Voadora, chute forte, rasteira. Hesito sempre em generalizações radicais, mas, se você não sebe essa seqüência, pode picortar sua carteirinha de gamer. Especialmente viveu a primeira metade dos anos 90.
Era impossível jogar vídeo-game naquela época e não encostar em Street Fighter II. O jogo, que primeiro saiu em versão arcade, para ser jogado naqueles fliperamas com chão grudento, atingiu seu apogeu de popularidade quando foi lançado para o Super Nintendo, console que eu tive a felicidade de ser proprietário.
Mas a vida não era tão fácil assim naquele tempo. Os jogos eram ainda caros e não existia tanta pirataria como hoje. Portanto, pelo menos para mim, encostar em Street Fighter II significava aguardar uma grande fila de espera em reservas na locadora. Lembro ainda que, depois de algum tempo de expectativa, fomentada pelos comentários dos colegas e pelas revistas de vídeo-game (existiam edições especializadas no jogo), finalmente consegui, junto com um amigo, alugar o tão desejado título.
A longa espera se converteu, rapidamente, em uma obsessão febril em permanecer horas a fio combatendo. Descobri, em pouco tempo, que meu lutador predileto era o Ken e a apelação da voadora, mais rasteira. Talvez o principal aspecto da jogabilidade de SFII esteja na sua progressão de dificuldade. Se no início você ganha as lutas com seqüências simples de golpes, a partir de um ponto você precisa estudar o estilo de luta de cada um dos personagens, montar uma estratégia e aprender os golpes especiais.
Aliás, os golpes especiais, alcançados com seqüências de comandos pouco ortodoxas é uma das inovações de Street Fighter II. Quem não se lembra do tradicional “Haduken”, lançados por Ken ou Ryu? De quebra, ainda tinha a fase bônus, na qual você destruía um carro, como o sujeito fez no vídeo abaixo.
Creio que os melhores jogos são aqueles que criaram uma nova possibilidade de jobabilidade. SFII certamente fez isso, ao estabelecer conceitos novos, como as lutas mano-a-mano (ok, consultei na Wikipédia e isso já existia no SFI) e os golpes especiais. Mais ainda, a presença de personagens marcantes, com características próprias, fazem desse um clássico para mim.











