A long time ago… Eu possuía um Expert, o representante nacional que a falecida Gradiente lançou do microcomputador MSX. Lembro-me de com menos de 6 anos de idade, gastar horas e horas na frente de um televisor (o mesmo em que se assistia novelas) plugado à CPU do computador. Embora, antes dele, meu pai tivesse um TK-2000, no qual eu também brinquei, pode-se dizer que foi o MSX o computador, e vídeo-game, de minha infância. Sim, enquanto todos meus coleguinhas brincavam de ATARI, eu me divertia no MSX (e isso me fez uma pessoa melhor!:))
Como não poderia deixar de ser, o tal King´s Valley, lançado pela Konami em 1985, caiu de bandeja em minha vida. Meu irmão comprou uma fita K-7 (sim, os jogos vinham em fitas K-7, as mesmas dos saudosos walkmans) com um jogo de simulador de helicópteros, que terminou por não funcionar. Na troca, escolheu uma fita com o jogo do Batman, que acredito ser o carro chefe da coisa e, no lado B, King´s Valley. Imediatamente, este se tornou meu jogo predileto. Tanto que só descobri que o Batman funcionava muitos anos depois…
Certamente, este é o título menos conhecido da lista e, portanto, merece uma descrição mais elaborada.
Os gráficos simplórios revelam uma mecânica de jogo primorosa. Um explorador visita “pirâmides”, nas quais tem que recolher tesouros. Feita a limpa no cenário, abre-se uma portinha e você avança para a fase seguinte. Por não poucas vezes, os tais tesouros estão enterrados. Em tais casos, você deve lançar mão de uma picareta para, literalmente, cavar seu caminho. Tudo muito fácil, não fossem uns monstrinhos infernais. Certamente são múmias, mas a falta de qualidade dos gráficos torna o jogo mais lúdico e dá mais espaço à imaginação. As criaturinhas andam de um lado a outro, sobem e descem escadas, sempre a sua caça e, pior, seguindo padrões, ora determinados, outras vezes surpreendentes. Para se livrar das ameaças você pode pular ou lançar sua espada. O problema é que não dá para pular se você estiver carregando a picareta, tampouco dá para carregar espada se você já tiver a picareta. Ou seja, ou mata o monstro, ou cava, ou pula ou foge para o outro lado e reza para a múmia mais ser lerda que você.
A primeira fase do jogo pode ser conferida no vídeo abaixo, exclusividade desse BLOG (fiz só para postar aqui).
O desafio segue por 15 fases que, após vencidas, dão um looping no jogo, retornando à primeira pirâmide, de outra cor, com monstrinhos mais rápidos. Algo bem no estilo dos jogos antigos, que não possuíam, necessariamente, um ponto final.
Se os gráficos são simples, mesmo para os jogos de MSX, sua eficiência é notável. O mesmo se pode falar da trilha sonora, uma musiquinha chiclete que ainda hoje agarra na cabeça. Tomara que ela te atormente o tanto que atormentou minha vó!:)
O leitor, mais moderninho, pode listar uma centena de jogos com o mesmo conteúdo e, talvez até, melhores que King´s Valley. Aliás o próprio título deixou uma continuação, para o MSX II, que fez bem mais sucesso.
No entanto, jogando King´s Valley hoje, vejo que o game realmente chama a atenção. A mistura de elementos de estratégia e ação, em equilíbrio, funciona muito bem e a, tão famosa, jogabilidade, é excelente. Tanto assim que eu encarava as fases do jogo com apenas 6 anos de idade. As vezes, jogando alguma coisa mais moderna, fico pensando em qual o sentido de gráficos tão maravilhosos em jogos tão chatos. King´s Valley era divertido e, para usar um adjetivo típico de resenha de capinha de DVD, eletrizante.
Portanto, pelo equilíbrio entre os elementos de ação e estratégia, King´s Valley foi o primeiro jogo que influenciou minha vida de jogador.
Por fim, quem não jogou, pode buscar o emulador de MSX e a ROM de King´s Valley no Google. Sem muito trabalho, você vai ter uma diversão, no mínimo, interessante.
Para dar uma dica do próximo jogo da série, posso falar que ele saiu para SNES e teve uma continuação nas plataformas mais modernas.









