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jun

Que venha a Copa do Mundo

   Postado por: Carlos Goettenauer em Crônicas, Crônicas da Copa

Epidemia. Eis a única palavra para explicar. Começa de maneira sutil, em meados de abril, com uma bandeirinha aqui e outro rótulo pintado de verde e amarelo acolá. Todavia, a mania de nacionalizar tudo se espalha de maneira viral. Meio de maio e parece que o Brasil inteiro se embrulhou em celofane verde-amarelo, ganhou cornetas e bandeiras. Passado quase um mês, há o ápice da expectativa. Correspondentes internacionais devidamente enviados e afiados, bolões a pleno vapor, vinhetas massacrantes na TV, vamos todos à Copa do Mundo.

Todavia, quem leu sobre meu desprezo pelo futebol, vai receber a seguinte notícia com alguma surpresa. Eu adoro Copa do Mundo. A contradição é mínima e apenas aparente.

Pode até parecer, mas Copa do Mundo não guarda quase nenhuma relação com futebol. Por mera coincidência, a Copa do Mundo é disputada com regras semelhantes ao futebol. Mas não se trata do mesmo fenômeno. Futebol é um esporte chato, limitado a uns poucos admiradores entendidos (talvez mais que uns poucos, mas não vou entrar no mérito), que sabem, por exemplo, qual foi o campeão brasileiro de 1981. Copa do Mundo, ao contrário é fenômeno de massa e não existe em nichos. Qualquer vivente sabe que o Brasil é pentacampeão. Oxalá Hexa em breve.

Tanto assim, aliás, que alguns jogadores de futebol excepcionais não conseguem se destacar na Copa. Pois não são times de futebol que entram em campo na Copa do Mundo. Trata-se do último suspiro do nacionalismo arraigado. Fanatismo, ufanismo desmedido, tudo ganha alvará de soltura, de quatro em quatro anos, para uma catarse nos campos. Que se dane a política internacional, os blocos regionais, o MERCOSUL, a União Européia e o espírito global. “Somos guerreiros”, os jogadores afirmam em uma recente propaganda. Dentro das quatro linhas, a batalha visceral está liberada, desde que com fairplay.

Não é por acaso que o nacionalismo é visto com maus olhos atualmente. O ufanismo alimentou o fascismo e serviu de combustível para duas guerras mundiais no último século. Entretanto, o sentimento gerado pela Copa do Mundo é diferente. Por onde é exibido, o torneio provoca uma enorme festa. Carreatas nas ruas, festa sob o Arco do Triunfo (má lembrança) e coro absurdo de vuvuzelas de ex-cativos do apartheid. Vez ou outra aparece um chato para dizer que há violência aqui ou ali. Mas, sem dúvida, são casos isolados, muito diferentes, diga-se, da saída de um Palmeiras e Corintians.

Impossível, portanto, ser antipático a um movimento que mostra, ao fim, a grande capacidade da reunião popular. Especialmente para nós, brasileiros, que nem aprendemos a ser patriotas e já precisamos desaprender, para nos tornar globalizados. Afinal, quem consegue acordo no condomínio para decorar a fachada ou arrecadar dinheiro na vizinhança para pintar a rua pode, muito bem, entender dessa maneira, a importância de pensar e agir juntos.

Post-scriptum, com um convite:

Apesar de todo o dito acima, sei que é maçante o movimento midiático da Copa do Mundo. No entanto, é impossível ser imune.

Assim, conclamo meus prezados leitores, imaginários ou não, a opinar.

Alguém tem interesse na manutenção das crônicas da Copa ou o Estado Crônico deve se manter, doravante, silente sobre a questão? Apenas vocês podem decidir, aí nos comentários!

Agradeço previamente a participação.

Gostou? Leia mais:

  1. Dunga, a esfinge
  2. Para quem não gosta de futebol
  3. Acabou
  4. Antes mundo era pequeno
  5. Hitler descobre que a Copa acabou

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Este artigo foi postado em 10 de junho de 2010 às 10:47 am e está classificado em Crônicas, Crônicas da Copa. Você pode acompanhar os comentários ao post no feed RSS. Deixe um comentário ou trackback no seu website.

