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20
jun

Os 5 Jogos Mais Influentes – Street Figher II

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 20 de junho de 2009,

Voadora, chute forte, rasteira. Hesito sempre em generalizações radicais, mas, se você não sebe essa seqüência, pode picortar sua carteirinha de gamer. Especialmente viveu a primeira metade dos anos 90.

Era impossível jogar vídeo-game naquela época e não encostar em Street Fighter II. O jogo, que primeiro saiu em versão arcade, para ser jogado naqueles fliperamas com chão grudento, atingiu seu apogeu de popularidade quando foi lançado para o Super Nintendo, console que eu tive a felicidade de ser proprietário.

Mas a vida não era tão fácil assim naquele tempo. Os jogos eram ainda caros e não existia tanta pirataria como hoje. Portanto, pelo menos para mim, encostar em Street Fighter II significava aguardar uma grande fila de espera em reservas na locadora. Lembro ainda que, depois de algum tempo de expectativa, fomentada pelos comentários dos colegas e pelas revistas de vídeo-game (existiam edições especializadas no jogo), finalmente consegui, junto com um amigo, alugar o tão desejado título.

A longa espera se converteu, rapidamente, em uma obsessão febril em permanecer horas a fio combatendo. Descobri, em pouco tempo, que meu lutador predileto era o Ken e a apelação da voadora, mais rasteira. Talvez o principal aspecto da jogabilidade de SFII esteja na sua progressão de dificuldade. Se no início você ganha as lutas com seqüências simples de golpes, a partir de um ponto você precisa estudar o estilo de luta de cada um dos personagens, montar uma estratégia e aprender os golpes especiais.

Aliás, os golpes especiais, alcançados com seqüências de comandos pouco ortodoxas é uma das inovações de Street Fighter II. Quem não se lembra do tradicional “Haduken”, lançados por Ken ou Ryu? De quebra, ainda tinha a fase bônus, na qual você destruía um carro, como o sujeito fez no vídeo abaixo.

Creio que os melhores jogos são aqueles que criaram uma nova possibilidade de jobabilidade. SFII certamente fez isso, ao estabelecer conceitos novos, como as lutas mano-a-mano (ok, consultei na Wikipédia e isso já existia no SFI) e os golpes especiais. Mais ainda, a presença de personagens marcantes, com características próprias, fazem desse um clássico para mim.

28
mai

Os 5 Jogos Mais Influentes – King’s Valley

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 28 de maio de 2009,

A long time ago… Eu possuía um Expert, o representante nacional que a falecida Gradiente lançou do microcomputador MSX. Lembro-me de com menos de 6 anos de idade, gastar horas e horas na frente de um televisor (o mesmo em que se assistia novelas) plugado à CPU do computador. Embora, antes dele, meu pai tivesse um TK-2000, no qual eu também brinquei, pode-se dizer que foi o MSX o computador, e vídeo-game, de minha infância. Sim, enquanto todos meus coleguinhas brincavam de ATARI, eu me divertia no MSX (e isso me fez uma pessoa melhor!:))

Como não poderia deixar de ser, o tal King´s Valley, lançado pela Konami em 1985, caiu de bandeja em minha vida. Meu irmão comprou uma fita K-7 (sim, os jogos vinham em fitas K-7, as mesmas dos saudosos walkmans) com um jogo de simulador de helicópteros, que terminou por não funcionar. Na troca, escolheu uma fita com o jogo do Batman, que acredito ser o carro chefe da coisa e, no lado B, King´s Valley. Imediatamente, este se tornou meu jogo predileto. Tanto que só descobri que o Batman funcionava muitos anos depois…

Certamente, este é o título menos conhecido da lista e, portanto, merece uma descrição mais elaborada.

Os gráficos simplórios revelam uma mecânica de jogo primorosa. Um explorador visita “pirâmides”, nas quais tem que recolher tesouros. Feita a limpa no cenário, abre-se uma portinha e você avança para a fase seguinte. Por não poucas vezes, os tais tesouros estão enterrados. Em tais casos, você deve lançar mão de uma picareta para, literalmente, cavar seu caminho. Tudo muito fácil, não fossem uns monstrinhos infernais. Certamente são múmias, mas a falta de qualidade dos gráficos torna o jogo mais lúdico e dá mais espaço à imaginação. As criaturinhas andam de um lado a outro, sobem e descem escadas, sempre a sua caça e, pior, seguindo padrões, ora determinados, outras vezes surpreendentes. Para se livrar das ameaças você pode pular ou lançar sua espada. O problema é que não dá para pular se você estiver carregando a picareta, tampouco dá para carregar espada se você já tiver a picareta. Ou seja, ou mata o monstro, ou cava, ou pula ou foge para o outro lado e reza para a múmia mais ser lerda que você.

A primeira fase do jogo pode ser conferida no vídeo abaixo, exclusividade desse BLOG (fiz só para postar aqui).

