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Estraga Magia

   Postado por: Carlos Goettenauer na data de 7 de junho de 2013, em Crônicas

Ah Mister M, o mestre dos estraga magia.Imagine-se o leitor imaginário a assistir ao novo número de um grande mágico. Passa para cá caixa com metade de mulher dentro, passa para lá cartola transbordando coelhos, muitos deles ocupadíssimos em levitar e assanhadamente fazer reaparecer buquês de rosas por trás das orelhas das jovens na plateia.

Ao lado do leitor, a essa hora ainda abandonado pelo cronista na cadeira do teatro, um sujeito assiste aos números, sério, com bloquinho e caneta. Ao fim, vira-se para o leitor imaginário e passa a descrever a maneira como todos aqueles malabarismos mágicos foram montados para enganar o público. Pura ilusão, aponta ele, feita de polias, espelhos, fios transparentes, fundos falsos e cadafalsos.

Está aí, ao lado do leitor imaginário, um espécime cada dia mais comum na fauna humana. O estraga magia.

Trata-se do sujeito que tem explicação para tudo quanto é que pode existir no planetinha Terra. Quiçá na galáxia. Você lá, a se maravilhar com o arco-íris e as miragens no deserto, e ele te explicando sobre a refração da luz nas gotas de água, frequência das ondas luminosas e como tudo isso influencia a revenda de commodities no mercado de tapioca. Quase uma Wikipédia viva, com seu repertório de conhecimento apagando o encantamento de qualquer pequeno milagre cotidiano.

Mas, apesar do hábito da desmitificação, o estraga magia tem lá suas utilidades. Especialmente porque nem todo encanto vem para bem. Assim, você descobre que não deve misturar vinho e Coca-cola, porque o álcool e o gás carbônico, quando misturados, reagem no estomago para se transformarem em ácido carboxílico. E isso dói.

E para desdizer o que disse antes, nem acredito que o estraga magia seja assim tão ruim. Na pior das hipóteses, suas ponderações enciclopédicas podem, no máximo, ser um pé de página na conversa mística. Triste mesmo é quem vê encanto e magia na ignorância.

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Este artigo foi postado em 7 de junho de 2013 às 12:01 am e está classificado em Crônicas. Você pode acompanhar os comentários ao post no feed RSS. Deixe um comentário ou trackback no seu website.

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5 comentários até agora

Bianatureza
 1 

Como sempre um texto leve pra grandes reflexões!

7 de junho de 2013 às 9:37 am
Daisy Domingues
 2 

Hoje tive sorte. Li dois textos maravilhosos! Um deles foi publicado na Folha de São Paulo e foi recomendado por você, Goet! O outro é este “Estraga Magia”. A Folha de São Paulo devia publicar seus textos, meu querido, e pagar-lhe muito bem por eles. São excelentes e não devem nada àquele outro, que você mesmo recomendou!!!!

7 de junho de 2013 às 7:01 pm
 3 

Cara… concordo com você, não acredito em Fantasmas, Magia, Deuses ou Outras coisas. Mas morro de medo de ser verdade.

8 de junho de 2013 às 10:48 am
Vanderley Matias
 4 

Este famoso ‘killjoy’ poderia explicar até os mais improváveis pensamentos do enigmático Sócrates a ponto do mesmo se revirar no túmulo. É o ser pronto para atacar intelectualmente qualquer mente que por instantes se deixa dominar pelo prazer do momento em que um grão de milho se transforma em pipoca! Refutar os momentos de magia não poderia ser feito por alguém melhor.

12 de junho de 2013 às 12:15 pm
coronel
 5 

Vou virar mágico e fazer você nunca mais escrever essas asneiras. Fala sério. Colocou um monde de baboseira, quando queria mesmo era só escrever a última frase. Tenha paciência…se tá assim agora, imagina na Copa?

12 de junho de 2013 às 12:57 pm

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