Já relatei antes meu desapreço por He-man, um reacionário em sunga de pelúcia. Mas minha antipatia por falsos heróis alcança outros desenhos animados antigos e suas mensagens sutis. Nesta linha, Thundercats é outro programa cujas más intenções nunca escaparam de minha aguçada percepção.
Para quem não se lembra mais, vale à pena recapitular a história dos felinos humanóides.
Como é de conhecimento notório, planetas ficcionais são destruídos muito facilmente, vide Cripton e Alderan. Thundera, a terra natal dos Thundercats, não teve melhor sorte e acabou virando poeira cósmica. Com a destruição, a nobreza do lugar, que não poderia ser deixada flutuando na galáxia eternamente, foi encaminhada a outro planeta, chamado América Latina BRIC Terceiro Mundo. Todavia, nem tudo seriam flores para o grupo de nobres gatinhos. Ao chegarem ao novo lar, descobriram que o planeta já era habitado há milênios por Mumm-Rá, uma respeitável liderança local.
A partir de então os Thundercats mostram sua verdadeira face de conquistadores saguinários. Qualquer criatura com bom senso, se forçada a viver em um planeta novo, procuraria um mínimo de diplomacia e respeito aos costumes locais. Ah! Mas não os arrogantes Thundercats! Logo ao chegarem, já bancaram que eram os donos da verdade e detentores da justiça, consubstanciada em uma espada que cresce quando manipulada. Para provar sua superioridade intelectual, trouxeram um aparato tecnológico, convertido para utilização militar.
Os leitores imaginários devem lembrar que os fatos não aparecem no programa de televisão com as mesmas cores que aqui coloco. O líder local, Mumm-Rá, é retratado como múmia asquerosa, violenta, com babinha na boca e cobrinhas na cabeça. No entanto, seu hábito de usar bandagens e fazer feitiços supostamente malignos reflete os costumes da região, desprezados pelos Thundercats. Na ótica dos invasores, reproduzida no desenho, tudo que não é felpudo e ronrona como um gato é feio, perigoso e deve ser destruído.
Talvez hoje os Thundercats não teriam tanto sucesso em sua empreitada colonizadora. Se sua nave tivesse desviado do Terceiro Mundo e caisse em Pandora, o planeta reproduzido em Avatar, a história seria outra. Certamente Munn-Rá tem muito a aprender com os Na’vi sobre resistência nativa. Mas, quanto isso, deve ser feita justiça à imagem do líder de Terceiro Mundo, que merece lugar na galeria de grandes libertadores coloniais.
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Quase todo brasileiro tem uma solução própria para solucionar a crise de representatividade que atinge nosso cenário político. Alguns pregam o radicalismo de uma revolução, seguida do extermínio cruel de todos os deputados e senadores. Quase Terror Jacobino, versão tupiniquim. No entanto, eu tenho uma proposta muito mais moderada e viável. Meu plano é obrigar todo ocupante de cargo público a se deslocar, exclusivamente, de ônibus urbano.
Tempos perigosos aqueles. Não possuíamos quem pensasse por nós e vivíamos indefesos, à mercê de inescrupulosos fabricantes de cigarrinhos de chocolate. Sem a patrulha politicamente correta, não sabíamos como consumir, xingar com educação ou ser preconceituoso com respeito. Recentemente vi que o jovem afro-descendente da embalagem perdeu o cigarro, usa uma roupinha mais classe-média e trás entediantes lápis de colorir. O novo sabor? Não faço a mais vaga idéia, pois não comprei. O barato mesmo era fingir que fumava chocolate, algo que certamente transformou minha geração em fumantes desbragados, que vivem tossindo seus pulmões pelos cantos. 
Há não muito tempo, milionário era um sujeito riquíssimo, associado a montanhas incalculáveis de dinheiro, capazes de despertar a cobiça de Tio Patinhas. Então, a revolução digital chegou e nos apresentou aos bilionários, que perfuraram poços eletrônicos de riqueza e, com espinhas na cara, já ganhavam mais dinheiro que os paxás da velha indústria. No entanto, por mais que faltem números para contar a grandeza da riqueza dos magnatas, percebo que o populacho insiste em se abraçar em seu antigo status de milzonário.
Atualmente há um filme em cartaz que lida com a dificuldade de algumas criaturas, fadadas a permanecerem eternamente preservadas em uma forma imutável, lidarem com o crescimento e mudança daqueles a quem amam e servem. Não fosse a imagem ao lado (e o título, claro), os 





