagem, ao Everest. Enquanto Krakauer escalava as cristas geladas, eu conseguia sentir o vento gelado que percorre a montanha e congela, em minutos, qualquer parte do corpo não coberta.
 
Estranho é observar que, muito embora o livro relate uma série de tragédias ocorridas no Everest, o relato só vez aumentar minha vontade de visitar a montanha. Esta contradição é um dos motes do livro. O que leva pessoas a passarem o sem número de privações e riscos que envolve uma escalada em alta montanha, como a altamente debilitante falta de oxigênio? Uma pergunta cuja resposta está muito além da minha compreensão e envolve prescrutar profundos abismos da psique humana. Melhor deixar a tradicional resposta de Mallory, quanto perguntado porque queria escalar o Everest.
 
"Porque está lá."
 
P.S.: A edição que li é de bolso. Mais barata, mas, por outro lado, sem as fantásticas fotos da edição mais cara, que está esgotada.