Arquivo de ‘Cinema’ Category

20
jul

Filme: A Onda (Die Welle)

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 20 de julho de 2010, Tags: , , , ,

A onda Fosse eu dono de locadora de filmes e as prateleiras teriam outra ordem, com categorias menos ortodoxas. Nada de suspense, terror, aventura e romance. Uma de minhas novas classificações seria filmes de professor. Estariam lá os óbvios Sociedade dos Poetas Mortos e Ao Mestre, Com Carinho, seguidos do mais atual O Clube do Imperador (como não falei que o filme precisa ser bom, O Sorriso de Monalisa teria espaço na prateleira também). Recentemente, minha a seção imaginária ganhou outro ótimo título, o alemão A Onda.

“Inspirado” em fatos reais, com todas as aspas que as inspirações cinematográficas merecem, A Onda é adaptado do livro americano The Wave (ainda sem tradução para o português), que conta a história de um pequeno grupo facista, criado por um professor, em sala de aula, como um experimento para demonstrar o funcionamento de um regime autoritário.

Se o livro The Wave não chega a ser sequer uma boa obra literária, sua adaptação para o cinema é impressionante. Transportada dos EUA dos anos 6ª para a sociedade alemã contemporânea, ainda ressentida pelos eventos da 2ª Guerra, a história ganha contornos mais ricos e interessantes.

No filme, Rainer Wenger, professor do que deve ser o segundo grau alemão, encontra-se diante do desafio de ensinar o que é autocracia a uma sala de alunos, para quem opção política significa, quando muito, vestir-se como punk-anarquista, ou, em uma adaptação a nossa realidade, usar uma camisa de Che Guevara. Diante da apatia da turma, Rainer desiste de uma exposição teórica e cria, na prática, um grupo autocrático na sala de aula, ao qual se dá o nome de A Onda. A adesão entusiasmada dos alunos ao discurso fascista do professor revela a estranha susceptibilidade do mundo pós-moderno a regime autoritário.

Em tese, a sociedade contemporânea, extremamente diversificada e aberta a toda sorte de idéias, estaria imune à ascenção do autoritarismo, baseado na adoção de uma proposta ideológica única. Todavia, paradoxalmente, a multiplicidade da sociedade resulta em uma busca pela individualidade, que só pode ser conquistada no grupo. Assim, surgem os emos, as crepusculetes e até mesmo as torcidas organizadas de futebol. Nesse mundo plural, discursos autoritários parecem ser extremamente sedutores, pois entregam às massas o sentimento de identidade única perdido. Com respostas rápidas e simples para tudo, muito bem retratadas no filme pelos interrogatórios de Rainer a seus alunos, o autoritarismo permite sufocar a angustiante ausência de certezas que cerca nosso cotidiano.

No entanto, o grande mérito de A Onda não é apenas demonstrar, na tela, como um regime autoritário ainda pode encontrar espaço em nosso mundo. Tal como os alunos retratados no filme, o telespectador é seduzido pelas propostas do professor e, ainda que intimamente sinta-se ligeiramente desconfortável, enxerga uma série de benefícios em abrir mão da liberdade e adotar a autocracia. Em determinado momento, é difícil não concordar com um dos personagens que tenta provar as maravilhas trazidas pela Onda. Mas, como todo bom filme de professor, A Onda pode dar uma boa e sombria lição. Se a política se tornar exclusivamente assunto de estampa de camiseta, as portas para o autoritarismo estarão abertas.

6
jul

Filme: Toy-Story 3

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 6 de julho de 2010, Tags: , , , , ,

poster_toystory3 Atualmente há um filme em cartaz que lida com a dificuldade de algumas criaturas, fadadas a permanecerem eternamente preservadas em uma forma imutável, lidarem com o crescimento e mudança daqueles a quem amam e servem. Não fosse a imagem ao lado (e o título, claro), os leitores imaginários teriam pensando na saga Crepúsculo. Mas claro, refiro-me a Toy Story 3.

Não vou falar sobre o primor técnico do filme. O melhor crítico brasileiro de cinema já fez isso com muita competência e o pessoal do Rapaduracast nos deu de presente um maravilho episódio, que conta com a presença de Guilherme Briggs, dublador de Buzz Lightear. No entanto, tive a sorte de assistir os três filmes da série da Pixar este ano e sou tentado a concordar com quem diz ser essa a melhor trilogia do cinema. Sem dúvida, unidos, os três filmes formam uma corrente sem elos fracos.

