A questão existencial acima foi proposta com fundamento na teoria filosófica do idealismo subjetivo. Seu criador, George Berkeley, afirmava que “esse est percipi”, ou seja, existir é ser percebido. Longe de uma resposta tranqüila, a pergunta trás o questionamento sobre a possibilidade de existência além da percepção sensorial.
Ora, deveria ler blogs esse tal George Berkeley. Pois, se um blog não é lido, a rigor, ele existe? Claro, para seu criador ele existe, mas não como blog e sim um apanhado de textos, declamados ao vazio. Não passa de um caderno de anotações, com folhas amarelas.
Creio, assim, que o presente blog sofra de crise existencial, pois, simplesmente, não tem leitores e dificilmente os terá. Pelo menos, é o que me informa o Google Analytics, que conta fielmente as visitas a essa página.
Logo quando iniciei a nova fase do “Estado Crônico”, fui surpreendido pela pergunta “esse blog é de quê?”. Bom, pensei em alguma resposta boa o suficiente, tracei até alguma idéia, mas cheguei à conclusão que, diante de meus múltiplos interesses, jamais conseguiria fazer algum blog sobre apenas um assunto, rigorosamente delimitado.
Todavia, sem um tema, alguma definição clara de objetivos, o blog não tem leitores e, sem leitores, ele não existe. Portanto, voltamos à estaca inicial. Um blog sobre tudo é um blog sobre nada e, assim, um não-blog.
Diante do dilema, só resta algumas possibilidades. A primeira, facilitar o acesso aos temas pelas categorias e permitir que meus leitores imaginários acessem as crônicas e os posts sobre Beatles, games, modelismo, ou qualquer assunto que me venha à cabeça falar. Assim, posso torcer para que algum dia, por sorte, alguém esbarre no “Estado Crônico” por uma busca no Google e termine por se encantar com minhas idéias.
A segunda possibilidade é mais radical. Relegar o blog ao ostracismo e a condição de não-blog. Ainda assim, talvez algum dia o blog cumpra alguma utilidade, como um registro das idéias que me ocorriam em um passado distante. Afinal, acho que um blog, é, no fim, uma forma de perenizar idéias.
Em tempo, a pergunta da árvore não comporta, na minha opinião, uma única resposta. Se você entender que barulho é a vibração sonora percebida pelos ouvidos, a queda secreta da árvore realmente será silenciosa. Todavia, se você entender que o barulho é apenas a onda mecânica propagada pela matéria, então, a árvore provavelmente fará barulho. Tudo depende, como sempre, do ponto de vista.
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