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14 comentários até agora

Marcus Goettenauer
 1 

Olha não gosto nem de copa do mundo, dia de jogo é bom pra pegar estrada exatamente na hora do jogo.

10 de junho de 2010 às 12:11 pm
raphael
 2 

Claro que voce tem que continuar. Pergunta besta, so!

10 de junho de 2010 às 1:07 pm
 3 

Eu tb só curto futebol na época da copa. Acho bom juntar a galera em casa e fazer pipoca com essa desculpa de ver o jogo. Só discordo do que disse sobre o futebol ser limitado a uns poucos admiradores entendidos, porque no Brasil, com a exceção do meu marido, não tem quem não saiba o que é um escanteio. É um bombardeio diário nos noticiários… Já nasce no sangue do povão e todo mundo é técnico, principalmente na Copa herere… Acho legal vc continuar com o tema :)

Ps: os leitores imaginários estão cada vez menos imaginários, heim…

10 de junho de 2010 às 1:48 pm
M. Watson
 4 

Sempre adiante…

10 de junho de 2010 às 5:54 pm
Paulo
 5 

Fala Carlos!

Não é como o do Papaléguas, mas gostei do post. Acho que você deve continuar sim. Sei que não vai virar um blog futebolístico, mas poderia fazer alguns posts sobre os jogos.

Abraço!

10 de junho de 2010 às 8:13 pm
Paulo Roberto
 6 

Copa do Mundo?????Na África????
Quando a maioria do povo lá não tem nem cozinha!!!!!
mode ironia: ON

10 de junho de 2010 às 9:57 pm
Terezinha
 7 

Cadu, quase não tenho tempo para ler, mas valeu a pena conhecer seu blog. Quem dera as pessoas tivessem sempre este espírito de união ( e entendessem a força que tem, movimentos coletivos munidos de um só objetivo ). Ninguém melhor que eu para falar disso…
Mas, a parte o assunto sério, copa do mundo é tudo de bom. Rumo ao hexa!!!
Beijos

11 de junho de 2010 às 8:12 am
 8 

Pode mandar bala, amigo!… quer dizer: mandar bola! Vamos falar sobre a Copa sim. Desde que de maneira original, divertida. E se quser colaboração, posso escrever crônicas para o EC.

Abraço!

11 de junho de 2010 às 9:59 am
Ana Luiza
 9 

Dá-lhe The wave, honey, dá-lhe!!!

11 de junho de 2010 às 3:50 pm
Jesse Matos
 10 

Cara, um coisa que eu fico triste na Copa, é ver que do nada, o brasiliiro vira extremamente patriota, quem antes falava que o Brasil era isso, e aquilo, nessa epoca, bate no peito e grita que é brasiliero com muito orgulho e com muito amor. Tirando isso, eu adoro futebol, e adoro a Copa do Mundo, que pra mim, significa união, em que todo mundo torce pro mesmo time. Abraços Carlos

12 de junho de 2010 às 12:04 am
 11 

Oi adoro seu blog^^ e concordo ‘-’ dá uma olhada no meu? ele ainda é novo mas já tem umas coisinhas…

12 de junho de 2010 às 1:55 pm
 12 

Antes de ler esta postagem, Cadu, eu estava superempolgada para escrever sobre a Copa e postar no meu blog. Mas, depois do que li seu, fico totalmente impedida de escrever. Você disse tudo. Com perfeição!

13 de junho de 2010 às 3:42 am
Láyla
 13 

Marcou um golaço com as crônicas “Para quem não gosta de futebol”e “Que venha a copa do mundo”!!
Enfim, encontrei um ser humano que lê minha mente sobre este fenômeno!!
Ah, Freud explica este nosso desvio da massificação. hehe

13 de junho de 2010 às 6:39 pm
 14 

Num manjo nada de futebol, mas copa do mundo é tudo de bom… favor continuar com as cronicas rsrs

25 de junho de 2010 às 8:18 pm

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