Portanto, não posso deixar o filme passar sem registrar minhas impressões. Certa vez, escutei que uma obra clássica permite vários níveis de leitura. Toy Story 3 é, assim, um clássico imediato. Para os pequenos, o filme trás a fábula de brinquedos que tomam vida e aprontam aventuras secretas. Já a primeira seqüência do filme mostra, com acerto, a visão de uma brincadeira pelos vibrantes olhos infantis. Logo em seguida, somos lançados à melancolia, quando percebemos que aquele menino cresceu e os brinquedos, antes protagonistas de um universo particular maravilhoso, agora repousam em uma caixa e estão diante de uma iminente escolha, que os encaminhará ao esquecimento em um sótão empoeirado, à doação ou, pior dos fins, ao lixo.

Assim, para o público mais “idoso”, a fábula dos brinquedos sai de cena para a entrada de uma reflexão sobre o crescimento e envelhecimento, não apenas nosso, mas também de todos que queremos bem. Mas, ao longo da projeção, a alegoria se expande e notamos que Toy Story trata também sobre quais as relações que podemos e devemos conservar na vida e, especialmente, sobre alguns nós que, por ética ou sabedoria, devemos desatar para permitir o ressurgimento da felicidade, se não nossa, alheia.

Crescer não é simples e Toy Story retira dessa dificuldade a matéria prima para uma obra que, apesar de emocionar o patrulheiro estelar mais durão, não se rende ao sentimentalismo barato. Aliás, a película é capaz de fazer graça sobre vários ritos de passagem para a vida adulta. É divertido, por exemplo, como os brinquedos sequestram o celular Andy, como único recurso para atrair sua decrescente atenção ao velho baú onde repousam.

Mas Toy Story 3 não é grande apenas pela sua metáfora. Ganha mais relevo pelo período em que foi lançado.  Em uma época quando o drama quadrado de um amor eternamente impossível ecoa tanto na sociedade, a fábula infantil dos brinquedos dá uma lição  proustiana aos adolescentes e adultos mal-crescidos. Às vezes é necessário deixar partir aquilo que mais amamos. Nosso passado não repousa bem esquecido em um sótão. Viverá muito mais tranqüilo e feliz em nossa memória.

14
mai

Filmes: “Guerra ao terror” e “Lua nova”

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 14 de maio de 2010, Tags: , , , , ,

Guerra ao terror (EUA, 2009)

Há inúmeras maneiras de abordar uma guerra no cinema. Guerra ao terror opta por uma abordagem quase contraditória, embora não inédita. Ao mesmo tempo que tenta expor o absurdo da guerra, o filme coloca os “soldados” como heróis vitimizados. Algo que O resgate do soldado Ryan já havia feito, com mais sucesso. Os combatentes são o foco da película, que aborda exclusivamente a perspectiva americana da guerra. Aliás, um dos pontos de tensão do filme é a constante suspeita dos americanos com relação a toda população iraquiana, retratada genericamnete como potenciais terroristas.

Embora seja um filme bem executado, com algumas cenas realmente interessantes, não consigo considerar seu Oscar como um prêmio merecido. Três estrelas em cinco e sei que nado contra a corrente. Aliás, nadar contra corrente é um dos objetivos deste blog.

(Assistido em 14/03/2010)

 

Lua Nova (EUA, 2009)

Se Crepúsculo consegue ser memorável por ser um dos piores filmes que já vi, talvez Lua nova caia no esquecimento exatamente por ser mais morno. Sim, o filme é melhor que o anterior, sem conseguir, todavia, ser verdadeiramente bom. Há alguns bons momentos e, lá pelo meio da projeção, o espectador pode acreditar que o filme vai decolar. Mas tudo volta a afundar com o retorno do vampiro purpurinado à tela. Não li o livro, mas, nas telas, a história continua vazia e os personagens inexpressivos. Duas estrelinhas em cinco, porque estou legal hoje.

