Ciclo dos dias – Sábado
Os astrônomos, aboletados em seus cálculos gigantescos sobre a órbita dos corpos celestes, pretendem ter respostas para todos os fenômenos científicos. Todavia, ainda não me apresentaram uma explicação decente sobre o mais simples de meus problemas. Por que o tempo passa mais rápido aos sábados?
Não me venham com respostas técnicas sobre diferentes percepções psicológicas do tempo. A única explicação cabível para o descompaso entre o arrasto da segunda-feira e a a fluidez do sábado é alguma alteração no movimento giratório da Terra, até agora não divulgada por nossos pretensiosos cientistas. Com certeza o fenômeno já foi percebido pela alta casta de astrônomos, que certamente não quis dar notícia, a fim de não desanimar a humanidade inteira, que esperava ansiosa pelo final de semana chegar.
Pois, não há coisa mais injusta. Por cinco dias, enquanto todos estão agarrados em seu sem número de atividades, a duração dos dias parece engordar incrivelmente. Alarga-se aqui e ali o tempo, para encaixar todas as tarefas. Mas basta, chegar o momento de descanso, quando vamos colocar a vida em dia e o tempo escorrega entre nossos dedos, consumido, principalmente, por compromissos que não deveriam estar lá. Pois, muito do que se faz no sábado, são atividades que, ardilosamente, escaparam dos dias úteis. No sábado, finalmente, vamos conseguir mandar o carro para lavar, ir ao shopping comprar o presente de casamento daquela pessoa que você não conhece e ler alguns textos para a aula de segunda-feira.
Sábado mostra, assim, a grande bobagem que é viver para aguardar um dia quando poderemos aproveitar o tempo. Ou aproveita-se agora, no melhor estilo carpe diem, ou o que se consegue é, no máximo, acumular ansiedade para um dia que será curto demais, frio, chuvoso e, provavelmente, com uma visita desagradável ao supermercado.







