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He-man e o reino podre de Etérnia

   Postado por: Carlos Goettenauer em Crônicas, Nerd

Ao contrário da maioria das crianças, eu sempre torcia pelo lado errado nos desenhos animados. Não se trata de algum desvio de comportamento, nem síndrome "do contra", presente naquele tipo de sujeito que sempre se opõe a opção da maioria. Na verdade, sempre senti maior identificação com a "oposição", que busca desmascarar a fraude que são os heróis.
No desenho do He-man, não era diferente. O arqui-rival do herói, Esqueleto, com sua risada maligna, sempre me atraiu muito mais do que o lado bonsinho. Todavia, hoje percebo que minha identificação com o inimigo de He-man tem uma explicação muito evidente. Há algo de podre no reino de Etérnia.
 
Algumas questões precisam ser esclarecidas, para demonstrar a grande fraude de Eternia, repassada pelo desenho. O reino protegido por He-man, alter-ego do príncipe Adam, é, obviamente, uma monarquia absolutista. E como toda monarquia, não deixa espaço para a oposição. O alto escalão do reino é constituído, assim, pelas figuras responsáveis pela opressão das forças subversivas. Mentor, Teela, Gorpo e Feiticeira, cada um é responsável por alguma função na maligna máquina opressora estatal. Mas, acima de todos, principe Adam, que ungido de poderes de metafísicos por Feiticeira, se transforma em He-man, o herói de força quase infinita, que parte sempre na luta contra os inimigos do reino de Etérnia. É ele que representa a figura mais perigosa do reino. Basta ver que, para seus comparsas, Adam é um príncipe esquisitão, que tem um tigre frouxo como animal de estimação. Já para os inimigos, He-man é o sujeito responsável por lançar um monstro bestial, chamado Gato Guerreiro, em todos os revolucionários.
 
Do outro lado está Esqueleto, o oposicionista. Seu objetivo é invadir o Castelo de Grayskull e derrubar o Reino. No entanto, os planos de Esqueleto só vão até aí, segundo mostra o desenho. Obviamente, a censura estatal não permitiu revelar que o "terrível" personagem pretende, na verdade, reestabelecer a democracia na sociedade, livrando Etérnia dos crápulas monarquistas.
 
Tudo bem que o desenho mostra algum excesso aqui e ali do Esqueleto, mas, convenhamos, o programa foi, evidentemente, criado para difamar sua imagem de herói revolucionário. Aliás, o próprio Mentor, o Goebbels de Etérnia, deve ter feito a edição de cada um dos episódios.
 
Mas, ainda que Esqueleto seja, em alguns momentos, exagerado em sua cruzada oposicionista, uma outra questão deve ser levantada. É possível uma revolução pacata, sem partir para o ataque violento ao sistema estabelecido? Imaginem que esqueleto vestisse sua roupa de moço bom e pedisse uma audiência com Randor, o rei de Etérnia. Estaria hoje em uma masmorra, sendo roído por um tigre monstruoso.
 
Assim, ao lembrar de Esqueleto, só me resta bradar o mote. Viva la Revolución!

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Este artigo foi postado em 21 de abril de 2010 às 1:01 pm e está classificado em Crônicas, Nerd. Você pode acompanhar os comentários ao post no feed RSS. Deixe um comentário ou trackback no seu website.

9 comentários até agora

Astarte
 1 

Cara, apesar da impressão mirabolante que esse texto irá causar em boa parte dos leitores menos informados… O exemplo escolhido é bem interessante e os fundamentos foram bem colocados.
Ainda assim, recuso-me a sacrificar minha autonomia em prol de uma sociedade igualitária. =)

23 de maio de 2010 às 1:34 pm
Fabiano
 2 

É por isso que a elite de Etérnia possui alta tecnologia, com motos voadoras e armas de raios, mas a população vive na idade média. Isso explica tudo… XD

12 de junho de 2010 às 12:19 pm
Striker
 3 

Depois de ler o post sobre os thundercats, tinha que ler esse aqui tb. Cara, acho que vc anda passando muito tempo na internet, com todas essas teorias conspiratórias, hehehe! He-man é claramente um desenho animado com conteúdo iniciático, refletindo, portanto, crenças e valores dos iniciados (no caso, dos antigos cavaleiros templários). Se vc nunca notou, preste atenção no uniforme do he-man. Tem uma cruz templária bem grande para quem quiser ver. Não tem nada implícito, é bem explícito mesmo. Pesquise na internet que vc vai encontrar explicações mais detalhadas sobre o desenho do he-man e seu conteúdo ligado aos cavaleiros templários. Flw!

1 de agosto de 2010 às 2:57 am
Renan
 4 

cara, se isso for sério: quanta paranóia e deturpação de coisas simples e educativas.
caso não seja: muito interessante, nunca tinha reparado por este lado o esqueleto e as forças da resistência.

1 de agosto de 2010 às 3:34 am
ski
 5 

li também o Thundercats, gostei do ponto de vista e também do desenvolvimento do texto, alguns críticos podem demonstrar menos egoísmo e apreciar o artigo somente como diversão sem muita pretensão e assim incentivar o autor a produzir mais.

ne não? té mais Ski

1 de agosto de 2010 às 9:49 am
 6 

Interessante! Raramente vemos essa análise por outro ângulo! Gostei também da análise dos Tundercats. Abraços

1 de agosto de 2010 às 12:09 pm
Smailey
 7 

pseudo-intelectual doente, provavelmente você não tenha idéia das coisas que fala – um dia vai ler isso tudo e sentir vergonha.

1 de agosto de 2010 às 11:46 pm
wander
 8 

posso usar seu texto, no meu mestrado? estou fazendo um trabalho sobre sociologia em uma materia em um mestrado em Direito, li seu texto e ele se adequa com o meu tema, que é conformismo social, uma linha webberiana webber. se permitir farei todas as referencias ao seu texto. valeu brother.

11 de agosto de 2010 às 9:12 pm
 9 

hauahuahauhauh! Muito bom !

23 de agosto de 2010 às 2:21 pm

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