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Amo muito tudo isso

   Postado por: Carlos Goettenauer em Crônicas

hamburguer Na fila, peço pelo número. Meu pedido se transforma em algo muito próximo de comida. Não se pode dizer que seja ruim ou insosso. Embora pouco nutritivo, o lanche entregue em uma caixinha de papel é agradável e, diga-se, possui um sabor inconfundível. O que lhe falta para ser comida é a alma, perdida no longo processo que transforma o alimento em fast food.

Já na mesa, há uma ordem secreta para as coisas, desconhecida dos leigos. Se eu estiver acompanhado, o sanduiche deve ser comido primeiro. As batatas, ingeridas mais vagarosamente, servem para cativar um breve bate-papo. Caso esteja sozinho, as fritas, por esfriarem antes, devem ser comidas primeiro, em ritmo industrial. O sanduiche pode ser apreciado como prato principal em um silencio meditativo. Se o fast food não criou a solidão, pelo menos lhe alimenta diariamente. Ela senta em mesas estreitas de dois lugares e ocupa todo o espaço com sanduiche, batata e refrigerante médios. Já foi vista de fones ou lendo algum bestseller instantâneo, enquanto cumpre seu compromisso com o estomago.

O fim da refeição traz uma polêmica. É demonstração de grande civilidade e educação carregar sua própria bandeja e desfazer-se dos dejetos em uma lixeira ecologicamente correta. Por outro lado, deixar os despojos na mesa, obriga, indiretamente, a empresa a manter um empregado encarregado desta nobre atividade. Contribui-se, assim, para a redução dos índices de desemprego pátrios.

Opto por uma terceria via de salutar desobediência civil. Abandono a bandeja sob a lixeira, com toda a sujeira por ser retirada. Saio do estabelecimento feliz por ter cumprido meu papel de consumidor socialmente responsável. E com a barriga cheia.

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Este artigo foi postado em 1 de setembro de 2010 às 6:29 pm e está classificado em Crônicas. Você pode acompanhar os comentários ao post no feed RSS. Deixe um comentário ou trackback no seu website.

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9 comentários até agora

 1 

(“…fast food criou a solidão…”). Isso aí já valeu o texto, pra mim!

5 de setembro de 2010 às 10:28 pm
 2 

Gostei das opções para comer a batata. O texto tá muito bom!!

8 de setembro de 2010 às 11:04 am
Ana Luiza
 3 

Bem, nunca imaginei comida com alma, mas devo admitir que a mesma comida feita por mim e pela a minha mãe fica diferente… é a tal da alma???

8 de setembro de 2010 às 4:36 pm
 4 

Quero um número 3, só isso…

15 de setembro de 2010 às 10:26 am
Ma Calarezi
 5 

Carlos, vc me abriu os olhos. Ao invés da pseudo educação de retirar o lixo da mesa, nossa verdadeira contribuição à sociedade é deixa-lo aos cuidados de um empregado, com carteira assinada!

15 de setembro de 2010 às 7:50 pm
 6 

Lá vem o chato do Wilson criticar… rsrsrsrs
Meu amigo, e os saquinhos de catchup e mostarda, heim, heim????? Somente nos são entregues, mediante requisição! E se vc pedir mais do que três saquinhos de catchup, todos os atendentes irão parar o atendimento e olhar com reprovação. Lembrei: uma ex-namorada trabalhava em uma empresa que terceirizava serviços de limpeza. Seu serviço incluía relações públicas, passando a transitar pelo “lado de dentro” das lanchonetes do palhaço. Conclusão: Ela era consumidora entusiasta da rede de fastfood e passou a dizer que nunca mais teria coragem de comer um big alguma coisa. É aquela estória, longe dos olhos, longe do coração.

18 de setembro de 2010 às 2:42 pm
Láyla
 7 

Existe uma propaganda patrocinada por uma equipe de médicos americanos que, nos últimos dias, foi vinculada a canais de Washington mostrando um homem de meia idade e acima do peso deitado sobre uma maca em um necrotério. A filmagem desloca-se para uma de suas mãos que segura um sanduíche pela metade e, logo em seguida, foca os pés do falecido e aproveitando suas curvas desenha o M do Mc Donald’s.
Finalizo meu comentário com a frase postada no próprio vídeo e muda um pouquinho o título de seu artigo: “Amava muito tudo isso”.
OBS: Eu ainda amo o lanche o Cheddar!! ai ai.

21 de setembro de 2010 às 9:50 pm
 8 

Adorei essa cronica

14 de março de 2011 às 8:59 pm
 9 

adorei tudo dessa cronica

14 de março de 2011 às 9:01 pm

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