Por uma rede antissocial
Como todo bom internauta, adoro fuçar as fotos do Orkut manter-me atualizado sobre as novidades do meu círculo de amigos pelas redes sociais. Um mundo maravilhoso surge no monitor. Todos sorridentes, sempre alegres com a vida. Mesmo a tristeza, nas raras vezes que dá as caras, aparece em fontes coloridas e simpáticos emoticons chorosos ou um acréscimo de “saudades eternas” no sobrenome. No entanto, há um enorme campo que ainda deve ser desbravado pelos empreendedores da Internet, as redes antissociais.
Surpreendente, aliás, que a Internet tenha permanecido alheia até hoje ao mais poderoso dos sentimentos, o ódio. Basta uma rápida olhadela, seja na esquina movimentada mais próxima ou na história da humanidade, para confirmar o potencial humano em arrumar confusão e discórdia. Assim, nada mais natural que criar uma rede social na qual as pessoas se encontraram para discutir, brigar, ofender-se mutuamente, tudo com a segurança, comodidade e segurança propiciada pela Internet. Lembre-se daquele seu inimiguinho de infância, há anos perdido no esquecimento? Pois então, na nova rede vocë poderá reencontralo para terminar aquele “te pego lá fora” não mal resolvido há décadas.
A rede antissocial trará o melhor de todos os mundos. Com um clique rápido na leve interface você começará uma inimizade com seu mais recente desafeto, seja alguém com quem você tenha brigado no trânsito ou no bar. E, adeus reciprocidade. Não será mais necessário ter seu ódio correspondido para odiar alguém. Se iniciará um novo conceito, o ódio platônico. Celebridades, por exemplo, poderão comemorar quando atingirem seu primeiro milhão de inimigos. Em seguida, nada de recadinhos coloridos no mural dos outros. Você entrará na rede e receberá o maravilhoso aviso “fulano deixou uma ofensa para você”. Há como começar um dia melhor?
Já as comunidades, que fizerem o sucesso de algumas redes sociais, serão substituídas por clubinhos da raiva. As possibilidades são incalculáveis. Pessoas do mundo inteiro vão poder dividir seu desgostos e desinteresses em comum. Imagino as histórias edificantes que serão contadas daqui a anos sobre relacionamentos surgidos na rede antissocial. “Conheci meu marido no clube de pessoas que odeiam andar de bicicleta ergométrica em avenida”, afirmará alguma noiva entusiasmada.
Ao bem da verdade, o internauta superligado nas últimas novidades do mundo cibernético, atualmente deve desperdiçar passar boa parte do tempo digerindo a infinitude de conteúdo oriundo das redes sociais. O volume de bobagens informações é tão grande que se torna quase impossível manter-se atualizado com os últimos trending topics do Twitter, ler o s scraps do Orkut e aceitar os novos pedidos de amizade do Facebook. Assim, antes de o pacote de dados do celular 3G ficar mais caro que a dívida externa dos país em desenvolvimento, a rede antissocial é a solução definitiva para economizar nosso tempo, para que possamos nos concentrar no que há de mais importante na vida. Brigar em família.
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