(Assistido em 20/03/2010)

29
abr

Filme: Amor sem escalas

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 29 de abril de 2010, Tags: , , , ,

“Quanto pesa sua vida? Imagine-se, por um segundo, carregando uma mochila. Eu quero que você coloque lá tudo que você tem em sua vida. Comece com as pequenas coisas. As estantes, as cômodas, as quinquilharias (…) Então, você adiciona as pessoas em quem você confia seus segredos mais íntimos. Seus irmãos e irmãos, seus filhos, seus pais e por fim seu marido, esposa, namorado ou namorada. Coloque-os na mochila, sinta o peso da mala. Não se engane, seus relacionamentos são os artigos mais pesados de sua vida.(…) Enquanto mais devagar nos movemos, mais rápidos rápido morremos.  Não se engane, viver é mover-se.”

As palavras acima não são minhas, infelizmente. Seu “autor” é o Ryan Bingham, o protagonista vivido por George Clooney em Amor sem escalas. O intrigante personagem é um executivo cuja profissão é demitir funcionários de empresas que passam por reestruturações, comuns nos últimos anos. Sua vida se resume a voar, de um canto a outro dos EUA, sem estabelecer relações pessoais. Tudo muda quando uma jovem funcionária cria um método de realizar o serviço sujo à distancia, demitindo os empregados por meio de vídeo conferência. A novidade é aceita com ressalvas pelo chefe de Ryan, que o obriga a viajar, a partir de então, com a jovem colega.

Apesar da obviedade aparente da situação acima descrita, o filme escapa da previsibilidade e desenvolve seu questionamento sobre o real valor das relações interpessoais. Todos os clichês sobre “relacionamento” estão no filme. A impessoalidade no trabalho, as relações familiares vazias, a importância (ou não) de estabelecer algum vínculo com que se ama ou, de maneira quase disfarçada, o valor da amizade. Mas os clichês não aparecem para serem revisitados. Ao contrário, surgem como clichês, descascados e esvaziados.

Não espere encontrar respostas em Amor sem escalas. O bom espectador vai sair da projeção com mais questionamentos e menos certezas. Especialmente por isso, o filme é excepcional. 5 estrelinhas em 5.

P.S.: O título em português do filme, Amor sem escalas, é quase um estelionato. Não se trata de uma comédia romântica, leve e facilmente digerível.
7
mar

Star Trek e o Hospedeiro

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 7 de março de 2010, Tags: ,

Mais uma vez, preciso anotar os filmes assistidos no ano de 2010. Apesar de ser um esforço um pouco cansativo, percebo que as pequenas notas sobre cada filme só fazem bem a minha percepção. Então, vou prosseguir, ainda que sob o risco de transformar o Estado Crônico em um blog de cinema.
Star Trek - Data 21/02/2010 – Blu-ray
Antes de assistir ao filme, escutei falar bastante dele e muito bem. Não me descepcionou. O ótimo roteiro, sustentado pelas interpretações satisfatórias, foi capaz de gerar um filme interessante até para quem (como eu) não conhece nada do universo do seriado. Ainda que com um ou outro clichê, é um bom filme. Destaque para a parcitipação de Zacary Sylar Quinto. 4/5

O Hospedeiro (Gwoemul) – Data 02/03/2010 – MKV 1080p
O livro “1001 filmes para se ver antes de morrer” me atraiu para esta película coreana. Confesso que não tenho a mínima intimidade com a cultura oriental, o que acaba dificultando um pouco a compreensão adequada do filme. Mesmo assim, é possível observar um ótimo exercício de linguagem cinematográfica. Da primeira cena, ainda no laboratório, até o fim, o filme conta sua história de maneira eficiente. Destaque deve ser dado, ainda, pela coragem de não cair na solução fácil, ao fim. 4/5
E hoje é noite de Oscar! Meu palpite? Avatar para melhor filme e Kathryn Bigelow para melhor diretora.
20
fev

Filmes de 2010

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 20 de fevereiro de 2010, Tags: ,

Seguindo o plano, vamos registrar as opiniões sobre os filmes assistidos em 2010.

