17
jun

Torcer. Mais que um direito, um dever!

   Postado por: Carlos Goettenauer em Crônicas, Crônicas da Copa

Bandeira do Brasil

Levadas pela empolgação da Copa, muita gente revela seu verdadeiro caráter nessa época. Aquele sujeito habitualmente sério e educado, durante as partidas do Brasil, pode se tornar um tocador de Vuvuzalas da melhor qualidade, capaz de gritar os piores impropérios a cada lance do time adversário. Mas nada me surpreende mais do que descobrir, em pele de cordeiro, um traidor brasileiro que torce contra nossa seleção.

Tanto pior quando o vivente torce para outro país. O mais trágico de tudo é ver que, por trás da falta de patriotismo, há sempre uma desculpa mal arrumada, do tamanho de guarda-chuvas pequeno em dia de tempestade.

Vez ou outra, escuto de algum traidor da pátria a alegação que essa seleção do fulano não é a minha seleção(preencha fulano com o técnico da vez). Divergências com escalação, com o esquema tático, com a postura do técnico dentro ou fora de campo, tudo serve de explicação para esquecer o escrete canarinho e optar pelo apoio à Espanha (favorita da atualidade), ao Uruguai ou, acreditem ou não, à Argentina (crime apenado com 2 a 3 anos de detenção, seguida de decapitação). Quase sempre as divergências ideológicas com o técnico escamoteiam, sob o manto de suposto conhecimento tecnico-futibolístico, a vergonha de exibir orgulho pela pelo Brasil, como se fosse mais digno torcer por um país diferente.

Há um caso mais grave. Surge como um complexo de inferioridade, polido com cera de arrogância. O sujeito abraça seu sobrenome, levanta as mãos para seus ancestrais e passa a torcer pelos seus antepassados. Itália, Espanha, Alemanha e qualquer outro país europeu vira o favorito de alguns torcedores brasileiros com nomes importados, que esquecem sua verdadeira nacionalidade. Muito estranho, porque não vejo ninguém arrotar ser decendente de escravo, pegar seu traje tradicional africano e encarar uma torcida a favor da Uganda.

Os vira-casacas, em alguns casos, costumam trazer em seu discurso argumentos que ultrapassam o futebol. Alega-se que o Brasil não é um país sério, está cheio de pilantragem e aquele papo de sempre. No fundo querem falar só “o Brasil é um país miserável e eu não torço pra pobre!”, no estilo imortalizado Justo Veríssimo. Eventualmente, há ainda os que criticam o fato do brasileiro se tornar tão patriota na Copa do Mundo, como se isso fosse grande falha de caráter. Ora, a falta de patriotismo alheio não justifica a própria.

Assim, para todos que tentam escapar de seu dever nacionalista de torcer pelo Brasil, segue um recado desagradável. Nacionalidade é como doença congênita ou cor da pele. Você pode fazer o que for e continuará sendo brasileiro, até o fim. Ainda que se esconda nas geleiras do norte, o verde amarelo continuará estampado em quem você é. Torcer pelo Brasil, portanto, não é questão de opção. É dever! Então, jovem, você que tem sangue nas veias, vista sua camisa canarinho e deixe de frescura no próximo jogo do Brasil!

Gostou? Leia mais:

  1. 5 razões para torcer contra a Argentina
  2. Para quem não gosta de futebol
  3. Dunga, a esfinge
  4. Que venha a Copa do Mundo
  5. Brasil x Holanda – Contém spoilers

Tags: , , ,

Este artigo foi postado em 17 de junho de 2010 às 7:14 am e está classificado em Crônicas, Crônicas da Copa. Você pode acompanhar os comentários ao post no feed RSS. Deixe um comentário ou trackback no seu website.

Clique quem "Curtir" para deixar seu comentário no Facebook!

7 comentários até agora

Ana Luiza
 1 

Aliste-se já!!!

17 de junho de 2010 às 12:09 pm
 2 

esses aí ainda não perceberam que o Brasil é o país da moda. E não é exagero algum dizer que, mesmo sendo de 3º mundo, hoje é uma nação invejada por muitos líderes de 1º.

17 de junho de 2010 às 5:50 pm
Ma Calarezi
 3 

kkkk, Carlos, meu namorado fala que está torcendo para a Argentina, pode? A desculpa dele é o técnico e suas restrições. O interessante foi que ele não conseguiu disfarçar o entusiasmo com o gol do Brasil… vai entender, que gente loka !

17 de junho de 2010 às 8:08 pm
Raphael
 4 

Ate’ os alemaes podem se dar ao luxo de ser nacionalistas em e’poca de copa.

Ps: como meus ancestrais vieram para o Brasil com Cabral acho que so’ me resta torcer pelo Na’utico ou Sport Recife – sao esses os nomes? – em homenagem ‘a minha avo’ pernambucana.

18 de junho de 2010 às 3:23 am
 5 

Sabe aquilo de torcermos involuntariamente para o mais fraco? O time do Brasil, por nunca satisfazer nossas expectativas otimistas, acaba gerando esse efeito. Eu tenho uma queda pela Coreia, e se o primeiro jogo fosse contra a do sul eu bem ia gritar “Aja! Aja!”, mas ao ver o Brasil errando passes e indo mal seria inevitável sacudir as pernas inquietamente, comer os beiços e comemorar os gols… É engraçado tentar torcer para o time adversário. Eu, pelo menos, nunca terminei um jogo do Brasil torcendo contra herere…

18 de junho de 2010 às 8:44 am
 6 

Concordo plenamente com você. Não aguento esse lance xenófilo do brasileiro. Enquanto o resto do mundo defende com muita fibra o lugar onde nasceu, nossa gente tem mania de supervalorizar o que não é nosso. Que antipatia que me dá!!!!

18 de junho de 2010 às 4:25 pm
Luíz V. Rebello
 7 

Concordo plenamente!!!!
Neste, que é um dos poucos momentos de união nacional, nenhuma razão (ou desculpa) é plausível para torcer contra a seleção brasileira, fala sério. Aqui em Recife nego tá pegando porrada. O que é bem feito.
Se uma pessoa faz isso nesse nível, é bom ficar de olho nela, pois esse espírito de “traíra” pode se manifestar nos outros níveis do seu relacionamento pessoal. Palavra de analista.

25 de junho de 2010 às 9:53 am

Deixe seu comentário!

Nome (*)
E-mail (não será publicado) (*)
Website
Comentário
Clique abaixo para enviar o comentário!