Levadas pela empolgação da Copa, muita gente revela seu verdadeiro caráter nessa época. Aquele sujeito habitualmente sério e educado, durante as partidas do Brasil, pode se tornar um tocador de Vuvuzalas da melhor qualidade, capaz de gritar os piores impropérios a cada lance do time adversário. Mas nada me surpreende mais do que descobrir, em pele de cordeiro, um traidor brasileiro que torce contra nossa seleção.
Tanto pior quando o vivente torce para outro país. O mais trágico de tudo é ver que, por trás da falta de patriotismo, há sempre uma desculpa mal arrumada, do tamanho de guarda-chuvas pequeno em dia de tempestade.
Vez ou outra, escuto de algum traidor da pátria a alegação que essa seleção do fulano não é a minha seleção(preencha fulano com o técnico da vez). Divergências com escalação, com o esquema tático, com a postura do técnico dentro ou fora de campo, tudo serve de explicação para esquecer o escrete canarinho e optar pelo apoio à Espanha (favorita da atualidade), ao Uruguai ou, acreditem ou não, à Argentina (crime apenado com 2 a 3 anos de detenção, seguida de decapitação). Quase sempre as divergências ideológicas com o técnico escamoteiam, sob o manto de suposto conhecimento tecnico-futibolístico, a vergonha de exibir orgulho pela pelo Brasil, como se fosse mais digno torcer por um país diferente.
Há um caso mais grave. Surge como um complexo de inferioridade, polido com cera de arrogância. O sujeito abraça seu sobrenome, levanta as mãos para seus ancestrais e passa a torcer pelos seus antepassados. Itália, Espanha, Alemanha e qualquer outro país europeu vira o favorito de alguns torcedores brasileiros com nomes importados, que esquecem sua verdadeira nacionalidade. Muito estranho, porque não vejo ninguém arrotar ser decendente de escravo, pegar seu traje tradicional africano e encarar uma torcida a favor da Uganda.
Os vira-casacas, em alguns casos, costumam trazer em seu discurso argumentos que ultrapassam o futebol. Alega-se que o Brasil não é um país sério, está cheio de pilantragem e aquele papo de sempre. No fundo querem falar só “o Brasil é um país miserável e eu não torço pra pobre!”, no estilo imortalizado Justo Veríssimo. Eventualmente, há ainda os que criticam o fato do brasileiro se tornar tão patriota na Copa do Mundo, como se isso fosse grande falha de caráter. Ora, a falta de patriotismo alheio não justifica a própria.
Assim, para todos que tentam escapar de seu dever nacionalista de torcer pelo Brasil, segue um recado desagradável. Nacionalidade é como doença congênita ou cor da pele. Você pode fazer o que for e continuará sendo brasileiro, até o fim. Ainda que se esconda nas geleiras do norte, o verde amarelo continuará estampado em quem você é. Torcer pelo Brasil, portanto, não é questão de opção. É dever! Então, jovem, você que tem sangue nas veias, vista sua camisa canarinho e deixe de frescura no próximo jogo do Brasil!
Gostou? Leia mais:
- 5 razões para torcer contra a Argentina
- Para quem não gosta de futebol
- Dunga, a esfinge
- Que venha a Copa do Mundo
- Brasil x Holanda – Contém spoilers
Tags: Copa do mundo, Crônicas da Copa do Mundo, Crônicas para refletir, Textos de reflexão
Clique quem "Curtir" para deixar seu comentário no Facebook!








7 comentários até agora
Deixe seu comentário!