O desafio segue por 15 fases que, após vencidas, dão um looping no jogo, retornando à primeira pirâmide, de outra cor, com monstrinhos mais rápidos. Algo bem no estilo dos jogos antigos, que não possuíam, necessariamente, um ponto final.

Se os gráficos são simples, mesmo para os jogos de MSX, sua eficiência é notável. O mesmo se pode falar da trilha sonora, uma musiquinha chiclete que ainda hoje agarra na cabeça. Tomara que ela te atormente o tanto que atormentou minha vó!:)

O leitor, mais moderninho, pode listar uma centena de jogos com o mesmo conteúdo e, talvez até, melhores que King´s Valley. Aliás o próprio título deixou uma continuação, para o MSX II, que fez bem mais sucesso.

No entanto, jogando King´s Valley hoje, vejo que o game realmente chama a atenção. A mistura de elementos de estratégia e ação, em equilíbrio, funciona muito bem e a, tão famosa, jogabilidade, é excelente. Tanto assim que eu encarava as fases do jogo com apenas 6 anos de idade. As vezes, jogando alguma coisa mais moderna, fico pensando em qual o sentido de gráficos tão maravilhosos em jogos tão chatos. King´s Valley era divertido e, para usar um adjetivo típico de resenha de capinha de DVD, eletrizante.

Portanto, pelo equilíbrio entre os elementos de ação e estratégia, King´s Valley foi o primeiro jogo que influenciou minha vida de jogador.

Por fim, quem não jogou, pode buscar o emulador de MSX e a ROM de King´s Valley no Google. Sem muito trabalho, você vai ter uma diversão, no mínimo, interessante.

Para dar uma dica do próximo jogo da série, posso falar que ele saiu para SNES e teve uma continuação nas plataformas mais modernas.

27
mai

Os 5 Jogos Mais Influentes – Introdução

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 27 de maio de 2009,


A idéia de realizar listas do estilo “os melhores livros para se ler no parque” ou “melhores músicas de rock alternativo tailandês”, sempre me remete ao livro de Nick Hornby, Alta Fidelidade (mais tarde adaptado para o cinema, em filme homônimo, por Stephen Frears, tendo John Cusack no elenco). Para quem não conhece, o protagonista possuía o hábito de confeccionar listas sobre música, sempre listando as Top Five para alguma coisa, como, por exemplo, as cinco melhores músicas para ouvir depois da bebedeira (para ser recatado).

Na verdade, fazer listas sempre pareceu, ao meu espírito classificatório, um tarefa interessante. Tanto que, desde os 12 anos, anoto rigorosamente todos os livros cuja leitura conclui. Rotular, classificar e avaliar a qualidade de algo que é, ao menos em teoria, absolutamente subjetivo, sempre foi, para mim, um exercício complexo e rico. Não pelo resultado em si, a lista pronta, mas pelo processo de descoberta que sua confecção leva.

Apesar disso, a idéia de realizar a uma lista sobre os games mais legais que já joguei surgiu recentemente. Sempre imaginei listinhas sobre livros, discos e coisas afins, nunca sobre jogos eletrônicos, assunto influência decisiva em minha vida. Estranho, pois aprendi a jogar antes de ler ou de gostar de música. Certamente, para minha geração, que cresceu com a primeira geração de jogos eletrônicos e viu o apogeu das eras de 8 e 16 bits ainda antes dos quinze anos, os jogos eletrônicos são tão presentes quanto qualquer outra forma de influência cultural.

Decidido a fazer a lista, busquei mais calmamente seus métodos de classificação. Não poderia ser uma lista dos “melhores” jogos, pois, certamente, a falta de um critério absoluto impediria de colocar este ou qualquer jogo em um pedestal. Da mesma forma, não poderia eleger os jogos mais “divertidos”, pois, creio que alguns games são muito interessantes por algum tempo, mas caem rapidamente em esquecimento, vítimas de sua própria modernidade (seria “Braid” um desses casos?).

Portanto, determinei os jogos que tiveram mais influência em minha experiência gamer. Dentro deste conceito vago de “influência”, englobei a diversão associada ao título, a perenidade de meu interesse em jogar-lo e a revolução que ele trouxe em minha percepção gamer, ou seja, o enriquecimento que o jogo trouxe ao meu universo de jogador. Os títulos aqui listados sempre abriram a possibilidade para que eu jogasse outros jogos e isso, por si só, já é um de seus méritos.

Logicamente, esta lista é extremamente pessoal e reflete minha experiência como jogador. Claro que os títulos aqui listados são conhecidos da maioria. Todavia, o leitor pode, por exemplo, ter chegado “atrasado” em algum dos jogos e, após já ter jogado um título mais modernos, considerar minhas escolhas obsoletas. Certamente, o ineditismo do jogo teve um caráter fundamental na minha decisão de cada um dos “premiados” desta lista e acabou, assim, excluindo jogos mais modernos e, talvez até, melhores.

Indo ao que interessa, o próximo post traz o primeiro de meus eleitos. Vou listá-los em ordem cronológica e não de preferência. Seria possível usar este último critério.