Inglorious Basterds. Data: 31/01/2010 – MVK 2080p
Prosseguindo o plano de acompanhar o Oscar tendo assistido todos os principais indicados, resolvi antecipar o lançamento de Bastardos Inglorios em bluray! Ótimo filme. Sua força principal está nos dialogos, que, mesmo longos, são cheios de sutilezas e mantém a atenção do espectador. Destaque especial para uma das cenas finais, em que a imagem de uma mulher rindo é projetada na fumaça. 5/5

Transformers. 15/02/2010 – Bluray
Não é fácil achar uma coisa boa em um filme tão ruim. Quase tudo dá errado no filme. Michael Bay, que deveria ter sua lincença de diretor caçada, faz o possível para tornar o roteiro, que já é ruim, em um espetáculo idiota. Para salvar alguma coisa, o “visual” do filme é bom. Mas é só. Não me arrisco a assistir a continuação. 2/5.

19
jan

Filmes assistidos em 2010

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 19 de janeiro de 2010, Tags: ,

Enfim, cheguei ao primeiro post do ano. Bem atrasado, diga-se de passagem. Para inaugurar o novo ano, resolvi cumprir uma de minhas promessas de final de ano. Manter anotação sobre de todos filmes assistidos, com pequenos comentários.

Avatar. Data: 15/01/2010. Assistido na Sala IMAX.

Não há muito o que se falar que ainda não tenha sido dito, com mais propriedade, pelos críticos, como Pablo Villaça. A única ressaltar que faço à perfeição do filme é com relação ao roteiro simplista. Não custava nada desenvolver um pouco mais os personagens da trama, quase todos muito planos. Mesmo Jake não elabora um grande arco dramático, ainda que passe de fuzileiro à protetor dos Na’avi. (4/5)

O Leitor. Data: 18/01/2010. Assistido em BD.

Antes, vale celebrar que este foi o primeiro filme que assisti em Bluray. Imagino que daqui a alguns anos a tecnologia nos entregará um formato com muito mais qualidade, mas, por ora, a nitidez da imagem trazida pelo Bluray garante um assombro inicial.

Quanto ao filme, lamento que por algum tempo eu tenha ignorado o disco, por preconceito. Parecia ser mais um filme de nazismo, como já assisti(mos) aos montes. Todavia, as indagações morais sobre a conduta dos personagens me fizeram querer discutir as decisões tomadas na trama. (5/5)

24
nov

2012 – Fim do mundo

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 24 de novembro de 2009,

Assisti “2012″. O filme, não o ano, porquê ainda me faltam poderes proféticos. E como o filme não tem muito a dizer, não há como eu escrever grandes palavras sobre o que assisti. Então, melhor improvisar no assunto.

Muito sobrevalorisada esta história de fim do mundo. Ora, vai que o mundo acabe mesmo em dezembro de 2012. Tragédias a parte, o que interesse, para mim, e para você, é que eu, ou você, ambos nos acabamos. Fato é que se eu morrer em 2012 e o mundo, insistente, continuar girando por aí, para mim, que estarei morto, diferença nenhuma vai fazer. Meu mundo terminou. E não caiu, como gostaria a Maysa, para depois ser levantado. Terminou mesmo, acabou-se para todo o sempre.

Claro, sei que o meu prezado leitor imaginário está considerando minha perspectiva um tanto egoísta. Dirás que as várias pessoas espalhadas pelo planeta, que tanto amamos, continuaram vivas e isso é tão ou mais importante que sua própria existência. Pois então, eu, como um demiurgo enlouquecido, vou matar também todas essas pessoas espalhadas por aí, que tu tanto gostas, a ponto de teres quadros na parede. Agora, diga-me, prezado leitor, fez alguma diferença o fim do mundo? Tirei-te todos e tudo, inclusive tua vida. Ficaste como um Jó morto. Restou-te o mundo inteiro. Presta-te para alguma coisa?

A verdade é que se o mundo resolver, por um ataque de tédio daqueles de segunda-feira, acabar-se de uma vez, por mim tudo bem, desde que eu permaneça vivo, seguro e bem empregado, com todos meus queridos – fiquei subitamente generoso e, da mesma maneira que ceifei todos teus amados, por motivo nenhum, agora preservo os meus, por motivo algum. Talvez eu queira preservar alguns luxos. Um estoque de sorvete L’Abasque ou algo do gênero. Mas, a vida continua, com ou sem planeta Terra.

17
nov

Across de Universe

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 17 de novembro de 2009, Tags: , ,

Alguma anotações, impestivas, sobre “Across the Universe”, filme que
assisti apenas no último final de semana (shame on me).

