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Filme: Toy-Story 3

   Postado por: Carlos Goettenauer em Cinema, Crônicas, Filmes de 2010

poster_toystory3 Atualmente há um filme em cartaz que lida com a dificuldade de algumas criaturas, fadadas a permanecerem eternamente preservadas em uma forma imutável, lidarem com o crescimento e mudança daqueles a quem amam e servem. Não fosse a imagem ao lado (e o título, claro), os leitores imaginários teriam pensando na saga Crepúsculo. Mas claro, refiro-me a Toy Story 3.

Não vou falar sobre o primor técnico do filme. O melhor crítico brasileiro de cinema já fez isso com muita competência e o pessoal do Rapaduracast nos deu de presente um maravilho episódio, que conta com a presença de Guilherme Briggs, dublador de Buzz Lightear. No entanto, tive a sorte de assistir os três filmes da série da Pixar este ano e sou tentado a concordar com quem diz ser essa a melhor trilogia do cinema. Sem dúvida, unidos, os três filmes formam uma corrente sem elos fracos.

Portanto, não posso deixar o filme passar sem registrar minhas impressões. Certa vez, escutei que uma obra clássica permite vários níveis de leitura. Toy Story 3 é, assim, um clássico imediato. Para os pequenos, o filme trás a fábula de brinquedos que tomam vida e aprontam aventuras secretas. Já a primeira seqüência do filme mostra, com acerto, a visão de uma brincadeira pelos vibrantes olhos infantis. Logo em seguida, somos lançados à melancolia, quando percebemos que aquele menino cresceu e os brinquedos, antes protagonistas de um universo particular maravilhoso, agora repousam em uma caixa e estão diante de uma iminente escolha, que os encaminhará ao esquecimento em um sótão empoeirado, à doação ou, pior dos fins, ao lixo.

Assim, para o público mais “idoso”, a fábula dos brinquedos sai de cena para a entrada de uma reflexão sobre o crescimento e envelhecimento, não apenas nosso, mas também de todos que queremos bem. Mas, ao longo da projeção, a alegoria se expande e notamos que Toy Story trata também sobre quais as relações que podemos e devemos conservar na vida e, especialmente, sobre alguns nós que, por ética ou sabedoria, devemos desatar para permitir o ressurgimento da felicidade, se não nossa, alheia.

Crescer não é simples e Toy Story retira dessa dificuldade a matéria prima para uma obra que, apesar de emocionar o patrulheiro estelar mais durão, não se rende ao sentimentalismo barato. Aliás, a película é capaz de fazer graça sobre vários ritos de passagem para a vida adulta. É divertido, por exemplo, como os brinquedos sequestram o celular Andy, como único recurso para atrair sua decrescente atenção ao velho baú onde repousam.

Mas Toy Story 3 não é grande apenas pela sua metáfora. Ganha mais relevo pelo período em que foi lançado.  Em uma época quando o drama quadrado de um amor eternamente impossível ecoa tanto na sociedade, a fábula infantil dos brinquedos dá uma lição  proustiana aos adolescentes e adultos mal-crescidos. Às vezes é necessário deixar partir aquilo que mais amamos. Nosso passado não repousa bem esquecido em um sótão. Viverá muito mais tranqüilo e feliz em nossa memória.

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Este artigo foi postado em 6 de julho de 2010 às 7:17 am e está classificado em Cinema, Crônicas, Filmes de 2010. Você pode acompanhar os comentários ao post no feed RSS. Deixe um comentário ou trackback no seu website.

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4 comentários até agora

 1 

Vejo que as animações andam roubando a cena dos humanos. “Up! – Altas Aventuras” já provou isso.

6 de julho de 2010 às 11:43 am
Má Calarezi
 2 

Carlos, lindo o seu texto. Eu, que tanto tenho me mudado, vivo na pele a dificuldade e o esforço para conservar relações tão importantes que criamos. Algumas sei ficarão no passado, e isso me tortura. Parabéns pela sensível percepção, a maioria é incapaz de entender o verdadeiro significado de um filme.

6 de julho de 2010 às 4:07 pm
Daisy Domingues
 3 

Profunda e emocionante sua interpretação dessa trilogia “infantil”. ADORO MUITO

7 de agosto de 2010 às 11:23 pm
Gustavo
 4 

Ah, que belo texto!
Eu confesso que saiu lágrimas de meus olhos ao assistir Toy Story 3, principalmente na parte final do filme. Que reflexão… Eu gostei muito desses três grandes filmes. O primeiro eu assisti quando eu ainda era criança, e ainda tenho (em VHS) e não paro de assistir. Sem dúvida, é um excelente filme para refletir-se. Cheio de aventuras e emoções.
Seria muito divertido se os brinquedos tivessem vida própria na vida real, rsrs.
Parabéns pelo texto ;)

27 de outubro de 2011 às 4:09 pm

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