- Os personagens sempre têm nomes de músicas dos Beatles. Assim,
muitas vezes, você já adivinha o destino de casa personagem pelo seu
nome. Sadie irá trair alguém, Prudence se esconderá, em algum momento,
em um quarto e Dr. Robert é um traficante de drogas. Jo-jo quebra a
regra, porque não vai para lugar nenhum e, por óbvio, não precisa voltar.
Ainda assim, o roteiro insiste colocar em sua boca as frase “It´s good
to be back”.

- O filme está cheio de easter-eggs sobre os Beatles. Maxwell usa um
martelo em uma cena e é citado como alguém que pode ser tornar um
assassino. Jude desenha o logo da Apple. Todavia, em alguns momentos o
filme duvida da inteligência dos espectadores. Quando Prudence entra
em casa pela janela do banheiro a referência fica clara. Mesmo assim,
alguém tem que falar “she came into the bathroom window”.

- Os melhores momentos dos filmes acontecem quando as interpretações
das músicas escapam do óbvio. Vide o caso de “I want you” ou
“Strawberry fields forever”. Ainda, a versão de “I wanna hold your
hand”, ganha uma conotação especial quanto cantada por uma mulher.
Lembre-se do verso, “let me be your man”.

- Que apuros devem ter passados os tradutores, especialmente porque
queriam dar sentido frases que, por si só, não fazem sentido.
“Eggman” virou “intelectual”! O que é isso? Homem-ovo, ainda que
inexplicável, seria melhor. Por outro lado, a tradJustificarução para o verso
“Lying with his eyes while his hands are busy working overtime”
deixou-me curioso. As legendas trouxeram “Deitado com os olhos (…)”.
Eu sempre pensei que a tradução é “Mentindo com os olhos”. Mas, vai
saber.

As anotações acima são genéricas e pensadas, brevemente, por um fã dos
Beatles. Não refletem qualquer juízo sobre o filme e não têm, digamos,
o rigor para ser incluído na Beatlelogia.

22
jul

Curtindo a Vida Adoidado 2 (Ferris Bueller’s Day Off 2)

   Postado por Carlos Goettenauer na data de 22 de julho de 2009,

Curtindo a Vida Adoidado é um desses filmes lembrados como ícones dos anos 80, que, até hoje, vivem em nosso imaginário (pelo menos no meu). A marcante seqüência de Ferris Bueller dançando ao som de “Twist and Shout” talvez seja a primeira lembrança que tenho de uma canção dos Beatles.

Apesar de todo sucesso, o filme nunca teve uma seqüência. Chegou-se a cogitar a possibilidade de uma continuação, denominada Ferris Bueller 2: Another Day Off, mas nada foi para frente. Aliás, pelo que li sobre o roteiro, graças a Deus! No entanto, a ausência de uma seqüência não me impede de imaginar um revival de Ferris.

Meu roteiro imaginário começaria 23 anos depois do primeiro filme. Rapidamente, mostraria que Ferris tornou-se um publicitário e, até hoje, curte a vida ao estilo Ferris. Cameron, por outro lado, é mais um em uma grande empresa, dessas que fabricam equipamentos para escritório, e vive às voltas com seu trabalho insuportável e sua vida entediante. Separados desde o fim do High School, os dois amigos se encontrariam, por acaso, quando Ferris é contratado para fazer a campanha publicitária da empresa em que Cameron trabalha.

Cameron seria o personagem principal. O filme mostraria sua vida enfadonha. Muito pouco do que ele viveu naquele day off de 23 anos teria ficado em sua rotina. Cameron não gosta do emprego, da sua vida em família e não tem bons amigos. Vive para o trabalho chato. Ferris também teria seus conflitos, especialmente o fato de não ter sustentado nenhuma relação ao longo desses anos e, ainda, carregaria a culpa de ter estragado familiar a vida de Cameron com o incidente da Ferrari no final do primeiro filme.

Ainda assim, Ferris libertaria Cameron das amarras sociais em um espetacular day off. Zoariam pela cidade e, novamente, enfrentariam a perseguição da família e do chefe.

O filme terminaria bem, de alguma maneira, Cameron sairia de seu emprego e iniciaria um site de sucesso na Internet. Ferris expiaria sua culpa com isso. Seria como “Beleza Americana”, mas em um dia e com final feliz.